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Sai de Baixo estreava há 22 anos

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No dia 31 de março de 1996, estreava nas noites de domingo da Globo um dos programas humorísticos mais bem-sucedidos de sua história. Era o Sai de Baixo, sitcom gravada ao vivo no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, e que trazia no elenco Luís Gustavo, Aracy Balabanian, Marisa Orth, Miguel Falabella, Claudia Jimenez e Tom Cavalcante.

Sai de Baixo se passava num cenário único, o apartamento de Vanderley Mathias, o Vavá (Luís Gustavo). Solteirão convicto, ele vivia de farras e curtição em sua casa, localizada no Largo do Arouche, em São Paulo, sempre acompanhado de sua empregada, a desbocada Edileuza (Claudia Jimenez), e Ribamar (Tom Cavalcante), o porteiro e faz-tudo do Arouche Tower. A vida de Vavá muda quando ele é obrigado a abrigar sua irmã, Cassandra (Aracy Balabanian), e o casal Magda (Marisa Orth) e Caco Antibes (Miguel Falabella), filha e genro dela. Os três viviam em meio ao luxo numa grande mansão, mas perdem tudo e são obrigados a se mudar para o Arouche.

Vavá, então, se vê tendo que sustentar toda a família de parasitas que se instala em sua casa, local que também abriga a Vavatur Turismo, empresa de Vavá. Mesmo falidos, os parentes de Vavá não perdem a pose, querendo sempre viver desfrutando do bom e o melhor. Cassandra, viúva do Brigadeiro Salão, é uma mulher rabugenta e esnobe, que vive a destratar Edileuza e Ribamar. Já Caco é um trambiqueiro, acostumado a dar tudo quanto é tipo de golpe, e sempre rouba o cartão de crédito de Vavá para comprar seus ternos italianos. Ele, que se intitula um “nobre dinamarquês”, tem verdadeiro “horror a pobre!”. Magda, sua esposa, é uma mulher um tanto burra, que sempre recita errado seus ditados populares. Ninfomaníaca, ela mantém com o marido uma vida sexual intensa, na qual se destaca a misteriosa posição do “canguru perneta”. E assim, Vavá, Edileuza e Ribamar passam a armar várias situações para tentar expulsar Cassandra, Magda e Caco do apartamento, mas nunca conseguem.

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Nos episódios, era comum o improviso dos atores e a constante interação com a plateia. Não raro, os atores riam em cena, ou esqueciam fala, além de pregarem peças uns aos outros. Era comum, por exemplo, Luís Gustavo cair na gargalhada cada vez que Miguel Falabella começava a falar com seu inglês peculiar. Falabella, aliás, adorava pegar no pé de Aracy Balabanian, chegando a narrar as “aventuras sexuais” da atriz, por meio do seu “Dossiê Aracy Balabanian”. Além disso, os atores, muitas vezes, viviam outros personagens em cena. A mais famosa era Dona Caca, mãe de Caco, também vivida por Falabella, uma mineira de Carmo do Rio Claro que “não respeitava pavê”.

Sai de Baixo foi idealizado pelo ator Luís Gustavo, que levou ao diretor Daniel Filho a ideia de fazer um programa de humor aos moldes da Família Trapo. Inicialmente, o programa foi oferecido para o SBT (e Hebe Camargo era cotada para dar vida à Cassandra), mas o canal de Silvio Santos recusou. A Globo apostou no projeto, no intuito de lançar um programa popular nas noites de domingo que fosse capaz, justamente, de recuperar a liderança de audiência no horário, perdida para o Topa Tudo por Dinheiro. E deu certo! Sai de Baixo conquistou o público da Globo, passou a liderar a audiência e se tornou uma verdadeira febre.

Com o sucesso, começaram também as fofocas acerca da briga de egos de seu elenco repleto de estrelas. Neste contexto, houve a primeira baixa do programa: Claudia Jimenez deixou a atração no final do primeiro ano. Na época, a atriz teve problemas com o redator-chefe da atração porque ela questionava a qualidade do roteiro de alguns programas, e chegou a ficar incomodada com as piadas em excesso sobre suas formas acima do peso. Em entrevista ao site Ego, em 2016, Claudia afirmou que não deveria ter agido de modo tão intempestivo. “Saí do programa por causa da minha imaturidade. Eu era ingênua e levava tudo muito a ferro e fogo. Hoje jamais teria me preocupado com esse tipo de coisa”, disse.

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Com a saída de Claudia Jimenez, a produção do Sai de Baixo tinha um pepino e tanto para resolver, afinal, o programa perdia uma de suas personagens mais populares. Assim, muito se especulou sobre quem substituiria Edileuza no programa. Após muitos boatos, foi anunciado que a atriz gaúcha Ilana Kaplan entraria no elenco no segundo ano do Sai de Baixo, vivendo a nova empregada Lucinete. Porém, em cena, Lucinete não apresentou química com os demais personagens da atração, e a passagem da atriz pelo programa foi curta. Um mês após sua estreia, foi substituída por Márcia Cabrita, que deu vida à divertida empregada Neide Aparecida.

De volta aos trilhos, Sai de Baixo chegou a ter um episódio exibido ao vivo. Foi na estreia da terceira temporada da atração, em 1998, que o episódio “Toma que o Filme é Teu”, que satirizava o filme Titanic, foi exibido em tempo real. A apresentação tornou-se um evento de gala, com uma plateia de convidados e com direito a entradas da repórter Renata Ceribelli, que aparecia entrevistando famosos que assistiam ao programa nos intervalos.

No ano seguinte, Sai de Baixo voltou a ter problemas com seu elenco. Incomodado com a demora no desenvolvimento de seu projeto solo, o Megatom, Tom Cavalcante pediu para sair do programa ao vivo, durante a gravação. O comediante acabou suspenso por um período, até deixar o humorístico de vez. Na mesma época, a gravidez de Marisa Orth faz surgir um novo personagem: Caquinho, filho de Caco e Magda. Inicialmente representado por um boneco animatrônico, Caquinho depois “cresce” e passa a ser vivido pelo garoto Lucas Hornos.

Em 2000, o programa lança nova mudança, na tentativa de recuperar o fôlego perdido com os anos. Veio, então, a ideia de mudar o cenário: sai o apartamento de Vavá, entra o restaurante Arouche’s Place. Com a mudança, surgiram dois novos personagens, Pereira (Ary Fontoura), sócio do estabelecimento, e Ataíde (Luiz Carlos Tourinho), seu secretário particular. A nova ambientação, no entanto, não funcionou, e o programa voltou a se passar no apartamento de Vavá depois de oito episódios. Pereira e Ataíde seguiram, já que o velho sovina se casa com Cassandra e passa a viver com a família. No mesmo ano, Márcia Cabrita engravida e Neide Aparecida deixa a série, sendo substituída por Sirene, personagem que Claudia Rodrigues já vivia na Escolinha do Professor Raimundo, na época um quadro do Zorra Total. Quem também deixa a série é Lucas Hornos, e Caquinho vai estudar num colégio interno.

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Em abril de 2001, foi lançada a temporada derradeira do Sai de Baixo. Pela primeira vez, o programa tem cenas gravadas em externas, no primeiro bloco do primeiro episódio, que mostra a família em fuga nos EUA após aplicar um golpe. Pegos pela polícia, eles retornam ao apartamento. Ary Fontoura deixou o elenco, mas Luiz Carlos Tourinho permaneceu, e Ataíde se tornou o novo porteiro do prédio. Neste ano, Sai de Baixo chegou a deixar a grade em razão da exibição do reality show No Limite, voltando no final do ano e seguindo no ar no início de 2002. Seu último episódio foi ao ar em 31 de março de 2002.

Depois disso, o elenco do humorístico voltou a se reunir em 2013, num revival promovido pelo canal Viva para celebrar o aniversário da emissora, que exibe reprises de Sai de Baixo desde o seu lançamento, sempre com sucesso. A temporada especial deu tão certo que foi exibida, também, pela Globo. Já em 2017, a Globo também começa a reprisar Sai de Baixo nas tardes de sábado. O repeteco segue no ar.

Agora, já existe, também, o projeto de um filme de Sai de Baixo. Com roteiro de Miguel Falabella, a produção deve reunir todo o elenco principal. Márcia Cabrita foi convidada, mas a atriz faleceu antes das filmagens. Assim, Claudia Jimenez topou reviver Edileuza na produção, que também trará de volta o porteiro Ribamar, de Tom Cavalcante. O filme deve ser rodado este ano.

No roteiro de Sai de Baixo, passaram nomes como Miguel Falabella, Rosana Hermann, Maria Carmem Barbosa, Lícia Manzo, Flávio de Souza e Euclydes Marinho, entre muitos outros. Daniel Filho, Dennis Carvalho, José Wilker, Jorge Fernando e Cininha de Paula passaram pela direção.

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