As novelas de Alcides Nogueira, autor de Tempo de Amar

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Nesta segunda-feira, 19 de março, a novela Tempo de Amar chega ao fim de sua trajetória de sucesso no horário das 18h da Rede Globo, com boa média de audiência (acima dos 20 pontos, meta da faixa) e saudada pela qualidade, embora tenha sido um pouco criticada no início em razão do que foi considerado “excesso de sofrimento” dos personagens principais nos primeiros capítulos da história. Seu autor, o experiente e competente Alcides Nogueira, já escreveu diversas novelas e minisséries, seja como autor titular, coautor ou colaborador, desde sua estreia na teledramaturgia em 1984. Vamos relembrar as outras novelas assinadas por Alcides como autor titular.

1 – De Quina pra Lua (1985/86)
Para substituir o sucesso de A Gata Comeu (1985) de Ivani Ribeiro, a Rede Globo decidiu produzir esta novela com argumento inicial de Benedito Ruy Barbosa e designou Alcides para desenvolvê-lo. Tratava-se das confusões em que a família Batista se metia após a morte do pai, José João, ou Zezão (Milton Moraes), enterrado com um bilhete premiado da loteria. A viúva Angelina (Eva Wilma) e os filhos Pedro (Buza Ferraz), Jésus (Taumaturgo Ferreira), Fátima (Isabela Garcia) e André (Matheus Carrieri) empreendem verdadeira caça ao tesouro, junto a outros interessados como o professor Cagliostro (Agildo Ribeiro), apaixonado por Angelina na juventude. De clima bastante diferente da atração anterior no horário, De Quina pra Lua não foi dos trabalhos mais felizes de Alcides, mas não prejudicou sua vitoriosa carreira na dramaturgia, tanto nos palcos quanto nas telas. A certa altura, quando já estava decidido a largar a novela, ele pôde contar com a ajuda generosa de Walther Negrão para conduzir os rumos da história.

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2 – O Amor Está no Ar (1997)
Nos 12 anos seguintes a De Quina pra Lua, Alcides Nogueira se dedicou ao teatro e ao trabalho em conjunto com outros autores, como Walther Negrão (Direito de Amar, 1987), Lauro César Muniz (O Salvador da Pátria) e Silvio de Abreu (Rainha da Sucata, 1990; Deus nos Acuda, 1992/93; A Próxima Vítima (1995). Até que em 1997 assinou nova novela solo, centrada no triângulo amoroso formado por Sofia Schnaider (Betty Lago), sua filha Luiza (Natália Lage) e o jovem Léo (Rodrigo Santoro), entremeado pelas intrigas de Alberto (Luís Melo), Úrsula (Nicette Bruno) e Júlia (Natália do Valle), respectivamente cunhado, sogra e irmã de Sofia. Outros personagens de destaque na história são os integrantes do circo liderado por Guima (Nuno Leal Maia) e Candê (Lady Francisco), além do rabino Davi (Caco Ciocler) e do jovem João (Eriberto Leão), que desperta a atenção de Luiza e que ela acredita ser um extraterrestre.

3 – Força de Um Desejo (1999/2000)
A sinopse de Força de Um Desejo, intitulada Amor Perfeito, foi apresentada à Globo ainda na década de 1980 e quase foi produzida em 1989, quando acabou preterida em favor de Pacto de Sangue, de Regina Braga. Apenas dez anos depois a história, agora com Gilberto Braga ao lado de Alcides na autoria, foi retomada pela emissora, e enfim ganhou as telas. A personagem principal era a bela e desejada cortesã Ester Delamare (Malu Mader), que deixa a vida na Corte para se casar com o fazendeiro de café Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria). Mas o que nenhum dos dois sabe é que ele é pai de Inácio (Fábio Assunção), com quem Ester tivera recentemente um envolvimento amoroso e de quem fora separada por uma armação de Idalina (Nathalia Timberg), avó materna do rapaz. Inácio e Sobral não vinham se dando bem em razão dos modos cruéis com que o barão tratava a esposa, Helena (Sônia Braga), e por isso o filho havia saído de casa, na Fazenda Ouro Verde, e ido para o Rio de Janeiro. Tinha destaque também o amor supostamente impossível de Abelardo (Selton Mello) e Alice (Lavínia Vlasak), respectivamente irmão e esposa de Inácio, impedidos por essa circunstância e pela verdade que paira sobre a origem de Abelardo: ele na verdade é filho de Higino Ventura (Paulo Betti), antigo amor de Helena, casado com Bárbara (Denise Del Vecchio) e pai de Alice, ao que se sabe. Olívia (Cláudia Abreu), branca vendida como escrava e que passa os piores dias de sua vida na fazenda de Higino, é outra personagem de destaque, e sua luta pela liberdade é mesclada a seu romance com o médico Mariano Xavier (Marcelo Serrado).

4 – Ciranda de Pedra (2008)
Após duas bem-sucedidas minisséries escritas em parceria com Maria Adelaide Amaral – Um Só Coração (2004), celebrando os 450 anos de São Paulo, e JK (2006), biografia do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) –, Alcides adaptava o conhecido romance de Lygia Fagundes Telles, que já havia sido transformado em novela pela Globo, e também no horário das 18h como aqui, em 1981, com texto de Teixeira Filho (1922-1984). O casamento sem amor vivido pelo advogado Natércio Prado (Daniel Dantas) e Laura (Ana Paula Arósio) era o esteio da história ambientada no final da década de 1950, e Virgínia (Tammy di Calafiori), a mais moça das três filhas, conduzia o enredo junto com a mãe, as irmãs Bruna (Anna Sophia Folch) e Otávia (Ariela Massotti), o suposto pai e o pai verdadeiro, o médico Daniel (Marcello Antony). A governanta da família Prado, Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira), e seu sobrinho Afonso (Caio Blat) são outros personagens de destaque.

5 – O Astro (2011)
Em comemoração aos 60 anos da telenovela brasileira, iniciada em 1951 com Sua Vida me Pertence, de Walter Forster (1917-1996), na Tupi, a Globo resolveu fazer uma nova versão de um de seus maiores sucessos, O Astro (1977/78), de Janete Clair (1925-1983), e com ele inaugurar uma nova faixa para o gênero – a das 23h, com novelas menores e exibidas apenas quatro vezes por semana, de terça a sexta, como as minisséries. Hoje, as produções dessa faixa são chamadas de superséries e permanecem com quatro capítulos por semana, mas exibidos às segundas, terças, quintas e sextas. Alcides escreveu com Geraldo Carneiro e a colaboração de Tarcísio Lara Puiati e Vitor de Oliveira uma releitura da trajetória de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), que após passar 8 anos na cadeia por pagar sozinho por um golpe que aplicou junto ao falso amigo Neco (Humberto Martins) se restabelece como “Professor Astro”, sua alcunha nos shows de ilusionismo e predições de futuro que faz na boate Kosmos, propriedade de Natal (Antonio Calloni) na Lapa, zona boêmia carioca. É num de seus shows, nos quais aplica os conhecimentos adquiridos na cadeia com seu mentor Ferragus (Francisco Cuoco, o Herculano do original), que ele conhece a bela Amanda (Carolina Ferraz), empresária do ramo de construção, e depois se vê às voltas com a rica família Hayalla, cujo patriarca Salomão (Daniel Filho) é misteriosamente assassinado e deixa com isso a responsabilidade sobre o patrimônio recair sobre o único filho dele com Clô (Regina Duarte), Márcio (Thiago Fragoso). Esta nova versão fez grande sucesso e indicou o rumo do horário pelos três anos seguintes.

6 – I Love Paraisópolis (2015)
Junto com Mário Teixeira – e mais uma vez contando com a colaboração de Tarcísio e Vitor, além do romancista Paulo Lins e de Jackie Vellego –, Alcides desenvolveu aqui a história da jovem Marizete (Bruna Marquezine), moradora da comunidade de Paraisópolis, zona sul da capital paulista, cujo romance com Ben (Maurício Destri) é tumultuado por diversos agentes: os ex de ambos, o marginal Grego (Caio Castro) e Margot (Maria Casadevall); a mãe e o padrasto de Ben, Soraya (Letícia Spiller) e Gabo (Henri Castelli). Entre os personagens paralelos à trama central um painel dos moradores da comunidade e também dos ricos do Morumbi, com destaque para a mãe de criação de Marizete, Eva (Soraya Ravenle), seu marido Juju (Alexandre Borges) e a filha biológica Pandora, a Danda (Tatá Werneck); a tia que criou Grego, a boleira Paulucha (Fabíula Nascimento), com quem o médico Tomás (Dalton Vigh) se envolvia; Cícero (Danton Mello), amigo de infância de Grego e seu contraponto, uma vez que se entregou aos estudos e não ao crime; o ótimo Júnior (Frank Menezes), mordomo de Soraya; a mãe da empresária, Dona Isabelita (Nicette Bruno), das poucas pessoas que não se curvavam a ela.

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