“Todo mundo pode ser protagonista”, diz Lázaro Ramos sobre seu novo programa na Globo

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Lázaro Ramos está aproveitando bastante o ano de 2017, autor de um livro de sucesso e astro da série Mister Brau, ele se prepara para estrear o programa Lazinho Com Você, que será uma atração colaborativa construída com ideias de internautas. O Observatório da Televisão conversou com o apresentador para saber mais detalhes sobre o projeto:

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Como será o Lazinho Com Você?

As pessoas já podem a partir de agora participar, podem entrar no endereço: www.lazinhocomvoce.com.br e enviarem o material, e se divertirem. Além do material disponível para a internet, teremos um programa de TV que estreará no dia 10 de dezembro na Globo. É um programa colaborativo, onde cada pessoa vai poder enviar algo produzido por ela, seja música, vídeo, texto, e vamos buscar parcerias com outras pessoas para transformarem aquilo.

Como surgiu a ideia do programa?

É emocionante falar sobre esse programa pela primeira vez depois de 3 anos de trabalho. Esse projeto começou antes mesmo do ‘Mister Brau’, quando propus para a Globo um programa que não fosse como ator, em que eu queria viajar pelo Brasil, interagir com pessoas e contar histórias de pessoas, o que acho valioso de se ter na televisão. No meio do caminho surgiu ‘Mister Brau’, que fez com que esse projeto fosse adiado, o que achei muito bom, porque isso fez com que o diretor Rafael (Dragaud) viesse trabalhar conosco e fizesse uma provocação dizendo: “Mas a interação acontece nas redes também; e não só nas ruas. Como a gente faz para criar um programa que aproxime pessoas, seja lá onde elas estiverem?”, aí nasceu Lazinho Com Você, e vamos aprender muito, pois nos propusemos a provocar e ser provocados.

Vimos um equipe enorme de pessoas no programa, e você não para em nenhum momento. Como está sendo alinhar isso?

Verdade, eu não estou conseguindo parar. Eu queria fazer esse projeto porque eu queria estar do lado das pessoas. Temos trabalhado praticamente 24 horas por dia porque estamos fazendo algo que amamos, que é escutar a voz do espectador, e lidar com o humor e a inteligência dos brasileiros. É como se fosse uma curadoria de talentos, e estou tentando me policiar mais para colocar o celular longe da cama, porque senão no meio da madrugada, a mãozinha vai pra lá pra entender o que está acontecendo.

E a Tais Araújo, como fica nessa história?

Oxente, já coloquei o telefone longe da cama. Já resolveu (risos).

Como vai ser a participação dos internautas? Terá cortes?

Internet tem a dinâmica da internet, com regras que já existem. Claro que se as pessoas produzirem um conteúdo preconceituoso que dissemina ódio, isso não será bem-vindo, mas fora isso, todo o resto é da dinâmica da internet. O que será estimulado é: mostre o seu talento, seja pra texto, dança, música, vídeo. Inclusive teremos um setor de experimentação, que se as pessoas quiserem chegar lá e inventar uma receita de jiló com abóbora e doce de leite, estarão livres. Acho importante falar que o projeto é uma experiência. Cada parte dessa experiência terá um sabor diferente, e o público vai conseguir achar diversão tanto nas plataformas, quantos nas redes sociais.

Como é essa plataforma?

Nada mais é que um site para que as pessoas coloquem suas contribuições nas seguintes categorias: vídeo, texto, áudio, experimentação e imagem. Elas vão ter no site o que é o conceito do programa, que é sempre falando sobre colocar novas vozes no processo de criação do audiovisual. Quando o pessoal entrar no site vai ver por exemplo uma websérie toda feita através do Whatsapp, pelo pessoal do Globolab, que foi o primeiro material feito, mas a partir de hoje, vão aparecer outras coisas que ainda não sabemos o que é. Para ter o programa, colocaremos desafios criativos, mas a experiência é bem ampla.

As pessoas que forem selecionadas para o programa da TV ganharão uma recompensa?

Exatamente. É um processo muito bacana, primeiro, participar dessa comunidade de pessoas que estão produzindo coisas, a visibilidade que isso dará sobre o que aquela pessoa estiver produzindo. Tanto no programa da TV, como no programa da internet, eu vou falar sobre essa pessoa, e possivelmente interagir com ela. Os selecionados para o programa de televisão poderão ser remunerados também.

Quem é que pode participar?

Quem quiser, qualquer idade, de qualquer região do Brasil. Inclusive, aceitaremos materiais incompletos. Por exemplo, se você fez um texto e não terminou e acha que pode ter um parceiro para terminar, a plataforma vai proporcionar isso também. As pessoas vão interagir de acordo com desafios criativos, sendo que cada um deles tem o formato de contribuição divididos nas categorias: vídeo, texto, imagem, experimentação e áudio.

Como você está vivendo esse mundo da internet?

Eu aprendi a ter prazer com essas contribuições. Ficar vendo os vídeos das pessoas é uma coisa que me emociona muito, pessoas que nem sempre estão no palco e usam a internet como seu palco. Todos nós brasileiros vivemos o caos, e acreditamos que qualquer programa de televisão é muito mais interessante se pautado por perguntas do que pela ambição de dar respostas. O Brasil hoje está muito mais nas perguntas, que nas respostas. Cada programa vai ter uma pergunta central, são perguntas para gerar conversa.

Este é o seu ano, não é?

Ah não sei, quando você fala que esse é meu ano, parece que ano que vem vai ser ruim (risos). Olha que sou supersticioso (risos). Esse tem sido um ano de muitas realizações, de vários projetos, mas espero que seja apenas o pontapé inicial.

O que você mais gosta de assistir na TV? Ainda tem tempo de assistir a alguma coisa?

Tá brincando? Assisti Carcereiros quase toda lá no Globo Play, e adorei. Meu horário de assistir coisas é a parir de 11 da noite. Durmo 1 da manhã e sempre estou assistindo algo.

Quantas horas você dorme por dia? Porque a impressão que temos é que você não dorme.

Até que consigo ter uma vida saudável, durmo 7 horas por dia. Durmo a 1h da manhã e acordo ás 8h. Minha alimentação está toda boazinha, chegando nos 40, né? Tenho que comer aquelas coisas mais saudáveis que eu não gostava tanto. (risos).

Você pensou que chegaria onde chegou?

Eu não pensei que eu fosse exercer outras funções, achei que seria sempre ator e não que teria uma multiplicidade de funções, como lançar um livro, e propor um projeto como apresentador. Por outro lado, acho que isso é consequência de um desejo que sempre existiu em mim, de me comunicar. Em alguns lugares, meu lado ator não será tão útil. Esse programa tem uma coisa que me emociona, que o Espelho também tem. Quando chego perto das pessoas, elas ficam tão à vontade em compartilhar suas histórias e têm uma confiança que sua voz será ouvida com respeito, que fazer isso chegar à TV aberta é muito saudável.

Você já tem essa coisa de comunicador, né?

Não, eu não tenho técnica, eu sou falastrão, só isso. Eu gosto de conversar, não sei explicar. Tenho aprendido muito na minha vida que cada vez que escuto alguém, a minha voz melhora, eu falo de um outro jeito, aprendo. Essa escuta é um processo de aprendizado.

Acredito que você já seja muito parado na rua, e pelas pessoas falarem que gostam do seu trabalho. Como é isso?

Acontece. O povo chega chorando no meio da rua às vezes, aí eu choro junto (risos). Agora vai ser mais fácil de as pessoas falarem comigo, porque vou poder dar o endereço do site. Desde Ó Paí Ó, eu recebo CD todo mês, porque as pessoas acham que sou dono de gravadora, e o pior é que ouço todos (risos). Isso também vai ficar mais fácil, porque eu posso responder para as pessoas entrarem na plataforma do programa e mostrarem seus talentos.

Você é um bom ouvinte, né?

O afeto não é só ser carinhoso, é estabelecer ou recuperar uma capacidade de se afetar pelo outro, pelo que o outro te diz. Saber da responsabilidade que você tem sobre o outro também, sobre o que você fala para o outro e como isso o afetará. O afeto que falo é voltar a conversar, e não buscar os seus argumentos para silenciar aquele que pensa diferente de você. O Lazinho Com Você vai carregar muito isso, e acho lindo porque o momento que a gente vive no país atualmente, a gente consegue explicar melhor as pessoas pelas perguntas, não pelas respostas, porque não existe resposta certa. Todo mundo pode ser protagonista dentro do programa, afinal, interagir é saber ouvir.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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