A problemática novela Antônio Alves, Taxista, do SBT, terminava há 21 anos

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No dia 10 de agosto de 1996, o SBT exibia o último capítulo da novela Antônio Alves, Taxista, uma das tramas mais problemáticas e de triste lembrança da história da emissora. Escrita por Ronaldo Ciambroni, sob a direção de Marcelo Travesso, a trama era inspirada na argentina Rolando Rivas, Taxista, de 1972, de autoria de Alberto Migré. Fábio Jr vivia o protagonista do título e contracenava com a estreante Guilhermina Guinle, na época sua esposa.

Antônio Alves, Taxista contava a história de Tony (Fabio Jr), um taxista e aspirante a cantor de Florianópolis que recebe um convite de um empresário para trabalhar em São Paulo. Na nova cidade, ele conhece Mônica (Guilhermina Guinle), uma jovem que ele busca na escola, e que, descontrolada, se joga do táxi dele. Ele a leva ao hospital e os dois acabam se envolvendo. Entretanto, Tony acaba se envolvendo também com outras mulheres, como Tereza (Eliete Cigarini), de quem se torna noivo, e a vilã Claudine (Branca de Camargo). Claudine e Tony se conhecem quando ela foge debaixo de chuva, vestindo apenas uma capa. É que ela é amante de um ministro de Estado, e acaba flagrada pela mulher do figurão e, para se safar, não tem nem tempo de colocar a roupa. Para completar a situação, Claudine é nada menos que a madrasta de Mônica, e a maltrata muito.

No elenco, estavam ainda Paulo Figueiredo (Humberto Dantas, marido de Claudine), Elaine Cristina, Murilo Rosa, Serafim Gonzalez, Rodrigo Faro, Daniela Camargo, Rubens Caribé, Débora Olivieri, Edney Giovenazzi, Antônio Abujamra e Rosaly Papadopol, entre outros.

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Antônio Alves, Taxista estreou no dia 6 de maio de 1996, num dia atípico da programação do SBT. Isso porque a emissora de Silvio Santos resolveu reformular a grade e passou a exibir três novelas nacionais simultaneamente. Assim, naquele dia, estreava às 18 horas a novela Colégio Brasil e, às 21h, a novela Razão de Viver. Antônio Alves, Taxista era a atração da faixa das 20 horas, e tinha seu capítulo reprisado às 21h30. Era uma prática comum no SBT  na época exibir um mesmo capítulo de novela duas vezes ao dia: o capítulo inédito ia ao ar sempre após a novela das sete da Globo, enquanto a reprise acontecia após a novela das oito da concorrente.

Para concretizar o ambicioso plano de ter três horários de novelas nacionais, o SBT partiu para parcerias e coproduções. Colégio Brasil era produzida pela JPO, enquanto Razão de Viver era gravada no próprio SBT. Já Antônio Alves, Taxista era produzida em parceria com o Canal 9, rede televisiva argentina, e era gravada nos estúdios da Ronda Studios, em Buenos Aires. Assim, todo o elenco da trama precisava viajar regularmente para a capital da Argentina.

A novela, uma grande aposta do SBT, teve vários problemas. Os empecilhos começaram ainda nos bastidores, quando a atriz Sônia Braga desistiu da produção. Antônio Alves, Taxista marcaria a volta da atriz às novelas brasileiras, das quais estava afastada desde Chega Mais (1980), da Globo. Sônia viveria Odile, a vilã e amante de Tony, e estava empolgada com a participação na trama. Em entrevista ao jornal O Globo, de 17 de março de 1996, ela falou que aceitou o convite porque gostou da personagem. “Odile Brunet, adora dinheiro, mas Sônia, nem tanto”, disse, revelando ainda que a achava parecida com a Júlia, de Dancin’ Days.

Sônia Braga chegou a gravar as primeiras cenas como Odile, mas acabou abandonando intempestivamente a produção, reclamando da baixa qualidade do texto da novela, que vinha com erros e muitos clichês dos dramalhões dos anos 1960, que não faziam mais sentido. Assim, a Ronda Studios resolveu fazer algumas mudanças radicais na tentativa de exorcizar o impacto do incidente. Trocou o nome da personagem para Claudine, e passou o papel para Branca de Camargo. A princípio, Branca seria a boazinha Natália e havia aceitado participar da trama apenas pela presença de Sônia no elenco. Por isso, exigiu que seu contrato fosse de apenas três meses, prorrogáveis por mais três. Depois, se viu sem Sônia e com um grande aumento de trabalho ao ter de assumir a personagem dela, incluindo aí todas as cenas que precisaram ser regravadas.

Quando estreou, Antônio Alves, Taxista foi metralhada pela crítica especializada. Entre as principais críticas estavam os erros de continuidade da trama, além dos erros grosseiros no roteiro. A trama desatualizada, reclamação de Sônia Braga, também apareceu na análise dos críticos, que também ressaltaram a má qualidade técnica da obra, com takes de câmera convencionais e burocráticos, além da iluminação precária, que davam à novela um ar de produto antigo.

A expectativa do SBT era que Antônio Alves, Taxista alcançasse um resultado entre 15 e 20 pontos no Ibope. A trama, no entanto, ficou em torno dos 10 pontos, e foi considerada um insucesso. Com tantos empecilhos, a história acabou sendo encurtada, saindo do ar depois de 82 capítulos. Sua substituta na grade de programação foi a mexicana Maria Mercedes, fazendo o SBT voltar a exibir novelas mexicanas no horário nobre e, ainda, abriu caminho para a “trilogia das Marias”, novelas de sucesso protagonizadas pela estrela Thalía.

Uma curiosidade: em 2006, o SBT exibiu a novela mexicana Mundo de Feras, cujo roteiro era uma fusão das novelas Mundo de Fieras, Pasión y Poder e Rolando Rivas, Taxista.

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Relembre a chamada do SBT que anunciava a estreia de “três novelas de uma vez”, apresentada por Marília Gabriela:

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