Bruno Mazzeo faz balanço de Diário de um Confinado: “Repercussão incrível”

Globo exibe o último episódio da série neste sábado (25)

Publicado há 2 meses
Por André Santana
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Neste sábado (25), depois de Fina Estampa, a Globo exibe as três últimas crônicas da primeira temporada de Diário de um Confinado. A série de Bruno Mazzeo apresentou uma visão bem-humorada deste período de isolamento social imposto pela pandemia.

Murilo (Bruno Mazzeo) passou por todas as etapas do isolamento social: sentiu angústia, alegria, aprimorou os dotes culinários, tentou aprender uma nova língua, se apegou a um aspirador robô, se viu encucadíssimo com a saúde, participou de inúmeras conversas por aplicativo de vídeo.

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Em entrevista, Bruno Mazzeo faz um balanço do projeto, realizado literalmente em casa e em família, e que só lhe trouxe sentimentos positivos.

Criar esse projeto foi uma entrega total sua e da Joana. Vocês abriram a casa para o Murilo, né? Qual balanço você faz, agora que o furacão da criação, produção, filmagem e edição passou, de todo esse período? Faria tudo de novo?

Faria, sim. Quando terminamos, a primeira sensação que veio foi de vazio. E isso acontece em todo trabalho quando acaba, porque a gente sempre fica muito envolvido. Nesse, especialmente, foi 100% de envolvimento, não tinha a volta para casa. E também, como sempre acontece, na sequência vem aquela sensação de dever cumprido.

Depois da filmagem, continuamos trabalhando na série, na edição, na finalização, no lançamento, mas em um outro ritmo. O trabalho não acaba quando a gente termina de filmar. Para mim, o grande objetivo desse projeto era fazer. E valeu muito a pena ter feito! Antes de começarmos a gravar, eu ainda questionava se devia ou não fazer, sobretudo quando ainda estava no início dos textos. Hoje, depois de tudo, só agradeço por não ter desistido – muito graças à Joana, que me motivava nesses momentos, não deixava minha peteca cair.

Foi muito importante, não teve nada negativo. Tudo foi bom: ter feito, ter feito rápido e nesse momento, ter feito com a qualidade que ficou na tela, ter feito com a Joana. Foi bom para mim, pessoalmente, como artista, para o meu sentimento de artista nesse momento. Conseguir ter feito aqui de casa, alcançando tantas pessoas. Foi muito bom para o casamento também, para a minha parceria com a Joana. Só teve coisas boas.

O público se identificou muito com os personagens do Diário. Murilo, a vizinha, a terapeuta, a mãe geraram muita repercussão e até memes nas redes. Como foram os comentários que chegaram até você?

Pra completar todas as coisas positivas que comentei, ainda teve isso: a repercussão incrível. O que mais me deixou feliz foi que as pessoas, pelo menos as que vieram falar comigo (não estou saindo, então não estou sentindo a repercussão das pessoas nas ruas) pelas redes e pessoas próximas, até colegas não tão próximos, é que todos entenderam a situação, valorizaram o fato de termos feito nesse momento, de termos feito em casa, de termos feito como fizemos.

As pessoas assistiram sabendo que fizemos na raça. E uma sensação muito boa foi a da identificação do público. Isso significa que fizemos as opções certas, sobretudo em termos de comédia, da maneira de comunicar. Recebi muita mensagem de gente agradecendo por fazermos nesse momento. Mensagens até emocionantes, como a de uma moça dizendo que a mãe estava com Covid e o programa foi a primeira coisa que a fez sorrir.

O programa acabou cumprindo várias funções: como artista, de sentir que a gente está comunicando e vai continuar, independente do momento que a gente viva; de mostrar que dá para fazer uma dramaturgia mais simples; e que a gente pode se reinventar. Senti um carinho muito grande das pessoas que viram, uma repercussão também em termos de volume que eu não esperava. E o núcleo em volta do Murilo era algo fundamental também e que funcionou muito, os personagens foram muito comentados.

O último episódio da série é cheio de poesia, traz uma mensagem de esperança em meio às angústias. Como você acha que vai ser de agora em diante? Não só artisticamente, mas também nas relações, nos hábitos, até nas prioridades de vida… Fala-se muito que não vai dar para sair dessa quarentena igual. Você acredita nisso também?

O ideal era que ninguém saísse igual mesmo. Uma crise desse porte não pode passar como se nada fosse. Não dá para enfrentar um tsunami como se fosse uma marola. Acho que quem estiver ligado vai sair diferente, vai tentar tirar de uma tragédia como essa, pela qual a gente espera nunca mais passar, uma lição para levar adiante. Não pode ser à toa.

Acho que é uma grande oportunidade de parar e olhar como estávamos vivendo e repensar como levaremos daqui em diante. Eu tive oportunidade de olhar para a minha vida de um outro lugar. Me coloco nessa porque hoje digo coisas que quero levar para a minha vida, mas que também não sei se vou conseguir. A vida é uma correria muito insana e a gente, nessa busca louca por sobreviver e viver, com todos os compromissos, acaba se atropelando.

Antes do início do Diário, ainda no começo da quarentena, por algum momento, minha vida entrou num pause, meus trabalhos foram interrompidos, me fechei só com minha família, nunca havíamos tido tanto tempo juntos, era algo impossível na vida normal. E aí começamos a dar valor a coisas simples, que a gente só dá conta quando perde ou sente falta.

Eu, por exemplo, estou sentindo muita falta dos meus amigos. De encontrá-los, falar da vida, rir, se abraçar. Às vezes, no dia a dia, a gente deixa de encontrar o amigo porque está cansado ou porque tem hora para acordar. Mas agora eu penso “tudo o que eu mais queria era um chopinho na esquina com os amigos”. As pequenas coisas, coisas simples, estão ganhando importância, deixando de estar no banal, como pegar um sol, deitar na areia sem fazer nada, dar um mergulho.

Diário de um Confinado é uma criação de Joana Jabace e Bruno Mazzeo. A obra é escrita por Bruno Mazzeo, com Rosana Ferrão, Leonardo Lanna e Veronica Debom, e tem direção artística de Joana Jabace.

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