Thiago Fragoso explica por que Patrick não se declarou para Clara: “Seria assédio se ele fosse muito incisivo”

Publicado há 3 anos
Por Renan Vieira
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Thiago Fragoso tem percebido o sucesso de seu personagem Patrick, de O Outro Lado do Paraíso, da Globo. De caráter incontestável, o advogado conquistou o público e promete ganhar de vez o coração de Clara (Bianca Bin), protagonista da trama das 21h, até o último capítulo. A novela termina em maio, mas, até lá, muita intriga envolvendo o casal promete mexer com as emoções do telespectador.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Fragoso falou sobre o êxito da produção de Walcyr Carrasco e detalhou as características de seu papel. Para ele, Patrick não vai desistir nunca de Clara, mesmo ela o rejeitando. Também no bate-papo, ele revelou se Adriana (Julia Dalavia) deve, enfim, ter o caminho livre para conquistar seu personagem. E o ator conta, ainda, por que Patrick não se declarou para Clara. Confira.

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Todo mundo torceu e ficou feliz com esse seu encontro com a Clara (Bianca Bin). O que você achou?

“Eu estou sempre aí comentando, acho muito legal que agora tem essa movimentação na internet, essa coisa dos ‘shippers’, né? Tem o pessoal que torce pelo casal ‘Clarick’ e eu acho um barato. O pessoal está muito ligado, é um casal que está movimentando, representando um símbolo de amor puro, que comove. Eu torço também pelo casal.”

Ainda vai ter muita coisa pela frente ou já está tudo resolvido?

“Tem ainda uns dois meses de novela, muita coisa ainda vai acontecer. Novela do Walcyr (Carrasco), então… a qualquer hora pode mudar absolutamente tudo. Obviamente, eles (Clara e Patrick) vão ter de lutar contra tudo e contra todos para conseguir viver esse amor. Mas eu acho que, principalmente depois desse namoro escondido, fica uma coisa mais especial, que vai dar mais força para lá na frente eles voltarem e ficarem juntos, se for essa a decisão do Walcyr Carrasco.”

A Adriana (Júlia Dalavia) vai desencanar do Patrick de vez?

“Não, ela não vai desencanar (risos). Na verdade, vão acontecer muitas coisas por aí. A Adriana tem essa ideia no Patrick e tem muitas coisas envolvidas, talvez seja por admiração profissional. Ela tem um sentimento, uma coisa especial pelo Patrick. Ela só dá uma aliviada quando entende que a irmã (Clara) está namorando com ele, mas isso não vai durar muito tempo. Ela não vai desistir fácil.”

Como é que a sua família lida com essa fase, eles ficam querendo saber o que vai acontecer na novela?

“Não, ninguém fica perguntando. Acho que eles já estão bem acostumados comigo fazendo novela. Minha avó e meu avô assistem muito. Meu avô, inclusive, é uma inspiração para mim porque ele é promotor de Justiça aposentado, advogado, e faz um tempinho que ele está acamado, mas sempre assiste a novela, principalmente quando tem julgamento. Ele diz que fica emocionado e eu faço esse personagem imaginando ele, que é um exemplo de honestidade, de lisura, um cara que já teve cargo público e lutou para combater a corrupção, então ele é uma pessoa muito importante dentro disso. A minha mãe trabalha para caramba, às vezes, vê pelo Globo Play e a gente conversa sobre a novela, mas eles não ficam querendo que eu adiante a trama. Eles sabem que eu não faço isso, que eu não posso falar de tudo.”

O que você ouve das pessoas na rua?

“Ah, eu ouço de tudo, principalmente as pessoas falando para eu ficar logo com a Clara. Todo mundo também precisa de um advogado, né? Então, é basicamente isso, rola muita torcida pelo casal. O Patrick é um cara que resolve qualquer negócio.”

Você acha que faltava atitude no Patrick para se declarar para a Clara?

“Não, eu acho que a Clara o procurava como advogado e ela já tinha sofrido muito, primeiro com a violência doméstica, depois com a internação no hospício. Então, ele realmente não podia, seria antiético da parte dele, seria um assédio se ele fosse muito incisivo. É uma coisa que vai surgindo com o tempo e quando essa relação fica muito próxima não tem jeito, não tem mais como fugir. Mas eu acho que rolava muito essa coisa dele se ver como advogado dela e isso era um empecilho para ele dizer alguma coisa.”

Você, na sua vida pessoal, já sentiu dificuldade para se declarar?

“Não, eu sempre fui mais direto que o Patrick, mas eu não sou advogado, sou ator (risos).”

Existem especulações de que, talvez, a Clara dê uma chance para o Gael (Sérgio Guizé). Você acha que se isso acontecer o Patrick vai desencanar dela e dar uma chance para a Adriana?

“Eu acho que o Patrick não desencana da Clara de jeito nenhum, ela é o amor da vida dele e ele só teve um outro amor na vida, que foi a noiva dele que morreu. Ele tem uma história trágica com isso e nunca mais se envolveu profundamente com alguém. O Patrick não é um cara que namora por esporte, então ele tem uma coisa muito forte com a Clara. Logo que eles se conheceram, ela precisava muito dele e tinha essa imagem que a Beatriz (Nathalia Timberg) passou para ela, de que o Patrick era um cara confiável. É muito forte essa ligação, então, eu acho impossível o Patrick desencanar dela. Ele não faz nada para ganhar algo em troca, o amor dele existe, é real, mas em primeiro lugar ele coloca a felicidade da Clara. Mesmo que ela termine com o Gael, por qualquer motivo, ele vai respeitar e esperar que algum dia isso possa reverter.”

Se a Clara voltar para o Gael, como você acha que ele (Patrick) vai se sentir?

“Ah, ele vai ficar muito magoado, preocupado com ela, achando que perdeu, mas vai continuar lutando para tentar corrigir as injustiças que ela sofreu. Ele vai continuar lutando para que ela tenha a guarda do Thomaz (Victor Figueiredo), vai continuar lutando para que a Fabiana (Fernanda Rodrigues) perca o processo que prende os bens dela e vai ajudar até financeiramente.”

O Patrick largou a vida dele por ela…

“Largou, largou totalmente. Ele vai fazer uma investigação no hospício para entender o que aconteceu e tem algumas cenas que ele encontra um amigo dele e fala sobre isso, que deixou o apartamento dele fechado. Quando ele sofre essa decepção, ele começa a planejar a volta dele para o Rio (de Janeiro), mas antes disso ele quer deixar a vida da Clara resolvida. Ele é o cúmulo da lealdade, do valor, da honra. O personagem é muito mais que uma pessoa nesse sentido, ele fala de valores, de ideias absolutas. Uma pessoa nunca vai ter um valor absoluto guiando a sua vida.”

O Walcyr Carrasco falou sobre pedofilia e você foi tipo o justiceiro ali. Para você, que é pai, como é que foi fazer essas cenas e lidar com essa repercussão nas ruas?

“Ah, foi horrível. Eu fiquei internado aqui, morando no Projac (risos) e não estive nas ruas para ver as reações das pessoas com relação a isso, mas eu vi a força que teve, eu fiz um post sobre isso com o Flávio Tolezani, que é um grande ator e fez esse personagem monstruoso. Ele sofria muito com isso tudo porque ele tem uma filha adolescente. Sempre que a gente fazia essas cenas importantes, acabava todo mundo chorando. E eu fiz questão, durante o julgamento, de colocar o Patrick humanamente ali também. Ele estava exercendo a função dele, como agente da lei, que tem uma certa imparcialidade para poder dar cabo do processo, mas ele estava revoltado e sentia tudo que estava acontecendo ali. É um grande serviço tocar nessas histórias de violência doméstica e empoderamento feminino, que eu acho que é o que a gente mais tem que falar. A maior injustiça que a gente tem é a injustiça contra a mulher.”

Quando você recebeu a sinopse, você já sabia que esse personagem estaria em tantas cenas importantes?

“Eu já fiz muita novela, então eu sabia que um personagem que entra meio enviesado pode crescer muito. O protagonista tem que manter aquela trilha do início ao fim e o Patrick, mesmo que tenha entrado como protagonista nessa história, eu confiei muito no Walcyr (Carrasco), que é um autor muito colaborativo, porque não tinha muita coisa na sinopse, eu só sabia que ele seria um aliado da Clara, um advogado do bem.”

 Como é que foi, nos bastidores, a comparação da volta da Gleici, do BBB, com a volta da Clara?

“A gente quase não vê (o programa), aqui não dá para ver nada. Eu só fiquei sabendo depois e achei muito engraçado, divertido. A Clara virou uma personagem enorme, gigantesca dentro da teledramaturgia brasileira e na vida das pessoas. O fato de a gente fazer uma novela que é muito bem-sucedida, que tem uma audiência enorme, é isso. Essa é uma novela original e a gente faz para acontecer isso mesmo, para as pessoas comentarem.”

E o seu filho, como lida com o seu sucesso?

“Agora ele está na fase de falar para todo mundo que o pai dele é o Patrick da novela (risos). Mas ele ainda não tem nenhuma dimensão disso. Ele sabe que eu sou ator, mas é meio difícil para ele entender ainda. Tem alguns filmes que eu dublei, que ele não assistiu porque achava estranhíssimo ouvir a voz do papai nos personagens. Eu tenho uma forma de me portar, em relação a isso, que talvez nem seja muito saudável para mim, mas eu não costumo dar valor demasiado para as conquistas que eu alcanço na minha vida porque eu sou um cara que gosta de construir, trabalhar e construir. Eu nunca penso que tudo está incrível, que vou tirar ano sabático, dar entrevista para a BBC.”

Você não vê problema em seu filho estar na mídia, sair nas fotos?

“Eu tento preservar na medida do possível, mas sem ficar um cara das cavernas. Até o Benjamin tem isso. Eu nunca o deixava tirar foto comigo, deixava ele com a mãe dele, até que teve um dia que eu tirei a foto e ele ficou de cabeça baixa, virou para a mãe e disse: ‘Meu papai não quer que eu fique na foto com ele’. E aí eu pensei que eu posso estar querendo proteger, mas o que ele quer é estar com o pai. Essa é a realidade dele. Ele é metidão, quer sair nas fotos.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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