Vencedora da categoria jornalismo do Melhores do Ano, Sandra Annenberg afirma: “Não estou acostumada a ser a notícia”

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Sandra Annenberg foi uma das vencedoras do Troféu Melhores do Ano, do programa Domingão do Faustão. A entrega do prêmio aconteceu no último domingo (09). A jornalista que está à frente do Jornal Hoje conversou com o Observatório da Televisão, e falou sobre a sensação de ter vencido mais uma vez a categoria jornalismo.

Considerada apresentadora do povo, ela se divertiu com o título e afirmou que se sente feliz pelo reconhecimento sobretudo numa profissão tão difícil. Ela ainda explicou como surgiu a ideia do figurino que usou durante o programa. Confira:

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Você está repetindo esse ano. Só ganhando troféus no Melhores do Ano

“Cada troféu é diferente. Cada ano é completamente diferente. Acho que esse foi um dos anos mais difíceis da minha vida. Não só profissionalmente desafiador, mas pessoalmente também não foi muito fácil, então tem um sabor especial, porque você percebe que há reconhecimento apesar de toda a dificuldade. Não só eu passei, mas todos nós passamos. Para o Brasil foi um ano de muito desafio. Fomos testados nos nossos extremos literalmente. As pessoas todas estavam extremamente polarizadas, e o convívio foi muito difícil. As relações estavam estremecidas, e acho que agora talvez consigamos olhar para a frente e pensar que juntos podemos melhorar. Mais do que nunca as pessoas precisam parar de pensar no próprio umbigo e olhar um pouquinho para todos os lados, e ajudar, porque senão não sairemos do lugar. Esse troféu tem um gosto especial por isso.”

Notícia do ano

Tem alguma notícia que você tenha se emocionado bastante?

“Diariamente o volume de notícias é tão grande, que por dia posso te dizer várias. Tivemos a lava-jato que está na quinquagésima sétima edição, tivemos uma cobertura de copa do mundo que foi muito intensa, foram 40 dias na Rússia, um país distante, diferente e complexo. Tivemos uma cobertura de eleição muito delicada, então não sei destacar apenas uma notícia. A violência aumentou muito e isso é assustador. A falta de respeito e tolerância também”.

Para amenizar, você está linda. Conte para a gente a história desse vestido.

“Eu fui uma das 30 mobilizadoras do Criança Esperança esse ano. E cada mobilizador tinha a missão de levar a notícia que aquela instituição, associação ou projeto, tinha sido selecionada para receber a ajuda do Criança Esperança. Fui a três instituições, uma delas a ACESA Capuava, em Valinhos (SP), que trabalha com crianças com algum espectro autista, com algumas deficiências. Lá um menino de 21 anos, o Jackson Salvadeu, fez um desenho de um vestido longo e eu brinquei com ele ‘poxa, é lindo, mas não tenho onde usar. Não uso vestido no dia a dia, mas se eu tiver algum evento algum dia, eu vou mandar fazer’. Quando fui indicada ao Melhores do Ano, comentei com minha filha que precisava comprar um vestido, e ela disse ‘tem aquele vestido que o menino desenhou para você’. Aí eu pedi para a equipe do figurino do Faustão para ver se eles topavam o desafio. Eles toparam, e fizeram. Ficou belíssimo”.

Reconhecimento

Quando anunciaram sua vitória, todo mundo comemorou inclusive a imprensa. Como é ser tão querida pelos colegas de profissão?

“Ser querida pelos colegas é incrível, porque quando estou do lado de cá é muito louco. Sinceramente estou acostumada a dar notícia. Não estou acostumada a ser a notícia. Quando você passa para o lado contrário você pensa ‘Opa, ou tem alguma coisa muito errada, ou muito certa’. É muito gostoso ter reconhecimento, porque todo mundo sabe aqui o quanto é difícil essa nossa profissão. E o quanto ouvimos tudo de todos os lados. Uma hora a gente é golpista, outra hora comunista, mas não, a gente é jornalista. Jornalista tem isenção, transparência, equilíbrio. A gente faz o nosso trabalho com muita seriedade. A gente cobre todos os lados e muitos outros se possível. Esse é nosso trabalho, correr atrás da informação de verdade. E como eu disse agora há pouco, tivemos que trabalhar dobrado para mostrar que a Fake News era falsa, isso nos deu muito mais trabalho. Não que a gente tenha medo de trabalho, mas não precisava ser tão difícil assim”.

Apresentadora do povo

As pessoas colocam você como a apresentadora do povo. Como é para você receber esse carinho do público?

“Eu não sabia desse título (risos). É muito gratificante porque faço um trabalho em que tento olhar no olho do telespectador embora eu não possa vê-lo. Quando olho para a câmera, olho no olho e conto a história que tem que ser contada e busco a cumplicidade sim. Espero ali pelo menos traduzir um pouquinho do que acho que quem está do outro lado talvez esteja achando, mas dou a chance de a pessoa refletir a respeito daquilo. Receba a informação e tire suas conclusões. Eu também tenho as minhas, e acho que muitas vezes eu deixo as minhas conclusões bem claras, do absurdo que a gente vê e presencia. Talvez isso seja um pouco de dar a voz a quem está do outro lado, mas eu gostaria de desmitificar. Eu não sou diferente de ninguém, aliás, todos somos diferentes, mas estamos juntos, e gostaria muito de poder estar junto com todo mundo e fazer o melhor por todos nós”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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