Assim como Othon Bastos em Éramos Seis, outros atores que participaram de duas versões da mesma história

Publicado há um ano
Por Fábio Costa
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Éramos Seis estreia nesta segunda-feira, 30 de setembro, em substituição a Órfãos da Terra no horário das 18h da Globo. Nela, o ator Othon Bastos interpreta o Padre Venâncio. Na versão anterior da novela, produzida em 1994 no SBT, ele viveu Júlio, casado com Lola (Irene Ravache). Vamos recordar alguns casos de atores que participaram de duas versões da mesma história.

Lolita Rodrigues: em novelas diárias, a primeira dos que participaram de duas versões da mesma história

A primeira novela diária da televisão brasileira foi 2-5499 Ocupado, na TV Excelsior, em 1963. O original argentino 0597 Da Ocupado, de Alberto Migré, foi adaptado aqui por Dulce Santucci. Lolita Rodrigues interpretou Vera, a presidiária que Emily (Glória Menezes) tinha como amiga, embora fosse o contrário. Em 1999 a Record exibiu Louca Paixão, novela de Yves Dumont que partiu do mesmo original de Migré. Lolita Rodrigues aqui voltou no papel de Helena, a mãe alcoólatra de Letícia (Karina Barum). Seja como for, Letícia equivalia à Emily do original. Por outro lado, o original foi modernizado e “enriquecido” por Yves, o que resultou numa obra nova.

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Ana Rosa: protagonista duas vezes entre os atores que participaram de duas versões

Ana Rosa (Divulgação)

Primeira novela das 20h da TV Tupi, em 1964, Alma Cigana marcou a estreia de Ana Rosa no gênero. Ela vivia a Irmã Estela, mas se transmutava em cigana Esmeralda à noite, deixando a dúvida sobre serem duas pessoas ou uma, de dupla personalidade. Em 1971, a emissora reaproveitou o original do cubano Manuel Muñoz Ricco, agora sob o título A Selvagem. A mesma Ana Rosa retomou o papel principal, a saber. Com efeito, o remake foi uma tentativa de mostrar que a Tupi havia sido pioneira na abordagem do tema, num momento em que Glória Menezes passava por situação parecida em Irmãos Coragem, de Janete Clair, na Globo. Sua personagem Maria de Lara tinha dupla personalidade, atendendo às vezes por Diana. No decorrer da história surgiu uma terceira, Márcia, que mesclava as outras duas.

Henrique Martins

Henrique Martins como Dom Ricardo em O Direito de Nascer (Reprodução/TV Tupi/BCC)

Original cubano de Félix Caignet, O Direito de Nascer já havia feito grande sucesso na Rádio Nacional quando chegou à televisão, através da Tupi, no final de 1964. Henrique Martins viveu na ocasião o personagem Dom Alfredo Martins, pai do médico Alberto Limonta (Amilton Fernandes). É Alfredo o causador da desgraça que se abate sobre Maria Helena (Nathalia Timberg), ao se recusar a casar-se com ela quando descobre que ela espera um filho – justamente Alberto. A Tupi produziu outra versão da história em 1978, e nela Henrique Martins voltou como Dom Ricardo de Monteverde. Antes pai, ele passou a tio de Alberto (Carlos Augusto Strazzer). Ele era casado com a irmã de Maria Helena, Dora (Lolita Rodrigues).

Irmãos Coragem: uma novela campeã no quesito “atores que participaram de duas versões”

Emiliano Queiroz como Juca Cipó

Na versão original de Irmãos Coragem (1970/71), Emiliano Queiroz deu vida ao desequilibrado Juca Cipó. Capanga e filho bastardo do Coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho), ele fazia todo tipo de sujeira para o “padrinho”. O remake da história, produzido em 1995, trouxe Emiliano no papel do Dr. Maciel, médico da cidade de Coroado. Alcoólatra, ele era o pai da ingênua Ritinha (Gabriela Duarte), apaixonada pelo astro do futebol Duda (Marcos Winter).

Cláudio Marzo também figura entre os atores que participaram de duas versões da mesma história devido a Irmãos Coragem. Em 1970 ele foi Duda, ídolo do Flamengo. Posteriormente, no remake de 1995, o ator viveu o grande vilão Pedro Barros. Ademais, vale lembrar que era um desejo manifesto de Tarcísio Meira interpretar o coronel numa segunda versão da novela. No entanto, como o ator estava no ar na época no papel de Raul em Pátria Minha, isso não foi possível. Só para ilustrar, nenhum demérito na criação de Marzo para Barros.

Suzana Faini: entre os atores que participaram de duas versões da mesma história, uma “bicampeã”

Também de Irmãos Coragem tiramos mais um caso: Suzana Faini. Em 1970 ela viveu Cema, mulher do garimpeiro Braz Canoeiro (Milton Gonçalves). O casal era muito amigo da família Coragem, especialmente de João (Tarcísio Meira). Na segunda versão a atriz reapareceu como Dalva. Tia de Maria de Lara (Letícia Sabatella), ela foi a verdadeira mãe da moça. A irmã Estela (Eliane Giardini) e o cunhado Pedro (Cláudio Marzo) não se empenharam da mesma forma em sua educação. Menos ainda na tarefa de dar carinho a Lara.

Todavia, Suzana Faini tem outro caso de presença em mais de uma versão da mesma história. Em Selva de Pedra (1972/73), de Janete Clair, seu papel foi o de Olga, secretária do estaleiro Celmu. Ela era apaixonada por Caio (Carlos Eduardo Dolabella), filho do armador Aristides (Gilberto Martinho). No remake de 1986 Suzana viveu a Dra. Ana, advogada de Cristiano (Tony Ramos). É ela que o defende da acusação pela morte de Gastão (Marcelo Ibrahim) na novela que atualmente está em reprise no Canal Viva.

Cláudio Corrêa e Castro

Um dos campeões em número de atuações (e também em talento, sem dúvida) na nossa teledramaturgia, Cláudio Corrêa e Castro também figura entre os atores que fizeram mais de uma versão da mesma história. Inclusive, no caso dele, interpretando o mesmo personagem. Ele foi o Napoleão de Nossa Filha Gabriela (1971/72), novela de Ivani Ribeiro exibida pela Tupi. Adepto da vida saudável, ele obrigava os primos Candinho (Yvan Mesquita) e Romeu (Abrahão Farc) a acordar cedo e fazer ginástica, por exemplo. A Globo reaproveitou a trama em 1986 com o nome de Hipertensão. Nela, Cláudio viveu o mesmo personagem de antes.

Carlos Zara

O mocinho Marcos, dividido entre as gêmeas Ruth e Raquel (Eva Wilma), foi interpretado por Carlos Zara na versão original de Mulheres de Areia (1973/74), da Tupi. A novela de Ivani Ribeiro foi refeita pela Globo em 1993, agora com Zara na pele de Zé Pedro, comerciante da cidade de Pontal D’Areia e pai da estouvada Tônia (Andréa Beltrão). A saber, ambos eram originalmente personagens de O Espantalho (1977), outra novela que Ivani incorporou à estrutura de Mulheres de Areia. Duas décadas separaram as duas versões e, nesse ínterim, a narrativa de teledramaturgia pedia outro tratamento, daí a junção.

Leonardo Villar

Jorge Andrade transpôs para a televisão em 1973, na Globo, seu universo do teatro com a novela Os Ossos do Barão. Nela, Leonardo Villar interpretou Miguel, filho mais velho do já senil Antenor (Paulo Gracindo), apegado a valores e bens de um passado já distante. O SBT resgatou a obra de Jorge Andrade em 1997, com adaptação de Walter George Durst. Leonardo Villar foi aqui escalado para o papel de Antenor.

Ary Fontoura

Ary Fontoura participou das duas versões de Gabriela, Cravo e Canela, romance de Jorge Amado, produzidas pela Globo. Na Gabriela de 1975, escrita por Walter George Durst, ele foi o Doutor, intelectual de Ilhéus e responsável pelo jornal local. Já na versão escrita em 2012 por Walcyr Carrasco ele deu vida ao Coronel Coriolano Ribeiro, que mantinha casa montada para a amante Glória (Suzana Pires).

Francisco Cuoco

Lucinha (Betty Faria) e Carlão (Francisco Cuoco) em Pecado Capital (divulgação)

Outro ator que marcou presença em duas versões da mesma história, mais de uma vez até, foi Francisco Cuoco. Dois dos trabalhos mais marcantes do ator foram escritos por Janete Clair na segunda metade dos anos 1970: o taxista Carlão de Pecado Capital (1975/76) e o “guru” Herculano de O Astro (1977/78). As duas novelas foram refeitas pela Globo anos depois. Na versão de 1998/99 de Pecado Capital, Cuoco foi o empresário viúvo Salviano Lisboa, que se envolve com a operária Lucinha (Carolina Ferraz), que se torna modelo de sucesso. Glória Perez adaptou a história. Já em 2011 foi a vez de O Astro, na qual Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro criaram especialmente para Cuoco um novo personagem, para homenageá-lo: o “astro” original voltava como Ferragus, mentor do novo Herculano (Rodrigo Lombardi).

José Lewgoy

Em Anjo Mau (1976), de Cassiano Gabus Mendes, José Lewgoy interpretou Augusto, motorista da rica família Medeiros. Maria Adelaide Amaral adaptou a novela em 1997/98, e Lewgoy fez uma participação especial e importante como Eduardo Medeiros, o patriarca do clã.

Rubens de Falco e Norma Blum

Rubens de Falco e Lucélia Santos em Escrava Isaura, de 1976 (Reprodução/TV Globo)

Embora tenha feito muitos trabalhos de sucesso, inclusive internacional, Rubens de Falco se tornou mais conhecido mesmo pelo Leôncio de Escrava Isaura (1976/77). A adaptação de Gilberto Braga do romance de Bernardo Guimarães para a Globo correu o mundo e chegou a cerca de 100 países. A Record investiu novamente na história da escrava branca em 2004, agora adaptada por Tiago Santiago e com o artigo feminino “a” na frente do título, para diferenciar minimamente do título global. O romance, aliás, é A Escrava Isaura. O diretor Herval Rossano, responsável pelas duas versões da novela, escalou Rubens para a nova novela. Antes Leôncio, ele agora seria o pai do antigo personagem, Comendador Almeida. Só para ilustrar, a atriz Norma Blum também participou das duas versões e em ambas formando par com Rubens. Ela foi Malvina, mulher de Leôncio; posteriormente, viveu Gertrudes, mulher do Comendador.

Cleyde Yaconis e Imara Reis: um caso curioso entre os atores que participaram de duas versões da mesma novela

Cleyde Yaconis e Imara Reis interpretaram Guilhermina e Norma, mãe e filha em Ninho da Serpente (1982), novela de Jorge Andrade para a Bandeirantes. Diversos elementos da trama de Ninho da Serpente foram fundidos com outros de Os Ossos do Barão (1973/74) na novela do SBT de 1997 que levou o nome da segunda. Cleyde foi Melica, mulher de Antenor (Leonardo Villar), enquanto Imara foi Guilhermina. Curioso notar que as atrizes participaram de duas versões da mesma história, intituladas de forma diferente.

Bia Seidl

Bia Seidl estreou em novelas como a caipirinha Edite em Paraíso (1982/83), de Benedito Ruy Barbosa. Ela se deixou levar pelo aviador Marcos (Cláudio Corazza), que acabou morrendo num acidente, deixando-a grávida. A história foi refeita pela Globo em 2009, e Bia voltou como Aurora, primeira-dama da cidade, mulher do prefeito Norberto (Leopoldo Pacheco).

José Augusto Branco

As duas versões que o romance Sinhá-Moça ganhou para a televisão tiveram José Augusto Branco no elenco. A obra de Maria Dezonne Pacheco Fernandes foi adaptada por Benedito Ruy Barbosa em 1986. Na ocasião, o ator viveu Manoel Teixeira, comerciante de Araruna e pai da jovem Ana (Patrícia Pillar), conhecida como “Ana do Véu” em virtude de cobrir o rosto o tempo todo com uma peça assim. No remake de 2006, José Augusto Branco esteve presente no papel do médico Dr. João Amorim.

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