110 anos da imigração japonesa: relembre representantes do Japão nas novelas

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Em 2018, completam-se 110 anos da chegada do Kasato Maru ao Brasil. Foi o primeiro navio vindo do Japão para cá, que atracou em Santos e desembarcou quase 800 imigrantes japoneses, os primeiros que aqui chegaram. De lá para cá foram muitas as suas contribuições para o Brasil, sejam culturais, econômicas, acadêmicas, gastronômicas, entre outras. Vamos relembrar alguns dos representantes nipônicos em nossa teledramaturgia.

Em 1967, a cantora Rosa Miyake protagonizou uma novela na TV Tupi ao lado de Luís Gustavo. Foi Yoshiko – Um Poema de Amor, escrita por Lúcia Lambertini. Posto que foi a primeira atriz nipônica a participar de uma produção do gênero, não poderia deixar de ser citada. No entanto, Rosa, que é cantora e apresentadora, não seguiu no campo das novelas. A partir de 1970, em diversas emissoras, comandou o programa Imagens do Japão. Consistia em musicais, entrevistas e atrações variadas em torno da cultura japonesa.

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Só para ilustrar, veja abaixo uma propaganda da Varig, dos anos 1960, com Rosa Miyake interpretando uma versão da canção japonesa “Urashima Taro”:

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Cristina Sano, a beleza do Japão na “florzinha do Oriente”

Em Roda de Fogo (1986), de Lauro César Muniz, a atriz Cristina Sano interpretou Fátima. A jovem trabalhava no bar de Joana (Yara Cortes), e a certa altura da trama foi uma das conquistas do mulherengo Tabaco (Osmar Prado). O motorista de Renato Villar (Tarcísio Meira) não resistiu ao charme da “florzinha do Oriente”, como a apelidara.

Logo depois Cristina interpretou Grega, em Bebê a Bordo (1988/89), de Carlos Lombardi. Na história, recentemente reprisada pelo Viva, a personagem trabalhava numa oficina mecânica. Era amiga de Rico (Guilherme Leme) e Rei (Guilherme Fontes).

Veja abaixo uma reportagem do Vídeo Show com Cristina, exibida em 1997. Na ocasião ela havia participado da novela Zazá, de Lauro César Muniz.

Cristina integra desde 2016 o Coletivo Oriente-se, que se empenha na luta para assegurar a diversidade nas artes cênicas. Formado apenas por profissionais de ascendência oriental, o coletivo busca uma presença oriental na dramaturgia sem estereótipos e perpetuação de preconceitos. Sem dúvida, necessário.

Midori Tange e o Grito da presença do Japão

Carlos Takeshi e Midori Tange como os irmãos Hiroshi e Hiroe em Os Imigrantes (Reprodução/Amiga)

Apenas em 1975, quando Midori Tange estreou na novela O Grito, de Jorge Andrade, a teledramaturgia teve a primeira atriz nipônica, digamos, mais constante. O convite para um teste veio quando Midori fora eleita Miss Simpatia e o diretor Walter Avancini viu uma foto sua num jornal. Bonita e de tipo “exótico” para o gênero novela, Midori interpretava uma aeromoça que era também contrabandista.

Uma das moradoras do Edifício Paraíso, em São Paulo, onde se concentrava a história, Midori tinha o mesmo nome da atriz graças a uma colega, Yoná Magalhães. A atriz declarou em entrevista ao blog Argumento Cultural, do dramaturgo José Vitor Rack: “No primeiro capítulo, ao invés dela me chamar pelo nome fictício, me chamou de Midori por não lembrar na hora o nome da personagem… Avancini me perguntou se tudo bem que meu personagem se chamasse Midori. Eu concordei e assim ficou.”

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Em seguida Midori participou de O Espantalho (1977) e Cara a Cara (1979). Além de episódios das séries Carga Pesada (1980) e Dona Santa (1981). Na sequência interpretou uma personagem que representava dificuldades dos japoneses em território brasileiro nos anos 1940. A novela era Os Imigrantes, de Benedito Ruy Barbosa, Renata Pallottini e Wilson Aguiar Filho, que apresentou um núcleo oriental composto a partir da Fraulein (Elisabeth Gasper). Seu filho Marcos (Paulo Novaes) se casou com uma japonesa, Hiroe (Midori). A moça tinha um irmão, Hiroshi (Carlos Takeshi), e os dois sofriam com a discriminação aos japoneses, no contexto da Segunda Guerra.

Carlos Takeshi, um filho do Japão na teledramaturgia

O rosto e a voz de Carlos Takeshi são bastante conhecidos, seja por seus papéis em novelas, seja pela dublagem do herói Jaspion. Aliás, ele está no ar em Belíssima como o comerciante Takae, quinto marido de Safira (Cláudia Raia). Takae tinha dois filhos, Ernesto (Eduardo Hashimoto) e Suzy (Juliana Kametani).

Takeshi interpretou o jardineiro Okida em A Viagem (1994), de Ivani Ribeiro. Ele terminou a história ao lado da governanta Glória (Denise Del Vecchio), que zelava pela família do advogado Otávio (Antonio Fagundes). Na época da segunda reprise da novela no Vale a Pena Ver de Novo, em 2006, o ator deu uma entrevista ao Vídeo Show. Veja abaixo:

Ainda, o ator fez uma participação em O Rei do Gado (1996/97), de Benedito Ruy Barbosa. Seu papel era o de Olavo, dedicado piloto do avião particular de Bruno (novamente Fagundes). Os de boa memória talvez se recordem da cena em que os filhos de Bruno, Marcos (Fábio Assunção) e Lia (Lavínia Vlasak), dão condolências à viúva do piloto, uma vez que ele morrera num acidente que poderia ter vitimado também o próprio Rei do Gado. Só que a mulher responde com revolta e ironia: “Até que enfim o pai de vocês deu férias pro meu marido.”

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Ken Kaneko, do Japão para o Mundo da Lua

Um dos rostos mais familiares do público quando se fala em atores nipônicos é o de Ken Kaneko, certamente. No começo dos anos 1990, o ator participou de alguns episódios da série infantojuvenil Mundo da Lua, na TV Cultura. Seu personagem era Kato, marido de Roberta (Lucinha Lins), tia e madrinha do protagonista Lucas (Luciano Amaral). O casal tinha dois filhos, Afonso (Daniel Nozaki) e Conrado (Elio Massachi). Por mais que possa parecer pouco, a presença desses personagens significa muito para crianças que assistem ao programa. Nele se veem um tio e primos como muitos têm – inclusive com a mãe brasileira, como no caso – e não enxergam na teledramaturgia.

Assista abaixo ao episódio “Bonsai Não É Banzai”, da série Mundo da Lua, no qual Lucas e o primo Conrado visitam o pai do tio Kato (também interpretado por Kaneko), no Japão.

Seja como for, os representantes nipônicos em nossa TV não foram tantos assim. E menos ainda se considerarmos personagens de destaque elevado, é verdade. Principalmente ao levarmos em conta o número de representantes de outras origens nas novelas. Claro que aqui se fez apenas um breve apanhado. No entanto, a busca pela representatividade sem estereótipos é uma batalha também para os orientais. Visto que Metamorphoses (2004) foi uma novela confusa, que apresentou quase todos os seus japoneses de uma forma negativa (como membros da Yakuza), a teledramaturgia está devendo ao público uma história que mostre os japoneses como pessoas normais, sem exotismos ou viés pitoresco. Humanos, como todos nós.

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