Caifás na novela Jesus, ator Eucir de Souza relembra trajetória na TV e afirma: “Com ele estou aprendendo o que não fazer na vida”

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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O ator Eucir de Souza, intérprete de Caifás na novela Jesus, da Record TV, tem muito o que comemorar. Ele está completando 20 anos de carreira com uma somatória de mais de 100 personagens no currículo, entre trabalhos no teatro, cinema e televisão. Em entrevista ao Observatório da Televisão, o ator contou sobre a sua trajetória na TV, teatro e fatos marcantes da sua história na arte da atuação. Confira:

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Quando você para para pensar sobre todos esses anos dedicados à atuação, o que vem na sua memória? O que te marcou mais?

São muitos personagens, 20 anos de trabalho profissional, mas, se eu pensar em teatro amador, são 30 anos. Eu faço teatro desde os 6 anos, hoje estou com 48, então são 42 anos de interpretação. O que me vem em mente é a gratidão.

“Com o trabalho de ator a gente acessa muitos mundos. Acessamos coisas que nem existem”

É mim é um privilégio muito grande. Acho que o ator -na atualidade- perdeu um pouco esse lugar de ser um sacerdote, eu continuo ainda com essa crença, a gente acessa muitos mundos, acessa coisas que nem existem, a gente acessa muitos pontos de vista, podemos ser muitas pessoas.

Eu tenho uma amiga que quando me encontra ela tenta adivinhar qual personagem eu estou fazendo pela energia que eu chego. E ela fala que eu estou economizando muitas encarnações. Eu não tenho nenhuma fé nesse sentido, mas eu acredito que sim, estou ganhando tempo com essa brincadeira.

Ator Eucir de Souza (Divulgação)

Você é mineiro de Guaxupé. Lá você já fazia teatro amador?

Sim, eu sou de Guaxupé, lá eu comecei fazendo teatro amador. Eu tive uma coisa na adolescência, eu adorava teatro e todas as representações, coisas de igreja,  quando tinha coroação da Nossa Senhora, se tivesse algum pastorzinho pra fazer eu sempre queria.

E sempre quando tinha peça na escola eu sempre levantava a mão para fazer, mas, quando chegou na adolescência eu tive algo de timidez, eu travei mesmo, ficava muito tenso e ai foi a primeira vez que o teatro me salvou e segue salvando até hoje.

“Hoje eu consigo entrar e sair de um personagem com mais rapidez, sem tanto ônus”

Você é ator de personagens com uma carga dramática muito grande, como em O Príncipe Encantado. O que esses personagens consomem da sua vida?

Olha, já consumiram muito mais. Hoje eu consigo entrar e sair de um personagem com mais rapidez sem tanto ônus. Mas, na hora eu acredito completamente, eu consigo esquecer tudo e viver àquilo está acontecendo como se fosse verdade.

O que sobra no final é sempre um privilégio. Às vezes tem um cansaço físico,como em O Príncipe Encantado, mas psicologicamente, espiritualmente, essas coisas não me afetam, ao contrário, às vezes eu fico até feliz de voltar para minha vida e ver que está tudo certinho ali.

Cena do filme O Príncipe Encantado com Eucir de Souza

Em Os Experientes você trabalhou com Beatriz Segall, atriz que nos deixou recentemente. Conte-nos como é trabalhar ao lado de grandes medalhões da teledramaturgia brasileira?

Realmente, ela foi uma grande atriz, ela era genial, neste episódio, trabalhar com ela foi muito gostoso, para quem a conhecia da época de adolescente com a Odete de Vale Tudo, nossa, é maravilhoso.

“Tenho a sensação de que trilhei o caminho certo”

Em Os Experientes, no meu episódio, eu estava com a Selma Egrei e Joana Fomm, Lima Duarte, são tantos nomes. Teve uma gravação que era o velório do meu pai na série, e tinham de uns 15 ou 20 figuras dessas, monstros sagrados, atores maravilhosos. Eu fico feliz demais, parece que dá uma sensação de que o caminho está certo. poxa, se eu estou ali com a Beatriz Segall, é porque alguma coisa deu certo.

Dá orgulho, alegria, eu sempre me esforço para entregar o melhor possível. Como agora, eu estou trabalhando com Paulo Figueiredo, que é um dos maiores atores que eu conheço. Estar junto com essas pessoas é formidável.

Como você tem visto a industria da teledramaturgia no Brasil? Você acha que este mercado está menos competitivo, mais aberto para os produtores, autores, atores de teatro ?

Eu acho que com essa chegada das séries e do crescimento do cinema melhorou sim. Quando eu comecei a ser ator profissional, a gente fazia dois filmes por ano. Hoje a gente faz muito mais. Melhorou muito, a gente não tem mais somente as novelas, podemos trabalhar em outros produtos também. O espaço ainda é pequeno, mas melhorou.

Eucir de Souza interpreta Caifás na novela Jesus (Divulgação)

Sobre Jesus, você interprete do Caifás, que é um vilão machista, autoritário, um cara do mau. Tem como defender um personagem desses?

Tem sim como defender. Todo mundo tem o seu ponto de vista. No caso dele eu estou aprendendo o que não fazer. Mas, fazendo ali, eu acho que estou certo e que eu tenho a razão.

“Tem sim como defender o Caifás”

Acho que ninguém acorda de manhã e vai lá, se olha no espelho e diz: ‘Eu sou mau e vou destruir tudo’. Ele acha que está se defendendo e lutando por um direito que ele tem. Ele acha que está fazendo o melhor pelo outro. É sempre este tipo de pensamento. Acho que ninguém pensa assim: ‘Sou mau’

O Caifás é seu personagem na TV que mais te marcou?

Eu fiz uma participação em O Outro Lado Paraíso que me deu muita visibilidade, fiz o FDP (HBO), o Força Tarefa. O Caifás é um bom momento para mim, mas também já se foram outros bons momentos.

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