Fantástico: o “Show da Vida” completa 45 anos no ar nos domingos da Globo

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Há 45 anos os fins de semana dos brasileiros se transformaram. Em 5 de agosto de 1973, a Rede Globo estreava o Fantástico, símbolo do domingo na TV. Talvez apenas Silvio Santos se iguale à revista eletrônica global no mesmo sentido, de representar esse dia da semana no universo televisivo.

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Segundo Boni, criador do Fantástico, “Show da Vida” era o nome inicial de trabalho do projeto, ainda em criação. “Fantástico” surgiu de um elogio do compositor e produtor musical Ronaldo Bôscoli à ideia. Juntaram-se os dois e estava batizado o novo programa. Nos anos 1970, o nome oficial do programa era mesmo Fantástico – O Show da Vida, e só depois ficou só Fantástico.

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A intenção era apresentar nas noites de domingo um programa que contivesse um pouco de tudo que a Globo fazia. Seja em dramaturgia, seja em jornalismo, esquetes de humor, musicais, entrevistas, reportagens especiais… Um projeto que envidava esforços dos departamentos de entretenimento e de jornalismo. Um mosaico dos diferentes pontos de interesse da vida humana, com um toque de esperança em dias melhores. Uma grande revista eletrônica, termo que se popularizou com os anos. A TV brasileira não apresentava nada nessa linha na época, e toda tentativa de fazer algo parecido esbarrará no desafio de não ser uma cópia do Fantástico.

Fantástico celebra 45 anos com nova abertura e séries especiais

Tadeu Schmidt e Poliana Abritta no Fantástico (Divulgação)

Os antecedentes: Chacrinha e Só o Amor Constrói

Anteriormente ao Fantástico, entre 1967 e 1972, as noites de domingo da Globo eram ocupadas das 20h às 22h pelo programa Buzina do Chacrinha. Em dezembro de 1972, após desentendimentos com a Globo, Chacrinha se transferiu para a Tupi. Assim, só voltaria à antiga casa em 1982.

No primeiro semestre de 1973 o horário foi preenchido por Só o Amor Constrói, cuja tônica era a de homenagear figuras de sucesso. Na estreia, o homenageado foi o ator Francisco Cuoco, que protagonizava a novela das 20h da casa, Selva de Pedra. Outros homenageados com uma rememoração de sua vida e origens foram Moacyr Franco, Sílvio Caldas, Dina Sfat e Nelson Gonçalves.

A década de 1970

Alguns crimes que abalaram a sociedade brasileira não podiam ficar de fora da pauta do Fantástico. Dessa forma, os assassinatos de Ângela Diniz em 1976 e de Cláudia Lessin Rodrigues em 1977 renderam assunto. A primeira foi morta pelo companheiro, Raul “Doca” Street, assassino confesso. Já no segundo caso o acusado foi Michel Frank, em casa de quem Cláudia fora vista pela última vez com vida. Os desdobramentos do caso do incêndio do Edifício Joelma, que ardeu em chamas em 1974 no Centro de São Paulo matando quase 200 pessoas, também mereceram atenção.

Entrevistas exclusivas feitas por Hélio Costa nos Estados Unidos marcaram época nos anos 1970. A saber, o ator Paul Newman, o músico George Harrison e Johnny Weissmuller, para sempre Tarzan, foram alguns dos entrevistados. Além disso, esquetes humorísticos com Chico Anysio e apresentações musicais, entre as quais os primeiros videoclipes brasileiros, também fizeram parte do Fantástico. Já na estreia, Marília Pêra e Sandra Bréa homenagearam duas estrelas falecidas no mesmo 5 de agosto, nos anos de 1955 e 1962. Marília relembrou Carmen Miranda, ao passo que Sandra, Marilyn Monroe.

Por certo, a ciência e suas descobertas para sanar graves problemas do homem sempre foram assunto do Fantástico. Foi assunto, por exemplo, o nascimento do primeiro bebê de proveta do mundo – a inglesa Louise Brown, que acaba de completar 40 anos. David Vetter, o garoto que vivia numa bolha de plástico desde o nascimento, isolado do mundo, foi assunto de diversas matérias de Costa. O grande massacre em Jonestown, na Guiana, onde mais de 900 pessoas se suicidaram lideradas pelo pastor Jim Jones, marcou os espectadores.

A década de 1980

Nos anos 1980, novas reportagens marcantes foram exibidas pelo Fantástico, apresentado por Celso Freitas e Sérgio Chapelin. Entre elas, podem ser destacadas a que relembrou os 10 anos do desaparecimento do menino Carlinhos, em 1983. Foi feita uma reconstituição dramatizada dos fatos e relembrados os possíveis Carlinhos que nesse ínterim haviam surgido. Os crimes do Cabo Bruno, policial militar que atuava como justiceiro na zona sul de São Paulo, foram assunto entre 1982 e 1983.

A corrida do ouro em Serra Pelada, a guerra Irã-Iraque, a retomada da democracia no Brasil, a campanha das Diretas… Os fatos mais importantes renderam cobertura jornalística de fim de semana e reportagens especiais. A conjuntura política mundial, com a Guerra Fria, foi ilustrada com entrevistas e matérias.

Anteriormente sucesso no rádio, sob comando de Almirante, o quadro Incrível, Fantástico, Extraordinário ganhou as telas no dominical. Narrado por Mário Lago e dirigido por Maurício Sherman, o quadro foi ao ar na década de 1980 com histórias sobrenaturais. Ainda, A Garota do Fantástico, concurso com belas e jovens candidatas que disputavam o título. Ali foram então revelados nomes como Paula Burlamaqui, Gisele Fraga e Luciana Vendramini.

A década de 1990

Uma das reportagens internacionais mais marcantes do Fantástico na década foi exibida em 1996. No Líbano, César Tralli contou a história de uma menina que, surpreendentemente, “chorava cristais”. Na verdade, ela conseguia inserir pequenos cacos de vidro nos canais lacrimais. Sem se cortar, ela “chorava” o que tinha inserido por si nos próprios olhos, ao comando do pai.

O ET de Varginha, o caso da Favela Naval – na cidade paulista de Diadema marcaram também. Ainda, as mortes de Ayrton Senna, dos integrantes do conjunto Mamonas Assassinas e da princesa Diana. Ademais, não se pode esquecer também o assassinato de PC Farias e os segredos desvendados pelo Mister M. O mágico mascarado revelava os truques por trás dos números mais famosos do ilusionismo.

Na década de 1990, o programa teve como apresentadores Valéria Monteiro, Celso Freitas, William Bonner, Carolina Ferraz, Helena Ranaldi, Sandra Annenberg, Fátima Bernardes, Dóris Giesse… A partir de 1996, Pedro Bial assumiu o comando. Em 1998 ele ganhou a companhia de Glória Maria.

Os anos 2000

Patrícia Poeta já apresentou diversos noticiários na Globo (Divulgação/TV Globo)

Os grandes acontecimentos, comportamento, curiosidades e entrevistas reveladoras seguiram como atrações garantidas do Fantástico. Em 2002, Pedro Bial assumiu o reality show Big Brother Brasil e, em virtude de sua nova função, Zeca Camargo o substituiu de vez a partir de 2007. Em 2008, saiu Glória Maria e entrou Patrícia Poeta em seu lugar.

Os anos 2010

Devido a números de audiência abaixo do esperado, foram feitas várias modificações no Fantástico a fim de renová-lo. Em 2011, Patrícia Poeta foi para o Jornal Nacional, em substituição a Fátima Bernardes. Em seu lugar entrou Renata Vasconcellos, que saiu em 2014 para ocupar a mesma vaga de Poeta, aliás, no Jornal Nacional. Hoje os apresentadores são Tadeu Schmidt e Poliana Abritta.

O Fantástico segue quase como um ritual do telespectador aos domingos, quando já se prepara para retomar a rotina semanal. A união de jornalismo e entretenimento permanece eficaz. Ademais, investir num ramo ou no outro apenas, na tentativa de concorrer, não parece ser totalmente garantido. Tanto que chegamos a esses 45 anos.

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