Amor e Sorte: os desafios de figurino e caracterização numa produção remota

Figurinista e caracterizadora explicam o processo criativo da nova série da Globo

Publicado há 24 dias
Por André Santana
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Com a realização à distância, direção artística, direção de fotografia, produção de arte, tecnologia, som e até mesmo figurino e caracterização precisaram encontrar soluções para fazer a série Amor e Sorte acontecer. Figurino e caracterização, inicialmente, precisaram de reuniões para entender o conceito dos episódios e dos personagens, e então apresentar sugestões e referências até chegar às peças ideais e à caracterização que conversassem com aquelas personagens.

“Começamos uma semana antes. Quando o projeto foi aprovado, a Patrícia (Pedrosa, diretora artística) achou que valia investir um tempo antes para ganhar depois, testando e entendendo se aquilo tudo seria viável. Gravamos três cenas com Luisa Arraes e Caio Blat, e uma cena com Lázaro Ramos e Taís Araujo. Deu certo! Vimos que seria possível entregar um produto de qualidade”, conta o figurinista Cao Albuquerque.

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Definidas as referências, chegou a hora de colocar o projeto em prática. Cao Albuquerque e a caracterizadora Lucila Robirosa conversaram diversas vezes com o elenco por meio de uma plataforma de vídeo, a mesma usada para as gravações. “Cada capítulo tem sua exigência e, na verdade, estamos retratando as pessoas que estão em casa, como nós mesmos, em quarentena, sem maquiagem, vestidos praticamente da cintura para cima”, explica Lucila.

Neste processo, o elenco não só atuou mais ativamente junto às escolhas das áreas, como também usou peças de seu próprio armário em algumas situações. Com as peças definidas, sejam próprias, do acervo da TV Globo ou buscadas especialmente para a série, iniciou-se com as gravações o minucioso trabalho das equipes de figurino e caracterização.

Do início ao fim, sempre tem alguém acompanhando para falar se a roupa está amassada, dobrada, manchada, colocada de forma errada ou se é necessário fazer qualquer mínimo ajuste.

O mesmo da parte da caracterização, que fica em alerta, de olho na necessidade de diminuir o brilho, aumentar a base, consertar o batom, a máscara para olhos ou o cabelo, como acontece numa gravação no estúdio, mas, desta vez, remotamente. Ao todo, são mais de 20 pessoas, somando todas as áreas envolvidas, que se conectam em vídeo para garantir que tudo saia como o previsto.

Conheça os detalhes do trabalho do figurino e caracterização nas entrevistas abaixo.

Cao Albuquerque – figurinista

Quais as principais diferenças entre o processo do seu trabalho no estúdio e feito remotamente, como em Amor e Sorte?

No estúdio, temos a presença do ator e vários insights que surgem na hora, a partir de outras opções que você tem na arara. Você prepara uma arara inteira, e, quando o ator chega e veste a roupa, você vê o que funciona ou não. Senti falta dessa troca presencial. Remotamente, começamos com a reunião por vídeo, fizemos as pranchas para serem aprovadas, de maneira condizente aos personagens, conversamos com elenco e diretores para entender se estávamos no caminho certo. Depois disso, partimos para a pré-produção nos guarda-roupas da TV Globo e nos brechós.

Como as roupas que vinham de fora eram entregues ao elenco?

O elenco fez provas on-line. Definidas as peças, elas passaram por um processo de higienização e de lavanderia para que pudessem chegar prontas para uso na casa deles.

Como vocês lidaram com as necessidades de ajuste ou mudança de planos remotamente?

Isso aconteceu algumas vezes. No primeiro episódio que gravamos, com Lázaro e Taís, tivemos dois dias de prova de roupa. Ainda assim, no dia da gravação, na hora que ligou a câmera para gravar, vimos o que funcionava e o que não funcionava e fizemos as alterações necessárias. No primeiro dia, ele usou a roupa dele. Mas, quando colocou a outra roupa, que estava prevista para menos tempo em cena, vimos que ficou bem mais bonita. Então, resolvemos trocar e deixar que a roupa mais interessante seguisse em um tempo mais longo dentro do episódio.

Quais foram os grandes aprendizados dessa experiência remota para você?

Eu acho que o mais legal foi que tivemos um trabalho coletivo, por mais que ele tivesse sido separado. Quando a gente faz um projeto nos estúdios, temos reuniões, cada um sai para o seu lado para produzir e depois volta para gravar. Agora, não. Estávamos juntos o tempo todo pela plataforma de vídeo. Então, o coletivo, por incrível que pareça, está mais presente. A conversa entre as áreas está menos atropelada do que em um dia de gravação presencial. Isso é divertido porque vamos ver que apesar de estarmos separados, ainda podemos fazer coisas de qualidade juntos.

Lucila Robirosa – Caracterizadora

Quais curiosidades você destacaria durante a realização da série?

Para o episódio dirigido pelo Andrucha, tive uma conversa com ele e com a Fernanda Torres, que foi mais uma consultoria. Mandei uns apliques para ela e Fernanda Montenegro usarem em uma passagem de tempo. Como estavam sem conexão, na serra do Rio de Janeiro, fizeram tudo sozinhas. Falamos antes, mas na hora da gravação, não sei como ficou. Estou curiosa para ver, na verdade (risos).

No capítulo do Lázaro e da Taís, eu mandei uma referência e ela tinha os materiais necessários, fomos nos falando por mensagem. No caso do Caio e da Luisa, tínhamos mais elementos, pois eles se conhecem na noite, então parti daí, com uma referência para fazer a chegada deles no apartamento. E eles têm também uma cena bacana em que imitam diversos filmes, então usamos mais maquiagem ali. No restante do episódio é aquela maquiagem básica, de pessoas que estão em quarentena. No caso da Fabíula, será maquiagem de uma mulher que está doente, como se fosse uma gripe, pois ela está com suspeita de covid-19.

Você enviou muitas referências para o elenco ter em mente que caminho seguir?

Eu, particularmente, não gosto de referências. Porque o que você pode pegar de uma foto ou de uma revista é de uma outra pessoa com um outro material. Eu prefiro ir testando ideias na pessoa mesmo. Na série, segui desta forma. Nós fizemos um dia de testes para ver como funcionava com o Lázaro e a Taís e depois com o Caio e Luisa. E elas foram colocando tudo na hora. Procuramos encontrar soluções boas e rápidas, pois eles estavam se maquiando, preparando cabelo, figurino, luz, som, acionando a câmera… Precisavam de tempo para fazer tudo.

Como está sendo essa experiência para você?

Estou adorando, acho que funcionou bem. Mas o aprendizado é claro: valorizar o tempo que a gente tem para estar junto. Faço cinema e televisão há 25 anos, estou morrendo de saudades da aglomeração em volta do monitor. Ao mesmo tempo, é um aprendizado. No estúdio, fazemos cada um nossa parte. Aqui, não. Estamos todos “juntos” o tempo todo. É um jeito bom de todo mundo se ouvir e entender a função de cada um.

Amor e Sorte é uma série em quatro episódios, criada por Jorge Furtado. Os episódios Linha de Raciocínio, A Beleza Salvará o Mundo e Territórios têm direção artística de Patrícia Pedrosa e contam com direção de Lázaro Ramos; Luisa Arraes e Caio Blat; e Ricardo Spencer, respectivamente. O episódio Lúcia e Gilda tem direção artística de Andrucha Waddington e direção de Pedro Waddington. Além de Jorge Furtado, que supervisiona o texto, Alexandre Machado, Caio Blat, Luisa Arraes, Adriana Falcão, Jô Abdu, Antonio Prata, Chico Mattoso e Fernanda Torres também assinam os roteiros. Estão na série Lázaro Ramos, Taís Araújo, Caio Blat, Luisa Arraes, Fabiula Nascimento, Emilio Dantas, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.

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