“Tenho certeza que vai fazer as pessoas rirem e se apaixonarem”, conta Renato Góes sobre Órfãos da Terra

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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O ator Renato Góes que está começando a planejar seu casamento com a também atriz Thaila Ayala, está prestes a estrear como Jamil, protagonista da novela Órfãos da Terra, próxima trama das seis da TV Globo. Na novela que tem como autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, o ator viverá um dos funcionários do Sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que se apaixonará por Laila (Julia Dalavia) e esse amor mudará completamente a sua vida.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, o ator falou sobre os desafios de interpretar um personagem tão completo e um pouco mais sobre o personagem. Confira:

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Fala um pouco sobre o Jamil?

“Ele é um cara que tem uma enorme gratidão pelo patrão dele, mas esse patrão não é um cara legal. Ele não sabe cem por cento, mas ele fecha um pouco os olhos para as coisas que o Aziz faz. Ele não tem noção da crueldade. Mas o amor que ele tem pela Laila, é o que faz com que ele perceba tudo que ele se omitiu. Esse romance é um ponto de virada na vida dele e ele entende como um novo caminho de vida. Por isso ele vai correr atrás desse amor, passar por cima de tudo em prol dessa família e desse futuro que ele enxerga para ele e a família da Laila.”

Desafio

Como está sendo o desafio de fazer essa novela?

“Tudo acontece na minha vida para que eu esteja nos lugares certos e com as pessoas certas. Nesse momento ter um trabalho que é um serviço tão humano, atual, necessário e poder representar junto com a Julia, com a Alice e esse elenco que é incrível, sob o comando do Gustavo. Esse é o meu quinto trabalho com com o Gustavo. Por sinal, esse também é o meu quarto trabalho com a Duca e a Thelma. É o fim de um ciclo e o início de outros.

Eu estou muito feliz, é realmente muito especial para mim poder passar um pouco disso. E passar muita alegria para representar as pessoas em refúgio. E é como se a chegada fosse o início de uma nova vida, de uma esperança e é isso que a gente recebe aqui. Mas é com toda essa alegria que a gente tenta receber e repassar para que todo mundo seja tocado assim como a gente foi. Entender o lado dessas pessoas que saem não como fugitivos, mas como vitimas. A gente tem a chance e a oportunidade, também como ator, de ter um produto como esse.”

Personagem

Esse contato com os refugiados você já tinha antes da novela ou foi a partir da composição do personagem?

“Não, tudo nessa história eu acompanho de certa forma intelectualmente. Porque eu faço um curso de história, então volta e meia a gente aborda. Mas o contato em si, especificamente com a cultura, religião e as pessoas, eu só tive depois que sabia que iria fazer o trabalho. Antes de começar a pré produção, eu já estava há uns três meses estudando tudo, a cultura, a religião e a língua, que para mim foi o maior ponto de conexão com esse povo e com essa história. Eles tem tanto respeito com a língua, que eu preciso ter no minimo metade do respeito que eles tem e tentar representar da melhor forma possível, porque é o nosso primeiro contato.”

Idioma

Na trama vocês ainda falam só algumas palavras em árabe, né?

“A gente não coloca a dificuldade de falar português. A gente fala muitas palavras em árabe, mas a grande ideia é falar muito bem as palavras em árabe e continuar com o português falado correto. Então cada um arranjou um caminho sem errar as palavras, dar uma identidade. Eu por exemplo uso uma boca mais fechada. Eu tento uma identificação, mas acho que o grande ganho é a gente estar preparado para falar bem o que tem de dizeres e palavras em árabe.”

Você estava escalado para um outro trabalho, mas acabou recebendo esse convite. Como você recebeu esse personagem protagonista?

“Eu realmente tenho essa sorte, acho que já aconteceram umas três vezes. Eu estava em um produto e acabei saindo para fazer outro. Claro, teria uma história linda e com dedicação se tivesse. Mas eu sinto que era o lugar onde eu deveria estar, isso sempre vem de uma forma muito legal. Esse trabalho como eu falei é um serviço necessário, a gente tem muito orgulho em passar a situação, a ideia e esse amor com o qual eles tem e precisam viver, querem viver, para que a gente consiga de alguma forma ajudar e dar uma mão.”

Refugiados

Como foi o seu contato com os refugiados na preparação?

“Eu tive alguns tipos de contato. Pessoalmente eu tive em São Paulo em centros de refugiados. Eu tive durante as gravações, na preparação no trabalho guiado pela produção e tive também o convívio com os profissionais que estão fazendo parte da obra e passam suas experiências. A novela não fala só de sírios e libaneses, fala de muitas outras nações que necessitam dessa batalha toda. A gente está preparado para passar a informação da cultura e a necessidade de muitos povos.”

Você chegou a usar alguma coisa de O Clone que tinha várias expressões assim?

O Clone tinha uma coisa muito legal de associar na comédia para que as pessoas pegassem. Mas a gente usa de uma forma um pouco mais coloquial e um pouco menos levada para esse lado, apesar de a gente ter núcleos que vão usar isso.”

O que acontece lá é que a vida está normal, aí jogam uma bomba e acaba tudo, né?

“Não é que a vida tá normal, é uma guerra que vai e volta. E não é que as pessoas não estão esperando, elas não tem o que fazer. Se fosse fácil a saída, a escolha, teria um barco lá para todo mundo com conforto, sabendo que vai chegar do outro lado. Às vezes eles entram em um barco, onde quem facilitou aquela entrada sabe que não tem nem gasolina para chegar onde eles querem. É realmente uma covardia.”

Experiência

Depois desse personagem, você viu a vida de uma outra forma?

“É mais do que ver a vida de uma outra forma. É transformar cada pequeno momento de você valorizar situações, valorizar pessoas e o chão que você pisa. É uma coisa natural e automática, não tem como você não evoluir e crescer no convívio com essas pessoas.”

Você é bem paternal e tem essa vontade há muito tempo ou bateu agora depois dos 30?

“Perto dos 30 eu comecei a ter uma puta vontade, mas era uma coisa meio distante. Quando eu conheci a Thaila, a gente se conheceu meio que já falando sobre isso. Os dois tinham muita vontade e só aguçou.”

Protagonista

Mais um protagonista, você chegou no momento da carreira que mais queria?

“Eu vejo isso por um lado muito legal e faço sempre questão de falar isso, que o Caruso quando estávamos fazendo Cordel Encantado, nos últimos capítulos eu trouxe um livro que era a biografia da vida dele. Um cara que se eu não me engano foram cinco ou seis peças que ele faz ao mesmo tempo. Aquilo me motivava muito e quando eu pedi para ele me fazer uma dedicatória, ele escreveu uma coisa que eu nunca me esqueço: ‘Que os aplausos venham para alimentar não o seu ego, mas sim a sua responsabilidade’.

Então quando é esse lugar de acreditar no herói, no protagonista, eu coloco que preciso representar isso. E de certa forma trazer uma longevidade a isso. Se está vindo um atrás do outro, ao mesmo tempo que é um bônus, tem seu ônus. Eu não posso me repetir, eu não posso ficar enjoativo. Então eu faço de uma forma que meu esforço vai fazer com que eu apresente coisas diferentes.”

Galã

Você é tido como um dos novos galãs da TV Globo, como você lida com esses rótulos?

“Eu separo. Cordel Encantado passou oito meses no ar e ninguém mandava mensagem no twitter e nem em canto nenhum dizendo que eu era galã. Assim como filmes e coisas que eu faço. Eu acho que esse rótulo é atribuído ao personagem, eu tenho feito personagens assim e também saio para o cinema e faço personagens que não tem essa característica. Eu acho que o galã não sou eu, mas uso dessa ferramenta para alguns personagens.”

Você acha que esse é um novelão?

“É uma novela que eu tenho certeza que vai fazer as pessoas rirem e se apaixonarem. É um baita novelão com um baita de um assunto necessário, atual, comovente, instigador e que passa esperança para qualquer pessoa.”

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