Camila Pitanga comenta sobre a complexidade de sua personagem em Aruanas

A atriz revela sobre o trabalho de composição da vilã Olga

Publicado há 5 meses
Por André Santana
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Sem um papel fico na teledramaturgia da Globo desde Velho Chico (2016), trama na qual viveu a heroína Maria Tereza, Camila Pitanga retorna ao vídeo em grande estilo. Em Aruanas, produção que a emissora vem exibindo às terças-feiras, a atriz dá vida a uma vilã das mais interessantes. Afinal, numa série de heroínas tão fortes, engajadas na defesa do meio ambiente e que se expõem a tantos riscos, era necessária uma antagonista à altura.

Em Aruanas, Camila vive Olga, arquirrival das protagonistas e também inimiga do meio ambiente. Ela é uma lobista contratada pelo também vilão Miguel (Luiz Carlos Vasconcelos), para ajudá-lo a pressionar o Congresso a extinguir uma reserva florestal na Amazônia.

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Mas, como todas as personagens de Aruanas, Olga não tem apenas um único lado. Na entrevista abaixo, Camila Pitanga comenta sobre o processo de construção de uma personagem que, apesar do rastro de destruição, também deixa para trás muitas dúvidas e mistérios.

Quem é a Olga?

A Olga é um enigma nesta temporada. A gente conhece pouco do que é pessoal da personagem. Sabemos dela através desse negócio que é feito entre ela e o Miguel. Eu vejo a Olga como uma representante do capital, ao contrário das Aruanas, que são preocupadas com a preservação da natureza, principalmente da Amazônia. A Olga está preocupada em ganhar mais um jogo. Ela é uma mulher rica, já tem grana. Não é por sobrevivência que ela faz o que faz.

Como foi a preparação para viver Olga?

Essa androginia, essa coisa mais escorregadia e dúbia, tem muito a ver com esse texto da série. A Olga tem uma solidão, mas também tem um amor, uma outra atmosfera. Eu fui tentando elaborar essas facetas para uma personagem que é quase uma esfinge nessa primeira temporada. Eu não me baseei em nenhum personagem prévio. Mas eu tenho muitos personagens em mim, vilãs e heroínas como referência.

Como é a relação de Olga com as Aruanas?

As mulheres da Aruana são pedras no sapato da Olga… Vai-se criando uma rivalidade, principalmente com a Verônica. Como se fosse um espelho ao contrário, porque a Verônica também é advogada e representa em termos de valores o oposto da Olga. Elas vão se tornando arquirrivais, porque em nome de cuidar dos remanescentes indígenas e dos rios que estão sendo contaminados pelo garimpo, trava-se uma disputa que parte para o pessoal.

E com o vilão Miguel? O que eles representam na sociedade?

Eles se enxergam como iguais, se interessam como iguais, mas ele é o chefe. Ela não mede esforços para valer o seu apetite por poder. Miguel e Olga cuidam de seu feudo e dos seus interesses, são individualistas. Eles não consideram nada a sua frente, são míopes da sua própria condição de humanidade. Estamos falando de uma luta que de um lado não há ética. Acho que é muito importante a gente compreender que quem sofre dessa miopia não dá valor ao patrimônio de humanidade que a Amazônia representa. É a miopia que mata, que aniquila e que se mata. São personagens que não se veem dentro da condição humana.

Você acha que a vilã Olga pode ser um alerta em defesa ao meio ambiente?

Anterior à minha alegria de ter o personagem, tinha a missão e a compreensão de que era uma possibilidade de poder acordar pessoas para o que é o ativismo no Brasil. Uma série que foi escrita por ativistas, que teve acompanhamento próximo, íntimo, de pessoas do Greenpeace…Era necessário contar essa história. Ficou mais agudo o quanto essa ferida aberta do nosso país precisa ser cuidada. Isso tem a ver com defender o ativismo no nosso país e, para defender, as pessoas precisam conhecer quem são estes heróis anônimos que lutam pela terra, pela vida.

Escrito por Estela Renner e Marcos Nisti, o thriller ambiental vai ao ar todas às terças-feiras, logo após a novela Fina Estampa. A série – uma produção original da Globo exclusiva para o Globoplay, em coprodução com a Maria Farinha Filmes – conta com direção artística de Carlos Manga Jr, direção geral de Estela Renner, parceria técnica do Greenpeace e Pedro de Barros colabora com o roteiro.

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