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“Não faço história, sou parte da evolução da sociedade”, diz Matheus Ribeiro, primeiro âncora gay do JN

Jornalista fala sobre carreira e notícias sensacionalistas

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Com apenas 26 anos de idade, Matheus Ribeiro entrará duplamente na história do Jornal Nacional no próximo sábado (9). Inicialmente, ele será o mais jovem apresentador a sentar na bancada do principal telejornal do país. Mas além disso, nas últimas semanas, soube-se também que ele será o primeiro assumidamente gay a fazer o JN, um avanço grande considerando uma sociedade ainda conservadora como a brasileira.

Apresentador da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, Matheus Ribeiro não postou uma foto dizendo isso claramente. Acabou acontecendo, mas o efeito foi reverso. Teve quem enviou mensagens de preconceito e fez sensacionalismo no caso. Mas a grande maioria foi de mensagens carinhosas para ele e seu namorado, o policial militar Yuri Piazzarollo.

Mas Matheus não chegou lá por causa desses rótulos que acabaram caindo sob ele. Pelo contrário. Com 22 anos, Matheus virou apresentador do Jornal Anhanguera – Segunda Edição, o jornal local de horário nobre na Globo em Goiás. Foi o mais jovem, até então, a assumir a função. Para alguém que nasceu em Piracanjuba, no interior de Goiás, e é filho de um produtor rural pequeno e uma professora, é algo a se celebrar.

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Nesta rápida, porém reveladora e sincera entrevista ao Observatório da Televisão, concedida na noite desta terça-feira (5), Matheus Ribeiro fala da vida, do que falaram da vida dele nas redes sociais e em veículos sensacionalistas, da carreira e da expectativa para sentar na bancada do tradicional jornalístico junto com Larissa Pereira, da Paraíba. O próximo sábado promete ser um sonho para ele. Mas será um sonho que ele estará acordado para ver.

Confira a entrevista com Matheus Ribeiro na íntegra:

Observatório – Você será o mais novo jornalista a apresentar o JN. Além disso, também será o primeiro que falou abertamente sobre sua relação homoafetiva a apresentar o JN. Você se sente fazendo história? Como recebeu a notícia de que faria o JN? 

Matheus Ribeiro – Não acho que eu esteja fazendo história, mas sim, sendo parte de uma evolução da sociedade, que passa a considerar o que de fato é devido no ambiente profissional. Características como nossa cor, nossa idade, nossa sexualidade não devem ser benefício e muito menos impedimento para que alguém alcance seus objetivos. Caráter, honestidade e competência, esses sim, são valores fundamentais no aspecto profissional. Então, sob esse ponto de vista, fico muito feliz, pois vejo que conquistas que já tive são fruto do meu esforço, do trabalho com uma equipe maravilhosa e da postura ética do local em que trabalho.

Observatório – Nas últimas semanas, o fato de você assumir um relacionamento com um homem foi alvo de notícias e comentários. Alguns maravilhosos, outros maldosos. Esperava essa repercussão toda?

Matheus Ribeiro – Não esperava, até porque não fomos nós que colocamos nosso relacionamento em pauta. Sempre fomos a locais públicos, viajamos, jantamos juntos, tiramos fotos. Então, não haveria motivo para algo tão nocivo (manchetes sensacionalistas na internet) como o que ocorreu. Creio que nós só precisamos assumir crime ou culpa, todo o resto é apenas a sua liberdade de viver em paz.

“Chegar no JN não é uma conquista minha, mas sim do meu estado”, diz Matheus Ribeiro

Observatório – Como jornalista, chegar no JN neste projeto é um auge na sua carreira? Você sempre enfatiza o fato de ter vindo do interior de Goiás e ter origem humilde… Queria que contasse um pouco de sua história.

Matheus Ribeiro – Chegar ao JN não é uma conquista minha, mas sim do meu estado, do público que me acompanha e da equipe da TV Anhanguera. Eu sou apenas um porta-voz. E, claro, fico extremamente feliz de fazer parte desse momento que, particularmente, eu jamais imaginei que aconteceria na minha vida. Vim de família humilde, do interior, mas sempre fui muito sonhador. Minha mãe é professora da rede pública até hoje e meu pai, um pequeno produtor. Eles ralaram bastante para que eu tivesse estudo de qualidade e, assim, condições de transformar em realidade pelo menos uma parte das ideias que passavam pela minha cabeça. 

Observatório – Por fim, tem alguma coisa que você fará na bancada do JN que o povo de Goiás pediu? Falando no povo, como o público tem reagido?

Matheus Ribeiro – A receptividade das pessoas tem sido incrível, a ponto de me emocionar. Fiquei surpreso com o carinho e o envolvimento do público, afinal, muitas vezes, o jornalismo não leva apenas notícias boas e de esperança, mas também aquelas que nos desagradam, nos deixam tristes. O que eu quero levar para o JN no sábado é a proximidade com as pessoas de casa, é ter a oportunidade de conversar com elas, uma conversa que leve informação e esclarecimento de um jeito simples, objetivo e correto, como o JN faz há 50 anos.

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