“Não vejo mais a possibilidade de interpretar sem me colocar politicamente”, diz Alice Wegmann

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Alice Wegmann é conhecida pela densidade com que se entrega a seus trabalhos na telinha. Em Órfãos da Terra, não vem sendo diferente. Desde a estreia do folhetim global, há pouco menos de duas semanas, ela se mostra uma grata surpresa na pele da obsessiva Dalila, sua primeira grande antagonista.

Conhecida por sua militância feminista nas redes sociais, Wegmann acredita que sua atual personagem é, sim, uma mulher empoderada. Mas usa esse poder da pior maneira possível. “Dalila não é só uma menina má, não cai no infantil. Ela é madura, sabe o que quer. É muito mau-caráter, mas o público vai entender a dor dela e se sensibilizar”, acredita a loira.

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Alice acredita que a arte é uma importante ferramenta na difusão de conceitos ideológicos que tanto estão em voga atualmente. “Eu não acho que seja uma obrigação, mas a arte está intimamente ligada a isso. Eu não vejo mais a possibilidade de interpretar personagens sem me colocar politicamente. Não tenho mais medo de falar. Se nós usamos a nossa voz de alguma forma, vamos cutucando, provocando, para que um dia possamos chegar em algum lugar diferente desse atual”, defende, em entrevista ao jornalista Daniel Castro.

“No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Tem muito machismo aqui também, não é só na cultura árabe. Às vezes, falam que esse assunto é muito mimimi, repetitivo, mas por que ainda tem tanta mulher morrendo? Parem de matar as mulheres, parem de matar a gente”, concluiu.

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