Sophie Charlotte abre o jogo sobre a campanha contra o assédio: “O coletivo é muito poderoso”

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Sophie Charlotte está se dedicando a dar vida a Alice, sua nova personagem que o público conhecerá na supersérie Os Dias Eram Assim. Em conversa com o Observatório da Televisão ela contou sobre sua personagem, sua relação com a maternidade e a sensação de trabalhar novamente com o marido, o ator Daniel de Oliveira. Confira:

Quem é a Alice, sua personagem?

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Alice é uma menina dos anos 70, que é muito fã de Leila Diniz, aspira uma liberdade e um grande amor mesmo sendo criada por uma família conservadora e de direita que não compartilha dos mesmos valores que ela. Logo no começo ela encontra o primeiro amor na figura do Renato (Renato Góes), que é um médico super idealista que faz parte de uma família também idealista muito diferente da família dela, e esse encontro promove nela uma transformação rápida. Ela passa por um turbilhão de acontecimentos, e questionamentos e essa história se desloca com o tempo. É meio “O que fazemos e o que fizeram de nós”. É uma oportunidade de pensar nisso, a ação do tempo em que se falou tanto de liberdade de expressão, liberdade de escolha que a gente lida até hoje ao falar de certos assuntos mesmo eles tendo começado naquela época.

E como é a sua parceria com seu marido em cena?

É maravilhoso! Tem sido o máximo trabalhar com ele porque ele é um grande ator, conversamos muito em casa. A gente se admira e se respeita muito, e isso é fundamental para conseguirmos fazer um bom trabalho.

Como vocês fazem em casa?

Nós estamos pesquisando a melhor maneira de conduzir isso. Já estudamos muito juntos, agora estamos propondo outro jeito de se encontrar mais em cena, mas compartilhamos muito, dividimos muito, mas bater texto mesmo preferimos esperar o momento da cena.

Como está sendo a rotina como mãe e como foi deixar o bebê em casa para vir trabalhar?

O Otto está com 1 ano, e não é fácil, porque pra mim foi um ano de simbiose total, um ano de entrega, de amamentação, mas é o que amo fazer, então é uma forma bonita de mostrar a ele que tenho minha carreira. Acho que todas as mulheres que têm filhos passam por esse momento, e não é fácil mas é necessário e estou tentando fazer com delicadeza, com a presença da minha mãe, da mãe do Daniel e buscando amparo no que mais amo fazer que é atuar.

Ele fica em casa?

Sim, ele fica em casa. Tenho uma cuidadora, minha mãe e minha sogra que também ajudam a cuidar dele.

Sua voz é muito ouvida hoje em dia. Você passou por alguma situação constrangedora ou alguma situação de assédio?

Não. Eu sinto que estamos num momento muito bonito para ser mulher, estamos nos empoderando mais, numa luta que começou antes dos anos 70 e a demanda continua até hoje. Importante falar sobre isso sabendo a responsabilidades que temos como cidadãos.

Você participou da Campanha Mexeu com uma, mexeu com todas. Como você enxerga isso?

Nesse caso foi muito bonito a união fazer a força. Acho que o coletivo é muito poderoso. Podemos transformar qualquer situação mas com afeto. É importante não perdemos nossa doçura.

O que a maternidade te trouxe?

A maternidade me trouxe a vontade de viver o momento, mais paciência e consequências positivas.

Sua personagem viveu numa época que o movimento político influenciou seu envolvimento amoroso. Como você acha que o contexto atual influencia nos relacionamentos?

Influencia muito. Tem muita gente que se conhece por aplicativos de celular e desenvolve relacionamentos a distância. Os tempos mudaram mesmo, vale a gente se perguntar o quão conectado estamos a outra pessoa. Acho que vivemos no tempo de busca, e não encontramos um equilíbrio com essa tecnologia toda. Acho que paixões continuam paixões, cada um vive de um jeito mas são questões humanas que atravessam as décadas.

Você teve aumento de peso durante a gravidez?

Eu amamentei muito e amamento até hoje. Ganhei 20 quilos durante a gestação, foi importante e maravilhoso para ter o tipo de parto que tive. Acho muito chato essa questão que vivemos hoje em dia de ter que ganhar tanto, perder em tanto tempo. Eu acho que a gente precisa se libertar disso, principalmente nesse momento sagrado de ter um bebê.

Você fez alguma dieta?

Eu não fiz nenhuma dieta porque entendo dieta como restrição alimentar. O que tive foi uma educação alimentar valorizando alimentos naturais, mas sou boa de garfo. Busco fazer pilates, com pouca regularidade no momento (risos) e pra mim a prioridade agora é curtir o Otto.

Você está com cabelo grande, diferente de como te vimos anteriormente na TV. O que você fez?

Estou com um cabelo que a gente colocou pra novela. Cortei, pintei, coloquei aplique, fiz tudo para essa personagem

Você acredita que existam amores como o de Alice e Renato?

Eu acredito no amor e ele se manifesta de infinitas maneiras. Eu vivo isso, e acho lindo o encontro, e reencontro dos personagens porque o afeto fica acumulado. Acho que essa história de amor é possível, porque cada um vive a sua e acredita que ela seja a maior de todas.

Você acredita que a Alice seja uma feminista?

Nessa história falamos do conflito de geração porque foi algo muito emblemático. Acho que toda jovem tem esses questionamentos de valores com os pais, e o feminismo entrou com mais potência nesses questionamentos. A mulher no mercado de trabalho entre outras conquistas começaram nesta época. A referência da Alice é a Leila Diniz, mas não posso dizer que ela é igual à Leila porque ela é um ícone e totalmente a frente do seu tempo. A Alice vive no seu tempo e questiona ele.

Você viveu esse embate com seus pais?

Na adolescência também tive questões, muitas por sinal mas quando você se torna pai e mãe você entende que seus pais estão tentando fazer o melhor, e também estão no seu processo de evolução, amadurecimento. Cobramos dos nossos pais perfeição, mas o que eles mais podem dar pra gente é amor.

Você se preocupa com a educação do Otto?

Claro! Eu acho que todas as mães que estão criando seus filhos, deveriam ficar atentas. Precisamos repensar o gênero, e como criamos meninos e também meninas. Criar com mais humanidade, sem endurecer muito e perder o humano do outro. São questões que a gente tem que levantar.

Sobre sua personagem ela sabe ou ela nem imagina o verdadeiro caráter do Vitor, personagem com quem ela se envolve?

Não. Ela não imagina, ela sabe que não casa com o pensamento dela, mas não consegue enxergar ainda quem ele é.

O que você mais gostou de conhecer sobre a década de 70?

Adorei ver a explosão cultural, uma juventude se colocando e se experimentando. Eu adoro as cores, que eram diferentes, leves e principalmente as ideias que eram colocadas na moda.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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