Werner Schünemann revela desejo para seu personagem em Tempo de Amar: “Quero que ele se acerte com a Celeste”

Publicado há 3 anos
Por Paulo Henrique Lima
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

O ano era 2003, e um rosto novo aparecia na televisão: era Werner Schünemann, o ator que viveu Bento Gonçalves em A Casa das Sete Mulheres, hoje interpreta o Conselheiro Francisco em Tempo de Amar. Na trama, seu personagem se divide entre a esposa doente, e a amante, que também descobriu ter uma enfermidade. Este foi um dos temas do nosso bate papo com o gaúcho que revelou seus projetos para 2018 e o que deseja para o final do Conselheiro. Confira:

Leia também: “Já perdi trabalhos por causa da aparência”, revela Pedro Carvalho

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Como que está sendo participar da novela Tempo de Amar

Olha, essa novela tem uma repercussão muito boa, uma novela muito bonita e um personagem muito bonito. Estou muito satisfeito com a repercussão evidentemente, mas, eu gosto muito de fazer um personagem tão integro e tão dedicado aos outros como é o Conselheiro Francisco. É uma coisa um pouco nova, trabalhar um personagem, vamos dizer assim, tão do bem, né? Mas é muito legal fazer isso, e está tendo um retorno sensacional. Essa relação com a Celeste (Marisa Orth), tem uma reação tão positiva do público e das pessoas, uma torcida tão grande por esse amor, né? Tempo de Amar é realmente um belo tempo.

Fale um pouco do seu visual na novela?

Barba, cabelo, todas essas coisas foi tudo para a novela. O pessoal da maquiagem é de primeira, eles são incríveis.

O seu personagem tem duas mulheres, a oficial e a amante. Você acha que teve sorte ou azar?

Poxa, essa pergunta é muito difícil de responder, se ele teve sorte ou azar, mas é uma tristeza, é uma coisa trágica o que aconteceu com a mulher dele, que teve um colapso nervoso, não sabemos exatamente como que é, ela fica catatônica e ausente pelo resto da vida, o que podia ser assim, como é em parte uma colisão pra ele, podia ser. Ele ficou alguns anos em grande tristeza e depressão dedicado àquela mulher, até conhecer a Celeste Hermínia, que é uma espécie de começar de novo, uma segunda chance, né? Eu acho muito bacana, muito legal, que ele não cogite se afastar daquela mulher doente com quem ele viveu tantos anos. Eu acho muito legal isso, ele podia bota-la no hospício, não é? Não, ele fica com ela em casa, cuida dela, conversa com ela, deita na cama dela, então, parece uma coisa um pouco bígama, mas na verdade, a alternativa que ele tinha antes era deixar ela lá, ou então não se relacionar mais com outra pessoa. Eu acho que essas duas coisas não têm muito a ver com a vida da gente, acho que a vida da gente tem que ser mais positiva.  Eu admiro muito a atitude desse personagem, ficando lá com a mulher, a Odete, naquele estado, quer dizer, na verdade, ele não tem uma mulher, se eu fizer uma listagem de coisas de ‘o que é ter uma mulher’, ele não tem nada, nenhum dos itens da lista, mas mesmo assim, ele sentiu na obrigação moral, na obrigação cristã, de não jogar aquela pessoa, foi a pessoa que ele escolheu pra viver a vida toda, não deu certo. Mas fez essa escolha, e agora ele conhece a Celeste Hermínia, e ele fica encantado, fica completamente derretido e tenta administrar as duas coisas. A Celeste também é muito legal, porque a Celeste sabe disso e aceita que esse homem por quem ela se apaixonou, vem com esse problema, esse é um pacote inteiro.

A Odete passa a impressão de que está sabendo de alguma coisa e que vai revelar. Conta um pouco sobre isso…

Será? Você tem essa impressão? (Risos). Como espectador, eu acho que ali tem, mas não posso revelar mais nada, se não perde a graça. O Alcides Nogueira está tão adiantando, que a gente está com o capítulo 50 no ar, e nós já estamos com o capítulo 100 em casa, então, a gente já sabe muito a frente a história, mas algumas coisas são misteriosas, inclusive para nós.

O personagem sabe o motivo da Odete ter ficado nesse estado de saúde?

Sim, nós sabemos e o público também já foi informado que quando nosso filho nasceu morto ( há 18 anos), era nosso primeiro filho, depois disso, ela pira. Não volta mais, nunca mais.

Seu personagem em Tempo de Amar, agora tem duas mulheres doentes. O caso da Celeste é de morte?

É um caso grave, nós temos na época uma medicina muito mais condimentada do que a nossa atual, inclusive, para fazer diagnósticos. Então, o caso do jeito que ela tem pra nós, não está muito claro, de verdade, mas como que a medicina diagnóstica isso, não é? A minha avó, por exemplo, a mãe do meu pai, lá nos anos 40, morreu por um problema de estômago, o que ela tinha era um câncer no pâncreas, mas não se sabia diagnosticar naquela época, pronto, toda família passou a cuidar de comida (Risos), comendo mal. Não podia comer coisa gostosa que fazia mal para o estômago. Tem essas coisas, né? Então, tem muito isso de que tipo de diagnóstico é possível fazer na época, mas o Alcides vai deixar tudo bem claro na medida do possível. Mas veja só: Você disse “sorte ou azar?”, na verdade, ele acabou estando com uma segunda mulher que tem uma doença grave.

Quais os projetos para 2018?

Provavelmente vou fazer teatro ano que vem. Tem sempre filmes, tem dois, três filmes, mas a gente não sabe. Que há duas novelas atrás, eu já devo ter dito do mesmo filme que está sendo protelado, que é um filme grande, uma coprodução nos países europeus, então, eu estou sempre… E, eu vou fazer teatro ano que vem, vou fazer alguma coisa com dois textos, que ainda estou escolhendo, talvez monte os dois e faça tipo chá de repertório, que você viaja e faz um dia, no outro dia a outra, pode ser que eu faça uma coisa assim, e de qualquer maneira, eu quero ter uma atividade maior do que o ano passado, que eu fiquei um pouco esperando o próximo trabalho na TV e isso demorou para acontecer,  e eu fiquei engatado assim, essa vez quero rapidamente em março começar a trabalhar. Estou fazendo reuniões agora já.

A Casa das Sete Mulheres foi um divisor de águas na sua vida, você veio e ficou, né? 

Foi! Eu vim para a TV Globo para fazer A Casa das Sete Mulheres, e nunca mais saí daqui. Tenho feito uma média de uma novela por ano, né? Essa é a média, desde lá. Acho que são 14 anos, e eu fiz 14, entre novelas e minisséries nesses anos.

Você teve dúvidas em relação a carreira de ator?

Lá no início,  foi, mas eu descobri que o que eu mais gosto na minha profissão é fazer novela. Eu acho um desafio muito maior que no teatro, porque no teatro, essa coisa de ensaiar durante, contra o tempo, torna tudo muito mais, a gente sabe exatamente o que está ao nosso alcance como ator. No cinema, tudo é montado numa minuciosidade, tudo muito minucioso para que você faça um super trabalho. E na televisão, é algo que depende muito de você mesmo, muito da minha maneira de administrar, das minhas próprias ferramentas de trabalho, da minha artesania, como diria em espanhol, capacidade de criar, de ser ator. E é o que me dá prazer de fazer, cada vez que eu acho que venci o desafio, são dois ou três por dia, me dá aquela sensação de: “Ô, que legal”. É isso!

O que você deseja para o seu personagem?

É muito difícil de responder isso, mas saber o que eu desejo para o meu personagem? Que ele acerte as coisas com a Celeste.

O que você espera de 2018, para você? Você gosta de comemorar as festas de fim de ano?

É uma coisa, que depois que as crianças crescem, Natal não tem mais graça nenhuma. Só tem graça com criança pequena, nem na família tem criança pequena, e você vai lá onde elas estão pra curtir o Natal. É legal! E os constrangimentos familiares, né? Se você vai aqui, não foi lá, se vai lá, não foi aqui, aí tem uma turma lá que não pode se reunir porque não se dão, toda essa coisa assim. Eu queria para 2018, sabe o que eu queria? Queria que, na verdade, não vai acontecer, né? Eu tenho uma grande ansiedade de que se interrompa esse processo crescente de ódio que nós temos na sociedade brasileira, de todos os lados, pra lá e pra cá, de todas as facções, sabe? Agora eu estou envolvido que meu time está jogando a Libertadores, sabe? É um negócio tão legal, agora não vale a pena levar isso de uma forma grandiosa, sejam os contras ou a favores, porque entre as coisas sem importância, futebol é a mais importante delas, mas dentre as coisas de importância, e política e esse fundamentalismo religiosos,  podem estar na lista das coisas mais importantes nessa vida. Por isso que eu disse que o conselho desejaria paz ao conselheiro, muito mais, felicidade é decorrente de paz, se não tiver paz, não é nada que vale, tudo é tensão, tudo é conflito, tudo é angustia, e aí não adianta ser feliz, tem que ter paz.

2017 foi bom para você?

Esse ano foi bom, está sendo muito bom, tudo. Eu adoro esse personagem, então, é um ano que eu já fui presenteado. Vamos ver o que me reserva para o ano que vem.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio