Autores de Passaporte para Liberdade falam de Aracy de Carvalho: “Mulher comum que decidiu agir”

Mario Teixeira reconstruiu a trama em inglês em parceria com a britânica Rachel Anthony

Publicado em 14/12/2021 10:18
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A partir do dia 20 de dezembro, a Globo exibe a estreia mundial de Passaporte para Liberdade, minissérie estrelada por Sophie Charlotte e Rodrigo Lombardi. A superprodução, baseada em uma história real, mergulha na saga emocionante de Aracy de Carvalho (Sophie Charlotte).

Aracy era funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, que, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou a salvar judeus do Holocausto.

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Autor da obra, que a princípio seria gravada em português, Mario Teixeira contou com a parceria da escritora britânica Rachel Anthony para reconstruir a trama em inglês. A produção, com oito capítulos, será exibida de segunda a quinta, em versão dublada na Globo.

Na entrevista abaixo, os dois revelam detalhes sobre a minissérie.

Entrevista com o autor Mario Teixeira

Como você define Passaporte para Liberdade e como surgiu a ideia de escrever a minissérie?

A ideia partiu do diretor Jayme Monjardim. Ele queria contar a história dessa mulher que poucos brasileiros conhecem. Escrever sobre a Aracy de Carvalho era instigante do ponto de vista da criação. Mais do que um resgate histórico de sua memória, ela seria apresentada a nós brasileiros e ao mundo como realmente foi: uma mulher comum que ousou desafiar as maiores instâncias de poder de sua época.

Tal atitude humanitária é hoje de fácil compreensão, mas temos que notar que, à época, ela era uma simples burocrata que se insurgiu contra dois governos, o brasileiro e o alemão, para fazer o que hoje sabemos que é certo. Mas, naquele momento, com risco da própria vida, ela não tinha essa perspectiva histórica.

Para você, qual a importância de contar a trajetória de Aracy para os brasileiros e para o mundo?

Contar a história de Aracy é recuperar o legado de fé e esperança que ela deixou. Temos que nos orgulhar dessa brasileira tão discreta, que falou tão pouco de si mesma, jamais fez alarde de seus atos. Era uma mulher comum que decidiu agir. Aí é que está sua grandeza. Mesmo sendo tão vulnerável, ela mudou o destino de muitas pessoas.

Como foi para você a construção da narrativa em outra época?

O mais complexo, quando se trata de uma história de época, é encarnar um personagem de outro tempo, com outros valores, sob outra perspectiva histórica. Aracy não viveu apenas num mundo conflagrado, mas numa sociedade vigiada, onde os direitos civis foram abolidos. Diante disso, como se portaram as pessoas comuns em meio à barbárie nazista?

Parti de relatos da época, de diários como os de Victor Klemperer, para estabelecer essa relação. Tive acesso a cartas de pessoas comuns a Hitler, por exemplo. São mensagens, de revolta e apoio, para o ditador, um retrato multifacetado de uma época singular, de uma nacionalidade que perpetrou o maior massacre da história da humanidade. Como Aracy se sentiu em meio a isso? Só podemos especular e imaginar.

Como foi o trabalho com Jayme Monjardim e a equipe de produção?

A equipe de produção foi heroica. As gravações foram interrompidas e retomadas por conta da pandemia. Eu nunca vi tanta garra e tanta determinação. A equipe, capitaneada pelo Jayme, incorporou o espírito de Aracy. Acompanhamos, Rachel e eu, o início das gravações. Tenho muito orgulho desse time e da estrutura de produção da Globo, que nos possibilitou segurança e apoio incondicional para a realização desse trabalho. Jamais vou esquecer.

Entrevista com a autora Rachel Anthony

Como você conheceu a história de Aracy?

Eu assisti a um documentário sobre Aracy, li a sua biografia e as cartas que ela enviava para a mãe. Quando soube do seu trabalho secreto para salvar a vida de judeus do Holocausto, fiquei fascinada por ela. Ela foi uma mulher extremamente corajosa, um exemplo à frente do seu tempo. As pessoas que a conheciam a descrevem como uma mulher destemida. E o fato de que ela fez esse trabalho na Alemanha, lugar que tinha pouca resistência ao nazismo, deixa tudo ainda mais extraordinário.

Como surgiu a colaboração com o Mario Teixeira?

Fui convidada pela Sony para trabalhar com o Mario em uma série que seria lançada no mercado internacional. E foi realmente maravilhoso colaborar com ele, uma pessoa muito generosa e aberta para experimentar novos métodos de trabalho. Nós passamos três semanas em São Paulo construindo a história juntos e, ao final, já estávamos muito amigos. Nos divertimos muito construindo as trajetórias dos personagens, mapeando suas jornadas e encontrando os caminhos mais interessantes e surpreendentes.

Na sua opinião, qual é a mensagem-chave da trama?

Acho que o mais marcante da história de Aracy é como ela conseguia enxergar, com tanta clareza, o que era a coisa certa a se fazer – e tomar a iniciativa de fazê-la, enquanto todos ao seu redor estavam persuadidos ou apavorados com o governo nazista. Quando olhamos para trás nos dias de hoje, vemos com clareza que os planos de Hitler eram maléficos e precisavam ser detidos, mas pouquíssimas pessoas na Alemanha estariam dispostas a correr o mesmo risco que Aracy. É uma mensagem muito importante e que continua extremamente relevante nos dias de hoje.

Leia também: Minissérie da Globo: quem foi Aracy de Carvalho, a brasileira que enfrentou o nazismo

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