“Vai me dar cacife pra fazer qualquer coisa”, afirma Jesuíta Barbosa sobre viver um vilão em sua primeira novela, Verão 90

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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Um dos nomes mais promissores do cenário da teledramaturgia brasileira, Jesuíta Barbosa, se prepara para enfrentar o assédio do público nas ruas. O ator viverá o vilão Jerônimo em Verão 90, próxima novela das 19 horas, escrita por Izabel de Oliveira e Paula Amaral. Jerônimo Guerreiro inicia a história com 11 anos. Sempre teve raiva do brilho do irmão. Insatisfeito com os rumos que a vida tomou, quer ser rico a qualquer custo.

Quando criança vai se encantar pelo mundo dos famosos, mas os poucos anos de estrelato acabam de estragar de vez o garoto. Jerônimo não tem escrúpulos, é mau-caráter, não tem empatia pelas pessoas. Sua paixão mórbida por Manuzita é uma obsessão de infância alimentada pelo ciúme que sente da garota gostar do irmão, João Guerreiro. Em entrevista ao Observatório da Televisão, o ator fala sobre este desafio na sua vida. Confira:

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Veja também: De volta à Globo em Verão 90, Kayky Brito relembra chegada na emissora, Chiquititas e afirma: “Sou saudosista por natureza”

Fala um pouco sobre o personagem e suas nuances?

“São tantas nuances. Acho que tem muitos desafios para se cumprir. Existem muitas possibilidades. É uma novela, dura muitos meses, tem muita coisa para acontecer. Eu quero que aconteça sempre coisas diferentes. Mas são muitas nuances”.

Você acha que o público vai se identificar com quê no personagem?

“Acho que vão se surpreender com algumas maldades, que vão confrontar com a personalidade das pessoas. Tem muitas maldades que a gente nega, acho que a vilania está nesse lugar. As pessoas se identificam com o que elas querem fazer e não podem”.

“Ainda estou aprendendo a fazer novela”

Quais são as suas expectativas em relação a Verão 90?

“A melhor de todas. É uma novela alegre, divertida. Eu fiquei muito feliz em ver essa apresentação [Vídeo da trama exibido na festa de lançamento]. Deu pra perceber como ela é aberta. E a gente pode brincar e entender que o personagem pode se modificar, sair do vilão e virar outra coisa. O bom de novela é isso, mas eu estou aprendendo a fazer”.

Como tem sido sua preparação?

“A novela tem que ser tudo mais instantâneo. Mas estou me divertindo. Pode trabalhar de um outro jeito, sem ter que debater questões tão intensas, a gente precisa também de um respiro. Também espero que a novela traga questionamentos”.

O Jerônimo são três personagens em um só. Como é pra você mexer nessa palheta de cores?

“Na verdade ele vem como uma persona. Esse é um trunfo do personagem que eu gosto. Dele inventar alguém. Ele é um cara que começa a se portar de outro jeito, mas de vez em quando, ele escorrega. Estou fazendo um registro que eu nunca tinha feito antes. Sair um pouco, ele ainda imprime um pouco de drama e essa coisa carregada que eu tenho. Mas quando surge o Rogê, ele é aberto solar, brincalhão. Tem pessoas que eu me inspiro muito, como a Cláudia [Raia]. Eu fico olhando e querendo brincar um pouco com isso”.

Jesuíta afirma que não está preparado para abordagens negativas do público na rua, tendo em vista que Jerônimo será um vilão ardiloso

Como tem sido para você estar em uma outra pegada, tendo em vista que você estava num trabalho anterior bem pesado?

“Aqui em Verão 90 é bem leve. Aqui a gente precisa trabalhar com improviso, confiança em quem está perto, com os diálogos que a gente recebe dos roteiristas. Com quem está em cena, é como a vida. São oito meses, são relações que se criam naturalmente com as cenas, e a gente vai propondo. E a gente quer que o conjunto da obra se una cada vez mais para fazermos um trabalho bom. Quando o grupo está junto é que acontece bem”.

 Agora você vai trabalhar para o grande público, para o povão. Tendo em vista que será um vilão ardilosos, você está preparado para apanhar nas ruas?

“Não. Eu imagino que possa acontecer, mas eu sei me defender também. Hoje em dia as pessoas estão mais inteligentes, já sabem separar melhor as coisas. Estamos tendo acesso a mais informação que antes”.

Ele é um mix de grandes vilãs que conhecemos. Como você vê isso?

“Várias vilãs são referências. Hoje em dia é tudo tão picotado. Eu tento achar esses lugares de Vale Tudo, essa novela foi um sucesso. Eu sempre quis fazer novela que tivesse cara de novela e apareceu essa oportunidade. Acho que elas estão se modificando. Acho que Verão 90 pode ser uma das últimas que tenha esse formato. Para mim tem sido um processo de desapego muito grande e de improviso também”.

Jerônimo terá nuances entre o drama e a comédia

Ele vai ter um pouco de humor?

“Sim, vai ter. Vai ter o humor dele junto com a Camila [Queiroz]. Ele engana ela e ela engana ele. De repente eles criam uma relação de um tesão absurdo que eu acho que vai ser bonito. Eles têm uma relação de amor e ódio, de querer se pegar o tempo todo”.

Como você avalia a relação dele com a mãe?

“É muito estranha, é uma relação que vai para um lugar muito difícil. É um absurdo quando duas pessoas que são mãe e filho não dão certo. É um desafio também. E a Dira Paes tem um lugar maternal, eu tenho um afeto por ela.  Desde pequeno que eu conheço a Dira, do cinema ainda. Muito dessa novela eu estou por ela, de dividir, aprender muito com ela”.

Como é representar o povo do nordeste?

“É muito bacana. Queria fazer novela com a minha avó me vendo. Ela vai ficar com raiva de mim. Ela assiste novela dizendo assim: ‘Sai dai menino ruim’ (risos)”.

“Eu preciso trabalhar muito ainda, estudar tanta coisa, só estou começando”

Como você vê sua evolução até aqui?

“Naturalmente eu estou percebendo este lugar artístico. Fiz bastante teatro em Fortaleza e depois comecei a fazer muito cinema. Estou me descobrindo na televisão e brincando de fazer isso aqui na Globo. Eu estou aprendendo muito aqui dentro, essa linguagem de novela está atingindo minha memória principalmente, de decorar texto de um dia para o outro. Coisa que eu não sabia que poderia fazer.  Mas eu estou conseguindo fazer, me surpreendo comigo e isso é bom. Vai me dar cacife pra sair daqui e fazer qualquer coisa”.

Quando você olha para trás, como você avalia essa trajetória?

“Eu sou feliz por ser artista, ter acreditado que eu poderia fazer, estudado, me dedicado, encontrado pessoas que me deram força e que eu pude estudar junto.  Mas eu não quero colocar a televisão e a novela nesse lugar que a gente sempre coloca como se fosse o último degrau a ser alcançado. Eu preciso trabalhar muito ainda, estudar tanta coisa, só estou começando, eu comecei a fazer isso tem pouquíssimo tempo. Eu continuo em Fortaleza, trabalhando com as pessoas de lá, que são meus amigos, continuo fazendo cinema, e é dai para frente. Mas não é o último degrau, é mais uma experiência”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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