“Ser ator no Brasil é um grande desespero”, afirma Marcelo Médici

Publicado em 27/06/2017
Uma carreira diversificada no teatro e na TV. Marcelo Médici sabe transitar entre a comédia e o drama. E ainda canta e dança. Estreou com destaque em A Praça é Nossa em 1998, fez novela no SBT, depois foi pra Globo. No teatro fez até musicais, entre eles, Sweet Charity, com Claudia Raia e, recentemente, Rocky Horror Show onde deu vida a uma travesti.
Atualmente em cartaz com a peça Cada Um Com Seus Pobrema, Marcelo, que não se considera humorista, fala sobre os desafios da carreira de um artista no Brasil: “Ser ator no Brasil é na verdade um grande desespero”. Já do politicamente incorreto que vem tomando conta das artes o diretor e dramaturgo afirma: “O que me incomoda é a censura disfarçada de boa intenção”.
Enquanto não começa a gravar a nova temporada da série Vai Que Cola, do Multishow, Médici dirige o espetáculo Brincando Em Cima Daquilo com Wilson de Santos, em cartaz na capital paulista.
A Praça é Nossa completou 30 anos e você faz parte desta história. Como foi participar do programa? 

Uma honra… Nunca me imaginei estar ao lado de gênios do naipe de Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), que me apresentou Alberto Sordi, Tutuca, Canarinho, Rony Rios, que interpretava a velha surda, Zilda Cardoso (Catifunda), que me deu conselhos preciosos! Fora o Golias, verdadeiro gigante. O convite para entrar na praça foi feito pelo Marcelo de Nóbrega após ter ganho o premio Multishow de Bom Humor em 98.

De humorista para ator de novelas. Sabemos que o humorista acaba sendo “tachado” e raramente consegue destaque em novelas por conta do personagem em si. A sua imagem e nome são tão fortes que o público não compra essa ideia. Você fez Belíssima, Passione, O Canto da Sereia, Joia Rara, Alto Astral e Haja Coração. O fato de você ser autor, diretor e ator lhe ajuda neste processo? 

Eu não me considero humorista, eu sou apenas um ator. O Fabio Porchat outro dia me falou que fica impressionado com minha capacidade de transitar por tantos lugares e não ter ficado preso em nenhum. Fico feliz em poder experimentar todos esses caminhos… Adoraria afirmar que foram escolhas, mas ser ator no Brasil é na verdade um grande desespero. Glamour, carreiras sem concessões e salários milionários são privilégios de atores americanos, e mesmo eles fazem filmes ruins. Ator brasileiro é saltimbanco.

Se cada um cuidasse da sua própria vida, o “Cada Um Com Seus Pobrema” seria muito mais fácil, não? 
O Brasil anda tão cheio de “pobremas” que cuidar da vida alheia acaba sendo o menor deles. (risos)
O politicamente correto lhe incomoda? 

Não. Embora a junção dessas duas palavras atualmente seja uma grande piada em si, digamos que esse termo sirva para definir que algumas coisas não devam servir como escárnio. Mas é bom ficar atento, pois o humor pode ter uma função crítica arrebatadora. O que me incomoda é a censura disfarçada de boa intenção.

O Zorra passou por uma mudança radical em seu conteúdo. O quanto isso representa para o público e classe artística?

O programa mudou de estilo. No antigo havia personagens com caracterizações mais infantilizados ao mesmo tempo maliciosas, com bordões, estilo presente nas chanchadas. Hoje temos personagens com caracterizações mais realistas, com textos afiados, em situações nonsense, um estilo que por vezes remete a séries de humor americanas e ao grupo Monty Python [grupo formado por seis artistas nos anos 60 que protagonizam cenas de humor exibidos pela BBC]. Na minha opinião são apenas formatos distintos.

Neste espetáculo, em cartaz há mais de seis anos, o que o púbico pode esperar? 

Na verdade são treze anos em cartaz… Certamente ocorreram mudanças, mas o espetáculo tem uma base dramatúrgica. O mais legal é ter na plateia gente que já viu, gente que era bebê quando estreou e gente que até hoje não tinha visto. Como ator, me sinto privilegiado de poder fazer um espetáculo que amadureceu junto comigo.

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hoje tem! E semana que vem, feriado, SESSÃO EXTRA na quinta-feira! #cadaumcomseuspobrema #cadaumnafaap #comedia

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Pra fazer humor é preciso? 
Fazer rir.
Confira um trecho do musical Rocky Horror Show com Médici:

Novos projetos: 
Viajo com o “Cada um com seus Pobrema” pelo Brasil e gravo no segundo semestre alguns episódios do programa Vai que Cola, no Multishow. E muitos projetos para teatro, que por enquanto são só projetos mesmo….
Serviço:
Cada Um Com Seus Pobrema – Teatro Faap – SP
Quartas às 21h. Ingressos: R$ 70. Gênero: comédia
Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos. Até 26 de Julho

Brincando Em Cima Daquilo – Teatro Renaissance – SP
Sábado às 19h. Ingressos: R$ 80. Gênero: comédia romântica
Duração: 60 minutos. Classificação 14 anos. Até 10/08