Daniela Galli fala das maldades de Malu em Malhação: “vilã tão unânime”

A atriz conta que como tentou fugir do estereótipo da malvada em Viva a Diferença

Publicado há 2 meses
Por André Santana
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Em Malhação: Viva a Diferença, quem dá vida à vilã da trama, praticando maldades, é Daniela Galli, na pele de Malu. Professora na escola particular, Malu era amiga de Marta (Malu Galli) desde a infância.

Apesar de Marta nunca ter competido com ela, a professora sempre esteve na disputa. Pelo seu ponto de vista, a amiga sempre foi mais bonita, mais interessante, inteligente e bem-sucedida. Não à toa, ela se envolveu com o marido de Marta, Edgar (Marcelo Antony), agora separado dela.

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Malu vive aprontando para atrapalhar a relação entre Edgar e Lica (Manoela Aliperti), além de interferir no futuro de Ellen (Heslaine Vieira). “Eu já havia vivido personagens dúbios, mas nunca uma vilã tão unânime. Foi uma experiência nova e um desafio prazeroso. Na minha interpretação, busco sempre humanizar a personagem e fugir de estereótipos. Nesse caso, não queria cair na ideia clichê de vilania, mesmo sendo, talvez, a personagem mais folhetinesca da trama. Aos poucos, fui descobrindo a Malu e experimentei jogar com opostos. A ironia, por exemplo, era algo muito presente nas falas dela, às vezes, um sorriso, um tom de voz suave e a aparente elegância podiam ser ainda mais cortantes que uma esbravejada ou um tom de voz mais alto e firme”, conta Daniela.

Sobre a repercussão da reprise ela diz que voltou a receber mensagens do público. “Voltei a receber mensagens não muito carinhosas pelas redes sociais (risos), mas também recebo recados lindos, são inúmeros os depoimentos emocionantes de admiração pela temporada. Cultivamos um público muito carinhoso e ativo”, completa.

Entre as maldades de Malu, além de tantos preconceitos que expressa ao longo da trama, nos próximos capítulos, ela tentará roubar o lugar de Bóris (Mouhamed Harfouch) no Colégio Grupo chantageando o próprio companheiro, Edgar.

Na entrevista abaixo, a atriz fala de seu trabalho em Malhação e da repercussão da reprise.

Como você recebeu a notícia da reprise de Malhação?

Fiquei sabendo da reprise pelas “five”, que contaram a notícia para todo o elenco no grupo de whatsapp que mantemos até hoje. Foi uma alegria muito bem-vinda logo no início da quarentena. Esse trabalho foi especial para todos os envolvidos, a começar pela proposta de falar do universo jovem com naturalidade, sem mitificá-lo, descartando superficialidades, celebrando a diversidade e trazendo para discussão pautas relevantes.

A concepção e condução artística era sofisticada, sensível e inteligente, e instituiu-se uma sintonia fina e preciosa entre toda equipe e elenco. Nos dedicamos com carinho e fomos muito felizes durante todo o projeto, tanto na sua realização quanto no retorno que tivemos do público e da crítica.

Na história, você vive uma vilã. Como foi essa experiência de encarnar uma mulher tão ambiciosa?

Eu já havia vivido personagens dúbios, mas nunca uma vilã tão unânime. Foi uma experiência nova e um desafio prazeroso. Na minha interpretação, busco sempre humanizar a personagem e fugir de estereótipos. Nesse caso, não queria cair na ideia clichê de vilania, mesmo sendo talvez a personagem mais folhetinesca da trama. Aos poucos, fui descobrindo a Malu e experimentei jogar com opostos. A ironia, por exemplo, era algo muito presente nas falas dela, às vezes, um sorriso, um tom de voz suave e a aparente elegância podiam ser ainda mais cortantes que uma esbravejada ou um tom de voz mais alto e firme.

Eu falava das coisas mais horríveis como se estivesse fazendo um elogio. E isso tinha um efeito extremamente irritante. Assim, fui brincando com essas nuances, diferentes estados de agressividade, de expressão de afeto, de sedução, manipulação, controle e descontrole. E me divertia com o efeito que eles tinham sobre meus parceiros de cena, sobre a equipe ao nosso redor e sobre o público. Mas houve momentos onde eu tinha que dizer coisas tão horríveis, que eu chegava a me desculpar no final. Me lembro especialmente das cenas de preconceito e humilhação que tinha com a Helen – eu sempre abraçava a Heslaine depois.

Tem alguma cena que você gostaria de rever? Se sim, qual?

Eu tive parceiros de cena maravilhosos e foi um prazer trabalhar com eles. Gostaria de eleger uma cena com cada um, mas seria uma lista muito grande… Tem vários momentos que eu queria revisitar: a festa junina das duas escolas juntas e o discurso em prol da educação que a Dóris faz; a cena em que o pai da Benê aparece; a manifestação dos alunos pedindo que o Bóris fique na escola; os shows dos Lagostins; qualquer cena do Juan Paiva e da Heslaine Vieira.

E uma cena curtinha, mas especial, com a Isa Scherer e o Angelo Antonio, quando Malu interrompe uma conversa entre Luís e Clara no café. Ali, o público pôde ter um gostinho da intimidade dessa família que se desfez. Era uma cena chave para humanizar a Malu e também a Clara; ainda que eu tenha usado da ironia e arrogância características da personagem, tomei especial cuidado em revelar a existência de possíveis mágoas na intimidade com Luís. Eu e Ângelo Antonio tínhamos apenas três frases, mas ele é um ator tão talentoso e generoso que, juntos, foi como se revivêssemos anos de vida em poucos segundos.

Aquilo nos trouxe uma verdadeira emoção em cena, dando outra dimensão para a relação dos dois, mesmo que num relance. Ângelo e eu conversamos depois da cena sobre como naquele momento foi possível ver que esses personagens se amaram um dia, tiveram uma vida juntos. Por fim, claro, uma unanimidade: a cena em que Marta joga sopa na cabeça da Malu… (risos).

Como está sendo a repercussão da reprise?

Voltei a receber mensagens não muito carinhosas pelas redes sociais (risos), mas também recebo recados lindos. São inúmeros os depoimentos emocionantes de admiração pela temporada. Cultivamos um público muito carinhoso e ativo. Viva a Diferença conta histórias e levanta questões necessárias para a construção de uma sociedade mais justa.

Você gosta de rever trabalhos antigos? Se considera autocrítica?

Sou autocrítica e muito exigente com meu trabalho, mas gosto de rever o que fiz depois de um tempo. Claro que em muitos momentos penso: “puxa, hoje eu faria isso diferente”. Mas faz parte, estamos em constante movimento e evolução. Amo meu trabalho e, junto com cada personagem, vivo experiências que me transformam. Quando assisto depois de um tempo, é possível ter um distanciamento entre resultado e processo. Vejo qualidades que eu já possuía e mantive em essência, outras que talvez eu tenha perdido e aproveito para resgatar, e identifico também onde aprendi e evoluí. Acredito que será sempre assim… um eterno aprendizado, exercício, descoberta e encantamento.

Alguma lembrança de bastidor da época que ficou guardada na memória?

São tantas memórias bonitas que guardo no coração. Fiz amizades para a vida toda e aprendi muito. A gente se divertia muito nos bastidores. Não esqueço de uma brincadeira que o Bruno Gadiol fez conosco: ele cantava e filmava enquanto a gente dublava ao vivo. Criamos vídeos hilários. Em um dos encontros fora do trabalho, onde reunimos elenco e equipe, havia uma banda tocando e logo começou uma sessão de jam improvisada, visto que tínhamos muitos músicos no elenco.

Foi tudo lindo, mas o auge se deu quando o nosso amado diretor artístico Paulo Silvestrini, e o também diretor e querido Carlo Milani, assumiram alguns dos instrumentos e tocaram pra gente. Era uma turma feliz. A gente dançava e cantava muito. Me lembro da gravação da cena onde os alunos pedem ao Bóris que fique na escola, embora a Malu estivesse amando (risos), eu, Daniela, me arrepiei. Emocionante o reconhecimento da importância do professor, do educador.

Com a flexibilização em algumas cidades, como está a retomada da sua rotina?

Há pouco tempo, depois de cinco meses de isolamento, tive que viajar por uma necessidade. Mesmo assim, continuo em casa, saindo só para o necessário e tomando todas as medidas de segurança (máscara, distanciamento e álcool em gel). Mas incluí algumas bem-vindas voltas de bicicleta e mergulhos no mar bem cedinho. A natureza é nossa mãe e ficou muito bem sem nossa presença. Espero que todo esse período sirva para que mais e mais pessoas percebam que é urgente uma mudança de hábitos em relação ao meio ambiente.

Malhação: Viva a Diferença tem autoria de Cao Hamburger e direção artística de Paulo Silvestrini e vai ao ar logo após o Vale a Pena Ver de Novo.

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