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Camila Pitanga fala sobre papel em Juntos A Magia Acontece: “Realidade de muitas brasileiras”

Atriz contracena na história com Milton Gonçalves

A atriz Camila Pitanga (Divulgação / Globo)
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Camila Pitanga viu Juntos a Magia Acontece nascer. A atriz participou, em 2017, como uma espécie de orientadora, da primeira edição do Laboratório de Narrativas Negras para o Audiovisual, feito pela Globo em parceira com a Flup. Foi lá que ela conheceu a jovem autora Cleissa Regina Martins, hoje com 24 anos, e o argumento que deu origem ao especial de Natal.

Tempos depois, ela foi convidada por Maria de Médicis, diretora artística do projeto, para integrar o elenco. Camila interpreta Vera, professora que precisa cuidar da filha Letícia (Gabriely Mota), superar a morte da mãe, Neuza (Zézé Motta), e ajudar o pai, Orlando (Milton Gonçalves), a se reerguer do luto e Jorge (Luciano Quirino), e o marido desempregado.

Confira a entrevista completa com a atriz sobre este seu novo projeto na telinha.

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Fale um pouco sobre a Vera.

A Vera é um espelho da realidade de muitas mulheres brasileiras, que, de alguma maneira, se desdobram entre a sua carreira, seu trabalho e os cuidados do lar. Embora ela até tenha um marido mais contemporâneo, que entende que esses cuidados do lar não são uma coisa só da mulher, a morte da mãe, Neuza (Zezé Motta), é o estopim de toda uma reconfiguração que ela vai ter que fazer.  Eu acho que também essa relação de mãe e filha que cuidam juntas, que administram a casa juntas, é uma realidade muito comum, de força da mulher. E, como boa parte dos brasileiros, está aí num momento de fragilidade econômica, o marido, Jorge (Luciano Quirino), está desempregado e o impacto da morte da mãe e dessa situação que já se acumula há sete meses deixam ela bem tensa.

O que a depressão de Orlando (Milton Gonçalves) e o retorno do irmão André (Fabrício Boliveira) provocam em Vera?

A morte da mãe, a dificuldade financeira e o retorno de um irmão ausente exigem dessa família um processo de recomposição, de novo entendimento sobre os seus papeis. Eu acho bonito, que nessa nova recomposição, esse pai entende que pode, ainda que ele seja aposentado, contribuir e de permanecer ativo. O espírito do Natal para mim é o símbolo deste homem que quer se conectar com a vida que segue, com os filhos, com a neta… Eu acho que a volta desse irmão nessa situação de Natal também trata disso. Quer data mais simbólica de família que o Natal? É uma data que muitas pessoas pontuam das suas dores, das suas ausências…

Como é sua relação com o Natal?

Eu tenho hoje uma realidade muito alegre com o Natal. Mas nem sempre foi assim. Quando meus pais se separaram, eu tive Natais em que a gente soube ser feliz, ainda que fôssemos só três pessoas: eu, meu pai e meu irmão, Rocco Pitanga, ou que a gente estivesse dentro do Natal de outra família. Tinha alguma coisa que era um buraco, uma dor, mas tinha um fortalecimento desse elo familiar. Com o advento de o meu pai, Antonio Pitanga, ter se casado com a Bené (Benedita da Silva), eu comecei a ter Natal com um monte de criança. E, com o passar do tempo, a minha mãe, Vera Manhães, começou a passar o Natal com a gente e a Bené, e eu tenho muito orgulho disso. Para mim, passar o Natal em família é com todo mundo que você se sente bem. Afinal, existem tantos tipos de famílias… Às vezes, a família pode ser a dos amigos, pode ser o avô com suas netas, a da dona de um orfanato com as crianças…

Para você qual o simbolismo de ter um Papai Noel negro no especial?

Quando eu vi o Milton vestido pela primeira vez os meus olhos encheram d’água. Porque é algo que diz muito sem ser panfletário. Quem disse que Papai Noel não pode ser negro? Se é uma ficção que a gente aceita, essa ficção pode ter muitas caras e que assim como a gente vê a necessidade de as crianças verem bonecas com a sua cor, com seus cabelos, é muito simbólico, a gente pode ver um homem negro como Papai Noel. Fazer um especial de Natal que fale sobre a história de uma família negra é motivo de muito orgulho. 

Juntos a Magia Acontece, que vai ao ar no dia 25 de dezembro, é escrito e criado por Cleissa Regina Martins, com supervisão de George Moura e direção artística de Maria de Médicis e consultoria de Kenia Maria.

No elenco, estão Milton Gonçalves, Zezé Motta, Camila Pitanga, Fabrício Boliveira, Luciano Quirino, Tony Tornado, as crianças Gabriely Mota e Ícaro Zulu, com participações de Aracy Balabanian, Francisco Cuoco, Alice Wegmann e Zezé Polessa.

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