Canal Brasil e Globoplay estreiam documentário de Estêvão Ciavatta

Amazônia Sociedade Anônima terá estreia simultânea na TV e no streaming

Publicado há um mês
Por André Santana
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Nesta sexta (21), o Canal Brasil e o Globoplay estreiam simultaneamente o novo projeto cinematográfico do diretor Estêvão Ciavatta: Amazônia Sociedade Anônima. Produção da Pindorama Filmes, Imazon, Canal Brasil e Coletivo Audiovisual Munduruku, o documentário – que tem como produtor associado o cineasta Walter Salles – faz um importante registro ao longo da BR 163 Cuiabá-Santarém, mostrando os índios Munduruku em sua luta para defender a terra e rios diante de máfias de grileiros de terras.

Amazônia Sociedade Anônima surgiu após a série homônima desenvolvida pelo diretor para o programa Fantástico, da TV Globo, entre 2014 e 2015, que teve um dos episódios dedicado à grilagem e ao comércio ilegal de madeira. Ao longo de cinco anos, a narrativa do documentário foi se desenvolvendo a medida que os acontecimentos históricos se davam.

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A fotografia é um dos destaques de Amazônia Sociedade Anônima, que ora revela a harmonia dos povos indígenas com a floresta, ora surpreende com imagens desconcertantes do desmatamento ilegal.

De 2014 a 2018, o diretor e sua produção acompanharam ações de órgãos oficiais federais no combate ao roubo de terras públicas. Nesse período eles presenciaram as duas maiores ações do Ibama junto ao Ministério Público e a Polícia Federal para combater o roubo de terras públicas no Sudoeste do Pará: as operações Castanheira e Rios Voadores.

Ignorando os limites da lei, essas organizações criminosas começaram a avançar sobre regiões de florestas intocadas, chegando cada vez mais perto das terras dos Munduruku. Com o passar dos anos, a produção notou que as ações do Ibama não estavam sendo suficientes para combater essas máfias de extração ilegal de madeira e roubo de terras.

A proximidade com a comunidade indígena Munduruku surgiu junto com a auto-demarcação, e com as primeiras filmagens que fizeram com o grupo indígena em 2014. Já em 2017, o diretor doou uma câmera, um tripé e um microfone ao Coletivo Audiovisual Munduruku, composto em sua maioria por mulheres, para que elas continuassem registrando seus desafios na defesa de suas terras. Quando a produção recebeu as filmagens e o acervo do coletivo passou a fazer parte do filme, o diretor decidiu colocar a entidade como coprodutora do documentário.

Para Estêvão, uma câmera nas mãos dessas mulheres é a melhor forma de defesa das terras. “Nos dias de hoje o audiovisual é uma forma delas contarem sua própria história e ao empunharem as câmeras nos momentos de monitoramento e vigilância do território, elas se tornam guerreiras tão ou mais importantes que os outros guerreiros. A câmera de filmar se tornou, então, um poderoso instrumento de defesa de suas vidas e da floresta. Tudo o que acontece está sendo registrado. O filme se torna, então, estratégico para que esta realidade seja conhecida e dialogue com o mundo, abrindo novas perspectivas para o futuro da Amazônia”, pondera ele.

Estêvão reforça a relevância desse tema ser discutido através do documentário nos tempos atuais. “Quando falamos a primeira vez sobre o assunto, em 2015, estava claro para mim a importância do tema para o futuro da Amazônia e do Brasil. Ainda em 2017, quando aprofundei o tema com entrevistas para o filme, vi que o assunto das terras públicas desprotegidas ainda estava invisível. Isso me deu mais certeza de que estava no caminho certo. Hoje, apesar da triste realidade, vejo que fiz a escolha certa. Nós temos que conhecer a realidade amazônica e respeitar 14 mil anos de história dos povos indígenas na região”.

Sobre filmar na Amazônia, o diretor destaca as dificuldades enfrentadas. “Qualquer trabalho na Amazônia é um desafio, seja por suas dimensões continentais, seja pelos contratempos de produção. Mas a disposição e a vontade venceram todas as barreiras. Posso dizer que a maior dificuldade foi a convivência com os micuins, carrapatos minúsculos que vivem na floresta”, finaliza Estêvão.

Amazônia Sociedade Anônima fez parte da seleção oficial do Festival do Rio 2019, FIGRA 2020 Festival International du Grand Reportage d’Actualité et du Documentaire de Société (França) e Cine Planeta 2020 (México).

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