Antonio Calmon: novelista não tem trabalhos inéditos exibidos pela Globo desde 2010

Cinco amigos se reuniam para vingar a morte de um sexto, na série exibida em 2010

Publicado há 2 meses
Por Fábio Costa
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Há 10 anos, em 15 de junho de 2010, a Rede Globo exibiu o primeiro dos oito episódios da série Na Forma da Lei, de Antonio Calmon. Na contramão do que o consagrou na TV, histórias leves com forte apelo junto aos jovens, o autor contava aqui um drama centrado na busca por justiça.

Ainda que não agrade a alguns espectadores, a obra do autor sempre tentou inovar com temas que dialogassem com o público do horário das 19h, para o qual escreveu mais. Vamos recordar hoje a trajetória de Antonio Calmon no Observatório da TV.

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Na Forma da Lei até aqui é o último trabalho inédito do autor exibido pela Globo

Maurício Viegas (Márcio Garcia) é um típico playboy, de família muito rica e acostumado a ter tudo que quer e não pagar pelo que faz de mau. Anos atrás, ele fora o responsável pela morte do recém-fomado advogado Eduardo Moreno (Thiago Fragoso), noivo de Ana Beatriz (Ana Paula Arósio).

Passado algum tempo, Ana Beatriz e alguns amigos de Eduardo, Gabriela (Luana Piovani), Célio (Leonardo Machado), Ademir (Samuel de Assis) e Edgar (Henri Castelli), se dispõem a unir suas forças profissionais, sendo quase todos eles ligados à Justiça, para fazer Maurício pagar pelo crime.

Filho do influente senador João Carlos Viegas (Luís Melo) e de Eunice (Ângela Vieira), Maurício é casado com Maria Clara (Carolina Ferraz), que o tem de bonita, tem de infeliz. Ele na verdade nunca deixara de gostar de Ana Beatriz, que o trocara por Eduardo.

Curioso notar que outra figura desse trabalho está igualmente há 10 anos longe da telinha: a protagonista Ana Paula Arósio. Até aqui, Ana Beatriz é a última personagem da atriz, que se recolheu à vida no interior de São Paulo.

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Década de 1980: a chegada à televisão e o encontro com os jovens

A carreira de Antonio Calmon começou no cinema. De 1966, quando foi assistente de direção de Cacá Diegues em A Grande Cidade, até 1984, quando assinou Garota Dourada, foram mais de 20 filmes como assistente, diretor, roteirista.

Ou mesmo mais de uma dessas funções ao mesmo tempo. Já consagrado como autor de TV, seguiu enveredando pelo cinema, embora com menos regularidade.

Calmon fez nos anos 1980 uma opção semelhante à de Dias Gomes, Jorge Andrade e outros dramaturgos nos anos 1960, quando passaram dos palcos às telas.

Decidiu trocar o cinema pela televisão, pela necessidade que sentia de atingir um público maior. E aceitou o convite de Daniel Filho para ingressar na Rede Globo e integrar a equipe de criação de uma série direcionada ao público jovem.

Nascia assim Armação Ilimitada, que foi ao ar de 1985 a 1988 e marcou a geração. Os papéis centrais eram interpretados por Kadu Moliterno, André di Biase, Andréa Beltrão e Jonas Torres. Um programa criativo, moderno, ousado e com influências da linguagem dos videoclipes.

Top Model, estreia de Calmon como autor de novelas

Logo após a série, Calmon integrou a equipe de criação de outra: Tarcísio & Glória, com o “Casal 20” da televisão brasileira, em 1988. Mas o projeto não deu muito certo e em seguida Calmon recebeu de Daniel Filho a incumbência de fazer sua primeira novela.

Em parceria com o experiente Walther Negrão surgiu Top Model, exibida em 1989/90. Os mesmos ingredientes de Armação Ilimitada, embora evidentemente adaptados para o novo formato, foram revividos com sucesso.

A modelo Duda (Malu Mader) vivia um romance com o jovem Lucas (Taumaturgo Ferreira). Este desejava descobrir seu verdadeiro pai, e ficava entre os irmãos Kundera, Alex (Cecil Thiré) e Gaspar (Nuno Leal Maia). Além disso, o rapaz havia fugido de São Paulo para o Rio de Janeiro e era procurado pela polícia.

Década de 1990: anos bastante frutíferos na carreira de Antonio Calmon

O sucesso de Top Model, tamanho que a novela foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo menos de um ano após seu término, credenciou Calmon para o horário das 19h de vez.

Todas as suas novelas foram exibidas nessa faixa, em virtude da boa comunicação do autor com os espectadores mais jovens. Na época, o autor trabalhava no texto da minissérie A, E, I, O… Urca, que seria exibida apenas em 1990.

Vamp (1991/92) foi uma feliz união de humor com a temática de vampiros, que fascina milhares de pessoas pelo mundo. A partir do pacto firmado pela cantora Natasha (Cláudia Ohana) com o vampiro Conde Vlad (Ney Latorraca), uma série de fatos unem vampiros e a população de Armação dos Anjos, litoral fluminense. Especialmente a família liderada pelo Capitão Jonas Rocha (Reginaldo Faria) e sua esposa Carmen Maura (Joana Fomm).

Paranormalidade, dupla identidade e mistério no litoral: as outras novelas de Antonio Calmon nos anos 1990

Em 1993/94 a nova investida de Calmon no horário das 19h da Globo uniu juventude e paranormalidade. Após fazer a minissérie Sex Appeal (1993), o autor criou Olho no Olho.

A história partia do envolvimento de Guido (Tony Ramos), um ex-padre, com uma organização criminosa liderada por César Zapata (Reginaldo Faria). Seus membros faziam uso de poderes paranormais para fazer o mal. Entre eles, Fred (Nico Puig), filho de César com sua cunhada Walkíria (Maria Zilda Bethlem).

Dos jovens do bem, destacam-se Cacau (Patrícia de Sabrit) e Alef (Felipe Folgosi). Este é filho de Débora (Natália do Valle), escritora judia com quem Guido se envolve após enviuvar de Otávio (Marcos Paulo).

Cara & Coroa (1995/96) centrava sua história em duas mulheres idênticas, Fernanda e Vivi (Christiane Torloni). Elas se conhecem na cadeia e uma trama do cunhado de Fernanda, Mauro (Miguel Falabella), faz com que Vivi se passe por ela ante sua família e a população da litorânea Porto do Céu.

Todavia, Vivi tem pela frente uma série de problemas a resolver, já que Fernanda não é das pessoas mais bem quistas pela cidade. Posteriormente, em 1997, Antonio Calmon integrou a equipe de criação da série A Justiceira, com Malu Mader.

Corpo Dourado (1998) se passava em Marimbá, cidade litorânea, claro. Mas que também tinha uma área rural, onde vivia a protagonista Selena (Cristiana Oliveira).

Ela se envolvia com o delegado Chico (Humberto Martins), infeliz em seu casamento com a neurótica Amanda (Maria Luiza Mendonça). Esta no passado foi noiva de Arturzinho (Marcos Winter), filho de Zé Paulo (Lima Duarte) e Isabel (Rosamaria Murtinho).

No começo da novela Zé Paulo morre, mas deixa uma coleção de fitas gravadas, por meio das quais segue dirigindo a família. Após a novela, Antonio Calmon dedicou-se à série Mulher, que havia implantado e deixado para fazer Corpo Dourado.

Anos 2000: um grande sucesso e depois, algumas dificuldades

A década começou com um mais um sucesso na carreira de Antonio Calmon, incrivelmente não reprisado até hoje. Um Anjo Caiu do Céu (2001) tinha como protagonista o fotógrafo João Medeiros (Tarcísio Meira). Ele é vítima de um atentado em Praga, mas não morre.

Ganha no Céu uma nova oportunidade, para se redimir dos erros do passado, e desce à Terra na companhia do anjo Rafael (Caio Blat). Este se divide entre a vida celestial e a opção por ser mortal, ao se apaixonar por Cuca (Débora Falabella).

A moça é filha de João com sua cunhada Laila (Christiane Torloni), fruto de uma pulada de cerca. As raízes de Calmon no cinema tiveram aqui mais uma mostra: o embrião da história era A Felicidade Não se Compra, filme de Frank Capra feito nos anos 1940.

“Não é o mesmo elenco, o público é outro, e muitos não se lembram da novela anterior.” Com essa frase, Antonio Calmon explicou o porquê de ter retornado ao universo dos vampiros, mas não quis fazer uma continuação de Vamp, ao escrever O Beijo do Vampiro (2002/03).

Tarcísio Meira era Bóris Vladesco, vampiro de 800 anos que procurava se dar bem com Zeca (Kayky Brito). O garoto era seu filho, mas havia sido criado por Lívia (Flávia Alessandra). Esta era a reencarnação da Princesa Cecília, antiga paixão de Bóris. Cláudia Raia se destacou como a vampira Mina e gravou a novela grávida de sua filha Sophia.

As histórias com dificuldades de audiência

Para atrair o público mais maduro, todavia, sem deixar os jovens de lado, Antonio Calmon desenvolveu com Elizabeth Jhin Começar de Novo (2004/05). O projeto não deu certo, embora fosse encabeçado por um casal querido do público-alvo: Marcos Paulo e Natália do Valle.

Eles eram Miguel Arcanjo e Letícia, separados na juventude por uma grande intriga da mãe dela, Lucrécia Borges (Eva Wilma). Tinham um filho, Pedro (Vladimir Brichta), cujo suposto pai, Anselmo (Werner Schünemann), não gostava dele, justamente porque era o símbolo do fato de que a mulher nunca o amou.

Miguel volta ao Brasil, após 30 anos de ausência, e quer se vingar de Lucrécia. A novela não deu certo e passou por várias adaptações para aumentar a audiência, como entrada de alguns personagens e eliminação de outros.

Entre setembro de 2008 e abril de 2009, o horário das 19h da Rede Globo exibiu a novela Três Irmãs. Após mais de 20 anos de êxito junto ao público, especialmente o mais jovem, Calmon fazia na ocasião sua última novela. Pelo menos até aqui.

Três Irmãs não deu muito certo. As irmãs do título eram Dora (Cláudia Abreu), Alma (Giovanna Antonelli) e Suzana (Carolina Dieckmann). Filhas de Virgínia (Ana Rosa) e Augusto (José Wilker), elas se veem envolvidas na luta contra Violeta Áquila (Vera Holtz).

Trata-se da sogra de Dora e verdadeira mãe de Suzana, que deseja explorar a praiana Caramirim, um pequeno paraíso, com um projeto empresarial. Além disso, havia a história de Waldete (Regina Duarte) – “com dáblio”, como frisava -, que chega à cidade à la Mary Poppins e ninguém sabe de onde veio nem o que pretende.

Há alguns anos falou-se numa história intitulada Barba Azul, que seria escrita por Calmon em parceria com Guilherme Vasconcelos. Este, a saber, foi um de seus colaboradores em Três Irmãs e também na série Na Forma da Lei. Infelizmente o projeto acabou não vingando.

Com efeito, os últimos projetos de Antonio Calmon não deram tão certo quanto poderiam – e como a emissora desejava. No entanto, em diversas ocasiões seu potencial criativo foi demonstrado e suas criações poderiam ajudar na batalha pela audiência. Anos de experiência com o público infantil e adolescente não podem ser jogados fora.

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