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Série da Globo, Segunda Chamada escancara falhas da educação no Brasil

"É a vitória da ignorância", dispara Débora Bloch

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Em outubro a Globo reforçará a grade de programação com Segundo Chamada, uma das séries que, felizmente, da maneira mais auspiciosa, chega para esquenta ainda mais os assuntos sociais em voga como as falhas na educação no Brasil. Criminalidade, desemprego e outros défices de questões humanitárias também estarão inseridas em cada personagem da história. Uma obra de Carla Faour e Julia Spadaccini, que, na Globo, estiveram envolvidas em produções como Tapas & Beijos e Chacrinha, além importantes obras teatrais.

A produção marca também a estreia de Joana Jabace na direção artística. “Entraremos no universo das escolas públicas de periferia. Essa é uma realidade que achamos que conhecemos, mas, quando nos aprofundamos, percebemos uma ralidade muito maior e mais difícil“, contou Julia Spadaccini durante a coletiva de imprensa, promovida pela Globo na tarde desta quinta (5), em São Paulo. Ambientada na capital paulista, mais propriamente em uma famosa construção histórica e bastante simbólica, erguida nos anos 50 para acolher a Escola do Jockey Club de São Paulo, para cenário da trama, foi batizada de Escola Estadual Maria Carolina de Jesus.

Elenco de Segunda Chamada, série da Globo (Divulgação)

Durante décadas, abrigou também outros colégios particulares e, há aproximadamente 10 anos, está desocupada. Os alunos compartilham da mesma crença: a Educação é a ferramenta fundamental para conquistarem dias mais serenos. Mas, ao mesmo tempo, são também muito diferentes entre si. As salas de aulas da escola, lugar de esperança e de uma nova chance de vida para todos eles, vira palco também de conflitos e questões pessoais.

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Ao Observatório da Televisão, a atriz Débora Bloch, de 56 anos, fala sobre sua personagem, Lúcia, professora de ensino público. “Ela perde um filho que é adolescente ainda, tem uma história bem trágica. Esse filho estudava na escola. Ela fica um período afastada, para de dar aulas, e, quando ela volta, ela volta para o ensino noturno. A Lúcia se envolve com os alunos além da escola. Mas, é interessante porque, uma coisa que me chamou atenção quando eu assisti as aulas [durante a pesquisa para construção da personagem], quando eu fui visitar, eu vi o quanto essas professoras são comprometidas com com esses alunos. Todas que eu fui conversar, sabiam a historia de cada aluno e como cada um deles tinha chegado ali; são alunos que já não tiveram acesso à escola e à educação na idade que deveriam, na infância. Então, eles estão ali porque, de uma certa maneira, eles já carregam um certo fracasso de não ter podido estudar na idade certa“, salienta a atriz.

A fictícia Escola Municipal Carolina Maria de Jesus, de ‘Segunda Chamada’

Com 39 anos de carreira, Débora Bloch revela satisfação em fazer parte da produção, e destaca as marcas que Lúcia deixou em sua vida. “O assunto sobre qual estamos falando é de extrema relevância. Eu considero que a coisa mais importante numa sociedade, num país, é a educação. E são os professoras que vão nos formar e educar os nossos filhos, as crianças e os jovens, e, prepará-los para uma sociedade ética e civilizada. E este é um assunto que eu acho muito sensível, é um país tão grande e com tantas crianças fora da escola, com a educação de qualidade para poucos, são tantos os problema nessa área e com tão poucas politicas publicas com olhar pra isso. Tudo neste assunto me toca e me afeta”.

Linn da Quebrada está no elenco de Segunda Chamada (Reprodução).

A veterana deseja que a série ganhe relevância com o público e com autoridades. “Mesmo com tantas manifestações, você vê ainda pessoas defendendo esses desmontes. Acho que estamos vivendo exatamente a vitoria da ignorância, a vitória da nossa falta da educação, a vitória da falta de investimento na educação. São pessoas ignorantes sobre como se constrói uma sociedade. Não existe país sem educação, não existe nação, civilização sem educação e cultura, são dois alicerce de qualquer país civilizado“, rechaça ela sobre o descaso, perseguição e desvalorização com os profissionais da área.

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