Walcyr Carrasco, autor de O Outro Lado do Paraíso fala sobre seu processo criativo: “Minha emoção vai me ditando”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Walcyr Carrasco é o nome por trás da próxima novela das 21h, O Outro Lado do Paraíso. O autor que já assinou outras novelas de sucesso como Alma Gêmea, Viver a Vida, e Verdades Secretas com a qual venceu o Emmy Internacional em 2016, esteve no evento de lançamento da nova trama, e conversou com o Observatório da Televisão sobre a expectativa acerca da atração:

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Sua novela vai vir com uma expectativa muita alta devido ao sucesso de A Força do Querer. Vínhamos de novelas com resultados baixos, o que afetou as revistas populares e agora houve essa mudança. O que você acha?

Eu não acho nada. Eu estou contando a história que quero contar, com todo o amor e toda a emoção. Isso que eu tenho que achar, olhar para a minha história com amor e não pensar nessas coisas.

Você já deu uma entrevista falando que não tem receita para o sucesso. Você acredita que o sucesso das suas novelas é devido à emoção que você passa para o texto?

Assim como a Gloria Perez, que é uma autora fantástica que tem uma antena que capta as emoções do mundo, eu também luto para ter essa antena. Para tentar perceber o sentimento das pessoas, o coração das pessoas. Os assuntos que me tocam talvez sejam os mesmos que toquem as pessoas. Acredito nessa antena do autor.

O público de hoje não é mais o mesmo de antigamente, até mesmo pela questão das redes sociais…

Não tenho a menor preocupação com isso porque eu sou um autor, estou aqui com a minha emoção, e o público ou eu toco ou não toco, talvez um dia eu pare de tocar porque estou envelhecendo e tem outras gerações vindo aí. Por outro lado, eu sou ativíssimo com redes sociais, de certa maneira estou brincando lá e talvez isso me bote em conexão com essas pessoas. Eu não sei como elas mudaram, porque não estudo isso. Eu não sou um teórico, sou um criativo.

Você falou que é ativo nas redes. Você já usou algum personagens surgido nas redes sociais em suas novelas?

Não, pelo contrário. Meus personagens que acabam indo parar nas redes sociais.

Em Amor à Vida, você usou desfechos de trama ao longo da novela. Você pretende fazer a mesma coisa?

Não tenho a menor ideia. Na verdade eu não planejo a novela. Eu vou escrevendo 1 capítulo por dia de acordo com o que a minha emoção vai ditando. Meio que incorporo os personagens, então o que vai acontecer, acaba acontecendo sem um planejamento.

No material de divulgação diz que você se inspirou em alguns contos clássicos…

Não. Me inspirei basicamente na estrutura do romance clássico.

No momento que se fala tanto sobre empoderamento feminino, sua novela tem personagens muito fortes. Você pode falar um pouco sobre esse empoderamento?

Eu sinto hoje e isso é muito forte para mim, que a gente ainda não chegou lá em relação a questão da mulher. O número de mulheres espancadas e assassinadas até pelo companheiro, é gigantesco. E não estou falando apenas de mulheres de classe baixa, às vezes mulheres de classe média e alta, então sinto que não chegamos lá. Esse assunto me toca profundamente. Entrei em contato com uma ONG de Brasília e estudei a questão porque como eu não sou nenhum espancador digamos assim, eu queria saber toda a sequência que um homem faz para ir tomando este poder sobre a mulher, e essa ONG me ajudou bastante. Me disseram que a mulher acaba recuando a ponto de deixar que a destruam, e eu quis mostrar isso na história do Gael (Sérgio Guizé).

Outra trama polêmica é a da personagem Estela, que nasceu com nanismo. De onde surgiu essa ideia?

Eu quis tocar nisso porque quando eu era criança, minha mãe tinha uma amiga que tinha dois sobrinhos, um menino e uma menina. A menina era anã e o menino não. E eu acompanhei a vida dessa menina, que inclusive se casou 3 vezes, com homens anões e homens não anões. Comecei a pensar: “Poxa vida, é difícil ser anão, porque você não consegue usar um banheiro público por exemplo”. Como é um tema que acredito que nunca tenha sido discutido antes, eu quis falar sobre.

Você disse que se não se preocupa com a mudança do público, mas você não se preocupa com a audiência ou com as redes sociais?

Eu adoro as redes sociais, adoro colocar coisas no Instagram, inclusive divulguem meu Instagram porque adoro ter seguidores. Um autor não pode escrever pensando em números e sim na emoção dele, senão ele que vá trabalhar em marketing.

Você repete Marieta Severo, Grazi e Sérgio Guizé. Como é essa parceria entre ator e autor.

Quando um ator faz um trabalho que me apaixona, naturalmente eu quero ter de novo esse trabalho. O Guizé me apaixonou em Êta Mundo Bom, a Bianca Bin também, há atores que admiro muito de muito tempo, como a Fernanda Montenegro, o Lima Duarte, a Gloria Pires, com quem vou trabalhar pela primeira vez, e juntou tudo isso.

Essa coisa sobre “Tudo o que vai, volta”, é vingança ou tem algo mais?

Vingança. A lei do retorno é vingança, mas tem que assistir para ver.

*Entrevista feita pela jornalista Núcia Ferreira. 

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