Vivendo ex-ator pornô em Verão 90, Humberto Martins fala sobre ensaio nu: “Não me arrependo”

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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O ator Humberto Martins está prestes a retornar às novelas em Verão 90Intérprete de Herculano na trama escrita por Izabel de Oliveira e Paula Amaral, seu personagem vai causar bastante na história. Herculano é um ex-ator de pornochanchada, que almeja ser um diretor de cinema renomado.

Conhecido como Herculano Gatão, no passado, ele terá uma grande rivalidade com Lidiane (Claudia Raia), ex-atriz com quem trabalhou. Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, Humberto Martins fala sobre o desafio de estar em uma obra como esta, relembra seus anos de galã dos anos 90 e dá detalhes de Herculano. Confira:

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Como surgiu o convite para o papel de Herculano?

“Este convite surgiu no estacionamento da TV Globo, quando eu encontrei o Jorge Fernando saindo do carro dele”.

Como foi o processo de construção e composição do personagem?

“Acho que o Herculano é um sobrevivente da arte. É um cara que, no passado, foi muito engajado no cinema brasileiro, na função de cineasta. Ele foi bem entrosado dentro da Embrafilme. O que ele fez por causa de dinheiro, foram os filmes com a Lidiane, os filmes pornôs. Isso tudo é contado com graciosidade e comédia. Nada é indecente, não tem nada disso. Ele parte para a ideia de ser um cineasta conceitual, e tem um pensamento por trás. Só que as dificuldades fazem ele ir para caminhos tortuosos. Quando ele consegue o momento dele, vem o governo Collor e tira o dinheiro que ele tinha em uma poupança”.

Humberto Martins foi galã das novelas nos anos 90

Ele encontra o amor da vida dele, por um acaso, no hospital. Como vai ser essa questão?

“Sim, é a Janaína (Dira Paes). Ele vem de um casamento com a Gisela (Débora Nascimento), que gosta de homens mais velhos. O que não significa nada fora do comum, e isso existe. Herculano é um cara marrento, ele se acha, mas tem um orgulho muito grande. Ele não quer depender de ninguém. E quando ele acha essa paixão, ele vê que começa a ficar atrapalhado pelas armações da família Ferreira Lima, que impõe, que manuseia, que conduz, mais ou menos, a relação.

Eles querem que ele fique com ela [Gisela] para controlá-la, equilibrá-la, é aí então que ele se sente infeliz. E ele decide romper com tudo o que ele pode ter como emprego. E para ficar mais difícil pra ele, ele vai para um lugar bem debilitado de vida”.

Você foi um galã dos anos 90. Foi um boom como protagonista. Como você enxerga essa sua fase e o que trouxe de bom pra você?

“Essa década foi uma dureza fazer os personagens como eram, da maneira que era. A TV Globo hoje é muito mais organizada. Era uma coisa muito dolorosa para mim, a gente trabalhava muito. Mas em cima disso, a compensação vinha. Com todo o carinho em todos os trabalhos que eu fazia de teatro, bailes de debutantes e muitas outras coisas”.

O ator fala sobre politicamente correto e suas interferências na sociedade moderna

“Eu senti o carinho e fervor do público para comigo. Sou muito grato, eu acho que era uma época onde a gente tinha muito mais liberdade que hoje. Não tinham esses aparelhos que toda hora a gente pode ser filmado e fotografado. A pessoa que não tem uma vida pública, já fica receosa em ser filmada, imagine para nós, atores.

Não que fosse fazer algo de errado, mas não havia essas paranoias. A gente tinha muito mais liberdade de expressão, uma vez que, com o politicamente correto de hoje em dia, as pessoas estão perdendo a esportiva. Eu falava ‘negão’, que é um termo da marinha. Como eu era velejador eu chamava todo mundo de ‘negão’. Hoje em dia você não pode falar isso. Se for um cidadão negro, isso já está entranhado dentro da cultura que vem nascendo com ele de que isso é politicamente incorreto, que ninguém pode fazer isso. E ninguém faz isso com a intenção nenhuma.

A gente podia se sacanear à vontade que a esportiva era legal. Não tinha esse ‘mimimi’ todo. Você não pode dar uma cantada, você não pode porque é assédio. Como que as pessoas vão ficar com as pessoas? As pessoas que recebem um elogio ou uma expressão de vontade de tê-la, principalmente por parte das mulheres, já acham que isso é uma agressão. Não para mim, já tenho uma idade que não vou fazer um negócio desse”.

“Sou muito grato a toda minha história de carreira até aqui”

“Eu sempre percebi o sinal verde, a mulher sempre mandou nisso. Mas criar esse estigma ‘fulano passou a mão no meu cabelo meio assim’, e processa e tal… Parece que as pessoas estão querendo ganhar dinheiro em cima de uma coisa de expressividade, de natureza. Claro, você não vai passar a mão na bunda, isso é uma indecência, é outra história”.

Seu personagem fez pornochanchada. Você, no caso posou nu. Em algum momento se arrependeu de posar nu?

“Nunca. Não foi pra nenhuma G Magazine e tiveram dois contextos. O primeiro contexto da primeira revista, o texto foi feito por mim, foi tudo feito por mim. Eu [na época] saía com veleiro, que eu até hoje. Ainda tenho aquele barco, e eu realmente ficava nu nas imensidões do mar, nas ilhas. Óbvio que eu ia mergulhar nu, afinal estava no meio do nada e não tinha ninguém vendo.

Da segunda vez posei depois de muitos pedidos. Não era frontal. E teve Uga-Uga, que tinha o contato e convívio com a proteção ambiental dos índios e cultura deles, e a gente comprava a briga deles, tinha o Brasil 500 anos, e foi pra uma revista que estava se lançando, a Íntima, que era do Marcos Salles, que hoje é presidente do jornal O Dia“.

“Financeiramente foi muito positivo”, diz Humberto Martins sobre ensaio nu

“Ele [Marcos Salles] é um cara que tem boa visão das coisas e entendeu tudo. E hoje tem as mulheres que posam nuas em suas próprias redes sociais, não precisa de convite de nada. Eu pensei na época, eu sou galã, estou fisicamente bem, por que não vou fazer? E financeiramente foi muito positivo. Até hoje elas falam e comentam no Instagram: ‘Eu tenho sua revista’. Sou muito grato a toda minha história de carreira até aqui, que me fez ser quem eu sou hoje. E o público que faz isso. Eu sempre trabalhei com o público e meu objetivo sempre foi o público”.

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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