Confira curiosidades de Roque Santeiro, clássico da TV que volta ao ar no Globoplay

Lima Duarte, José Wilker e Regina Duarte vivem os protagonistas

Publicado em 20/6/2021
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Dando continuidade a seu projeto de resgatar novelas clássicas, o Globoplay traz de volta nesta segunda (21) um dos títulos mais icônicos da teledramaturgia nacional. Estamos falando de Roque Santeiro, obra escrita em conjunto por Dias Gomes e Aguinaldo Silva e exibida originalmente pela Globo entre junho de 1985 e fevereiro de 1986.

A seguir, você relembra conosco algumas curiosidades dos bastidores dessa história inesquecível.

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Capa da segunda edição literária de O Berço do Herói (Reprodução / Estante Virtual)

Dos palcos para as telas

Roque Santeiro foi concebida por Dias Gomes como uma adaptação do espetáculo teatral O Berço do Herói, de sua própria autoria. O texto foi escrito pelo marido de Janete Clair em 1963 e encenado pela primeira vez em 1965 – exatas duas décadas antes de se transformar em telenovela.

O protagonista da peça também se chama Roque e é um cabo do exército que, supostamente, morre durante uma guerra na Itália, ao ter um surto de nacionalismo e sair correndo em direção às linhas inimigas, sacrificando a própria vida em nome do amor à pátria.

Roque então passa a ser tido como herói, e a cidade onde nasceu, além de ser rebatizada com seu próprio nome, passa a girar econômica e culturalmente em torno do mito de seu altruísmo e nacionalismo. Isso até o próprio Roque ressurgir na cidade, vivinho da silva, esclarecendo que na verdade estava fugindo apavorado da guerra quando teria se sacrificado pelo país.

A partir daí, os poderosos da cidade se unem para dar cabo do psedo-herói ressurreto, temendo que o fim da mitologia construída em torno do cabo Roque possa abalar os alicerces da rotina e do lucrativo turismo locais.

A montagem original de O Berço do Herói conta com Mílton Moraes (1930-1993) na pele do cabo Roque, enquanto Tereza Rachel (1935-2016) deu vida à personagem correspondente, na novela, à viúva Porcina (Regina Duarte).

Lima Duarte (Sinhozinho Malta) e Betty Faria (Porcina) em cena da versão censurada de Roque Santeiro (Divulgação / Globo)

Versão censurada

A bem da verdade, Roque Santeiro foi concebida para ir ao ar em 1975, com roteiro unicamente de Dias Gomes e direção de Daniel Filho. No entanto, quando a novela já tinha mais de 30 capítulos gravados e estava a uma semana de estrear, o governo militar simplesmente proibiu sua veiculação!

De acordo com o relatório da Censura Federal, o folhetim era “uma ofensa à moral e aos bons costumes” e trazia “achincalhe à Igreja Católica”. No entanto, de acordo com reportagem publicada em 2011 pela Folha de São Paulo, a decisão de vetar a obra foi tomada a partir de uma conversa telefônica que Dias Gomes teve com um amigo, sem saber que estava grampeado.

No diálogo, o novelista revelou que pretendia fazer “uma pequena sacanagem” com os militares, ao adaptar O Berço do Herói – proibida dez anos antes pelos então governantes – para telenovela. “Esses milicos são muito burros, não vão perceber”, teria dito o dramaturgo ao amigo, assinando a sentença de sua novela.

Lima Duarte viveu Sinhozinho Malta nas duas versões de Roque Santeiro (Foto: Reprodução/TV Globo)

Elenco original

Na versão da história rodada em 1975 – inconclusa e até hoje totalmente inédita -, Francisco Cuoco dava vida ao controverso Roque Santeiro, desempenhado por José Wilker na trama que pôde ir ao ar dez anos depois. A viúva Porcina, por sua vez, era interpretada por Betty Faria.

Eva Todor (Dona Pombinha / Eloísa Mafalda), Emiliano Queiroz (Zé das Medalhas / Armando Bógus), Dennis Carvalho (Roberto Mathias / Fábio Jr.), Theresa Amayo (Mocinha / Lucinha Lins), Débora Duarte (Lulu / Cássia Kiss), Waldir Maia (Astromar / Ruy Rezende) e Sandra Barsotti (Linda Bastos / Patrícia Pillar) foram outros nomes que integraram o elenco desta primeira filmagem do folhetim – e que acabaram sendo substituídos na versão definitiva.

Apenas quatro atores escalados em 1975 puderam ‘reaver’ seus papéis em Roque Santeiro uma década depois. A saber: Lima Duarte (Sinhozinho Malta), Ilva Niño (Mina), Luiz Armando Queiroz (Tito) e João Carlos Barroso (Jiló).

Intérprete original de Tânia (Lídia Brondi), Elizângela também retornou em 1985, mas para viver outra personagem, Marilda. O mesmo ocorreu com Mílton Gonçalves, que na versão censurada vivia o padre Honório – rebatizado de Hipólito (Paulo Gracindo) – e acabou ressurgindo como o promotor Lourival Prata na ‘definitiva’.

Regina Duarte não foi a primeira opção para viver a viúva Porcina (Reprodução / Globo)

A ‘Porcina’ ideal

Embora tenha feito de Porcina um dos papéis mais marcantes de sua carreira, Regina Duarte foi nada menos que a terceira opção para viver aquela “que foi sem nunca ter sido”.

Grande idealizar da obra, Dias Gomes sonhava em ver a saudosa Dina Sfat (1938-1989) encarnando a personagem – isso quando a versão inédita de 1975 ainda estava em pré-produção! Prevaleceu, porém, a opção do diretor Daniel Filho, por Betty Faria.

Dez anos depois do cancelamento da obra, quando o projeto pôde enfim ser retomado, a protagonista de Tieta (1989) foi automaticamente pensada para reencarnar Porcina. Mas, para surpresa de muitos, abriu mão da oportunidade, deixando-a então para Regina Duarte.

Lima Duarte, Regina Duarte e José Wilker em Roque Santeiro (Reprodução/TV Globo).

Desfechos alterados

O triângulo amoroso central de Roque Santeiro ganhou uma resolução distinta à que estava prevista na sinopse. O planejamento inicial do folhetim estabelecia que Roque e Porcina terminariam juntos a história. Nas cenas finais, ela fugiria de Asa Branca com o personagem-título, deixando seu amado Sinhozinho Malta a ver navios.

A excelente química em cena de Lima e Regina Duarte, entretanto, fez com que Dias Gomes revisse a ideia e optasse por inverter o desfecho, com Roque partindo sozinho e Porcina desistindo no último minuto de acompanhá-lo para seguir ao lado de Malta.

O ‘santeiro’, aliás, também teve seu destino alterado em relação ao que se via em O Berço do Herói. No texto teatral, o cabo Roque acabava assassinado pelos poderosos da cidade que levava seu nome, na tentativa de manter vivo o mito que lhes era tão lucrativo.

Os novelistas Aguinaldo Silva (à esquerda) e Dias Gomes (à direita) (Reprodução/Globo)

Autores em guerra

Embora a autoria de Roque Santeiro tenha sido, oficialmente, compartilhada entre Dias Gomes e Aguinaldo Silva, não se pode dizer que os dois novelistas trabalharam exatamente juntos na criação da obra. A bem da verdade, eles dividiram entre si os trabalhos de forma bastante democrática, praticamente ‘meio a meio’.

O marido de Janete Clair escreveu a trama até o capítulo 51, passando então a batuta para Aguinaldo. Este, por sua vez, seguiu à frente do texto até o episódio de número 161, quando Dias retornou para conduzir a obra até seu desfecho. Dos 209 capítulos totais, 99 foram escritos pelo idealizador do projeto, enquanto Silva ficou com os outros 110.

Essa divisão, somada ao sucesso estrondoso do folhetim, acabou gerando uma disputa de egos entre os dois roteiristas, que reivindicavam para si a ‘paternidade’ da obra. A coisa chegou a tal ponto que a Globo teve de intervir e a amizade que Gomes e Aguinaldo cultivavam acabou seriamente abalada. Eles só voltaram a se falar em 1999, pouco antes da morte do primeiro.

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