Boris Casoy relata histórias na política e fala sobre Lula “Uma grande inteligência. Foi uma presença positiva na política brasileira”

Publicado há 3 anos
Por Cadu Safner
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Muita gente não sabe, mas um dos maiores nomes da história do jornalismo televisivo e, talvez, um dos âncoras mais importantes da história, Boris Casoy, já foi secretário de imprensa de deputados e até de prefeito de São Paulo. O fato se deu após o jornalista deixar a Rádio Eldorado onde ficou por oito anos. Em entrevista ao Observatório da Televisão, Casoy contou que assumiu o cargo e trabalhou para o então secretário da agricultura, Herbert Lessy e depois com Antônio José Rodrigues Filho, pai de um dos ministros agricultura mais recentes, Roberto Rodrigues, “Depois Rodrigues Filho foi pra ser vice governador e eu fui convidado para ser secretário de imprensa do ministro da agricultura Luiz Fernando Severino e depois trabalhei como secretário de imprensa do José Carlos de Figueiredo Ferraz, quando ele foi prefeito de São Paulo”, explicou Boris, que vai completar um ano e meio a frente do Rede TV News.

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Foi nesta época que Boris Casoy estabeleceu muitos contatos importantes, dentre eles, Otávio Frias de Oliveira, pai de Otávio Filho, que hoje é o editor da Folha. “Eu tive uma passagem também pela Alcântara Machado e promovi publicidade. Mas na Folha acabei desenvolvendo muita coisa. Fui editor de política, editor da Folha. Mas me encontrei mesmo em uma sessão de bastidores, que era a sessão mais lida da época, em seguida fui duas vezes editor chefe”, disse o jornalista que também foi convidado para trabalhar no Estadão.

Mas foi em um grande debate que Boris mediou na Rede Globo em 1985, que despertou o interesse do SBT. O jornalista relembra com entusiasmo um dos episódios mais marcantes de sua carreira, “Foi quando eu perguntei pra Fernando Henrique Cardoso se ele acreditava em Deus”. Dizem as más línguas -ou não- que FHC não conseguiu se eleger para prefeito de São Paulo por conta desta pergunta de Boris Casoy. “Tem uma história. Eu brinquei com ele uma vez quando o papa estava pra visitar o Brasil: ‘Fernando, você tem que pegar o papa e levar até o estúdio do SBT na Vila Guilherme de joelhos”, explicou a brincadeira com o ex-presidente do brasil. “Porque ao fazer esta pergunta, dizem que ele perdeu a eleição por causa disso. Fernando diz que não, mas ficou essa impressão de que ele perdeu por causa da pergunta. Então eu fui a pedra colocada por Deus em seu caminho para tirá-lo da prefeitura e desviar para a presidência da república”. Se FHC tivesse sido prefeito dificilmente ele teria sido presidente. Boris Casoy esclareceu que sua amizade com Fernando Henrique nunca ficou abalada por conta deste episódio e até hoje a história é recordada pelos dois, “Agora eu fiquei culpado dos dois lados. Os inimigos do FHC falam que fui eu o culpado por ele ter sido presidente e os amigos dele acham que eu prejudiquei a eleição dele na prefeitura”, disse Boris, que ri ao relembrar.

Boris Casoy na bancada do TJBrasil no SBT (Divulgação)

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“Minha relação come ele é muito boa, nunca deixou de ser boa. FHC é uma das figuras da política brasileira que pode ser chamado de estadista. Ele tem um conhecimento de brasil e do mundo incrível. Uma conduta, é uma pessoa de extrema generosidade e extrema capacidade de fazer amigos. Eu procuro não ter admiração por políticos, mas, se há algum político que tenho alguma admiração, um deles é Fernando Henrique. Ele tem uma visão internacional e é uma figura da política brasileira que ainda a história vai brindar com uma avaliação muito mais preciosa do que é feita hoje”, explicou. Perguntado sobre quem ele considera referências na política brasileira, Boris é bem claro, “Ele (FHC) é uma das minhas referências como político, ele também tem as falhas dele, ele é político, é obrigado a ceder. Estou falando em termos comparativos de brasil, eu olho pra presidentes da ditadura, o Ernesto Geisel com quem eu conversei muito também tem esta estatura, também é estadista. Até o Lula respeita o Geisel, até porque Geisel tem esta coisa do nacionalismo que coincide com ideias do PT. Ele tinha um nome muito diferente do FHC, não tinha essa vocação democrática, mas também era uma figura de um grande nível dentre aqueles que eu convivi”.

Boris Casoy na apresentação do RedeTV News (Divulgação)

E continua: “Eu cito esses mas tem outras figuras que eu sempre admirei e não quero fazer injustiça. Mas eu diria que, Olavo Setubal era uma grande inteligência”. Olavo Setúbal foi ex-prefeito de São Paulo, ele morreu em Agosto de 2008 após sofrer um mal súbito. “Roberto Campos, é outra inteligência fora do comum, Delfin Neto e o próprio Lula. O Lula, na minha opinião não é um estadistas, mas a experiência de vida deu pra ele uma visão de mundo muito interessante, ele sabe absorver. Lula tem uma visão de país. Lamentavelmente se afundou na corrupção. O projeto dele se acomodou na velha política brasileira, era um projeto do qual eu tinha várias discordâncias, mas era uma ideia um projeto obrigava a área mais conservadora do país a adiantar alguns passos, a ceder. Lula era uma presença positiva no cenário político brasileiro. Ainda é um candidato potencialmente forte, se nada acontecer, mas ele decepcionou porque quem o conhece, quem vê os processos aconteceram, são capítulos lamentáveis”, disse Boris Casoy.

(Esta entrevista aconteceu semanas antes da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

Entrevista completa com Boris Casoy

  • 18:56 min (Trecho desta matéria)

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