Apresentador da Globo em Goiás denuncia radialista ao MPF por crime de homofobia

Publicado há 8 meses
Por Gabriel Vaquer
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O jornalista Matheus Ribeiro, apresentador da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, protocolou nesta sexta-feira (7) no Ministério Público Federal uma notícia-crime contra o radialista Luiz Gama. Quatro dias depois de Matheus ter apresentado o Jornal Nacional, no projeto que comemorou os 50 anos da atração, Gama fez comentários homofóbicos no Twitter e também no Facebook, dizendo que Matheus se destacou só porque revelou que era gay.

“Putz! Onde o Brasil vai parar? Queimar a rosca agora é moda. Um apresentador de telejornal de qualidade média virou a bola da vez no jornalismo nacional só porque revelou que sua rosquinha está à disposição. A qualidade profissional que se f…”, escreveu Gama, que é locutor da Rádio Bandeirantes AM e, até então, da Band News FM, ambas de Goiânia.

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Em seguida, em outra postagem, o radialista deixou indiretas que internautas entenderam direcionadas para Maju Coutinho, também da apresentadora da Globo. “O @jairbolsonaro está corretíssimo ao acabar com o registro na DRT e por acabar com a exigência de diploma para jornalistas. Afinal, tem uma fraquíssima em rede nacional só por causa da cor da pele e outro comunzão fazendo fama só porque avisou que queima a rosca”, disse.

Além disso, um mês antes das postagens, o radialista usou seu programa na Rádio Bandeirantes AM para fazer outras ofensas homofóbicas. “O que tem de bicha, viado, na televisão goiana tá um negócio de doido! Meu Deus do céu, na hora do almoço, de noitinha, cê liga a televisão é biba pra tudo quanto é lado.” Em outro trecho, Gama vai além: “Eles tão impregnando a imprensa, pelo amor de Deus, que que é isso?”.

Advogado de Matheus Ribeiro, da Globo, explica denúncia

Após a repercussão negativa, o radialista foi demitido da Band News FM, mas agora poderá responder a um processo criminal. Segundo afirmou para o Observatório da TV o advogado de Matheus Ribeiro, Ricardo Sidi, a comunicação do crime foi dirigida ao Ministério Público Federal de Goiás tendo em vista a competência da Justiça Federal daquele estado para julgar o crime.

“O objeto da notícia de crime que levamos hoje ao MPF não foram as ofensas pessoais contra Matheus ou Maju, mas sim a prática e a incitação à discriminação, ao preconceito e à violência contra todos os homossexuais”, esclarece Sidi. “E por isso a ocorrência de crime de homofobia, equiparado ao racismo pelo Supremo Tribunal Federal”, conclui.

A defesa de Matheus pede ao MPF que Gama seja denunciado à Justiça Federal para responder a uma ação penal, na qual poderá ser condenado a uma pena de até cinco anos de reclusão.

Para Ricardo Sidi, que também representou a cantora Daniela Mercury em caso criminal contra deputado federal por ofensas homofóbicas, é dever de toda a sociedade se insurgir contra o chamado “hate-speech” (discurso de ódio), que não encontra amparo na garantia constitucional à liberdade de expressão. A reportagem procurou o radialista Luiz Gama, mas não obteve sucesso.

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