Catatau em Salve-se Quem Puder, ator ressalta representatividade de seu papel: “Importante incomodar”

Bernardo de Assis quer cada vez mais espaço para homens e mulheres trans na dramaturgia

Publicado em 6/7/2021
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Bernardo de Assis está feliz da vida com a força de seu papel em Salve-se Quem Puder, novela inédita da faixa das sete na Globo. O ator interpreta Catatau, office boy que se apaixona por Renatinha, vivida por Juliana Alves. O casal, inclusive, será o primeiro a protagonizar um beijo entre um homem trans e uma mulher cis na TV brasileira.

Carioca da gema, o ator comemora não somente a abertura para acontecer o beijo inédito, como também a oportunidade de exercer a representatividade. “É importante que nossos corpos sejam naturalizados. Estou cansado de colocarem os transgêneros sempre no lugar do sofrimento, da violência. Não! Você pode simplesmente ligar a sua TV e ver um cara desastrado, apaixonado e, olha só, além disso, ele é trans! A gente precisa contar outras histórias”, sentencia em entrevista ao jornal Extra.

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De acordo com Assis, ser chamado para fazer o folhetim de Daniel Ortiz foi uma boa surpresa, sobretudo por ser um papel dinâmico e descontraído, fugindo do estereótipo. Além disso, o artista de 26 anos expôs a importância da equipe ter pensado exatamente em chamar um ator trans para encarar o personagem, evidenciando a empatia e delicadeza.

“Quando me apareceu a novela, fiquei nervoso, receoso se eu ia dar conta. Por Catatau ser um personagem trans e pelo meu histórico de trabalhos do tipo em filmes e séries, a produção de “Salve-se” chegou até mim. Era importante que fosse um ator trans a interpretá-lo para que essa representatividade efetivamente acontecesse. Em um contexto leve, cômico, de uma novela das sete, foi de uma sensibilidade absurda a equipe pensar em chamar um transexual“, opinou o ator à publicação.

Narrativas diferentes

Militante das causas LGBTQIAP+, Bernardo de Assis começou o processo de transição há praticamente cinco anos. Antes disso, mais jovem, conta que se via em meio a um universo sem referências positiva, que proporcionassem um alento em sua trajetória difícil – assim como a de demais pessoas trans, sobretudo no Brasil.

Bernardo diz que seguirá adiante sempre inquieto em relação à causa. “Minha intenção, neste momento é incomodar, fazer com que as pessoas repensem os seus conceitos para que no futuro esse assunto já esteja mais naturalizado. Até hoje, algumas pessoas acham que a existência trans se resume às travestis, não sabem que existem homens trans. Quando se trata da transmasculinidade é ainda mais importante incomodar para que as pessoas se atentem para a nossa importância e a gente conquiste cada vez mais espaço”, salienta.

Em relação à dramaturgia, o ator revela que sentia falta de ver personagens que mostrassem que ele também poderá “chegar lá”. “Na minha infância, se eu tivesse tido visto um personagem trans, talvez a minha história tivesse sido diferente”, narra Bernardo.

O ator enfatiza que isso pode ser mudado com a inclusão de personagens e atores trans nas novelas, assim como é o caso de Catatau. “Pode parecer pouco, só um detalhe, mas não é. Muda tudo. Você olha o Catatau e vê a minha pessoa ali, não tem como falar que não é um homem trans. No Brasil, as primeiras referências que a gente tem vem da TV. O poder das novelas é absurdo!”, acredita.

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