“Se tivesse nascido em Los Angeles, eu não teria insegurança com renovação de contrato”, afirma Kadu Moliterno sobre dificuldade da profissão no Brasil

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Kadu Moliterno será o rei Otoniel, em Belaventura, segundo ele, o personagem mais importante de sua carreira quase cinquentenária. Em conversa com nossa reportagem, o ator falou sobre a profissão, as dificuldade enfrentadas como ator no Brasil e sobre a experiência ao fazer uma trama de época:

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Você acha que sua experiência televisiva contribuiu para a construção deste personagem?

Eu comecei na televisão em preto e branco, e ainda estou aqui. Se eu tivesse me acomodado jamais faria um personagem como esse. Acho que todo dia quando a gente acorda, é um novo desafio e temos que dizer “Vou enfrentar”. A experiência vem em cena e estou muito feliz com isso.

Fale um pouco sobre seu personagem, o Otoniel.

É um rei. Ele começa duque, passa por um duelo onde o vencedor se torna rei de Belaventura, e ele acaba vencendo e depois perde a esposa. É um homem sofrido, angustiado, ao mesmo tempo justo, honesto, tem muito amor pela família, embora autoritário.

Autoritário, mas não é vilão?

Não. Jamais será vilão. Chega de vilão, porque A Terra Prometida já foi demais para mim.

Como foi fazer este vilão na novela anterior?

Foi um grande vilão. A RecordTV já está me dando dois presentes, o primeiro foi o vilão que está fazendo tremendo sucesso pelo mundo, na Argentina inclusive, e agora um rei medieval. O que mais posso querer? Estou muito feliz aqui na TV Record.

E você teve alguma cena muito difícil?

Tive, a cena da morte da esposa. Teve uma carga de emoção violenta. Durante minha carreira, eu fiz uma cena com a Eva Wilma em Pátria Minha que ficou para a história, porque depois que a cena terminou, continuamos chorando. E aqui aconteceu quase a mesma coisa, e creio que o público vai se surpreender, e se emocionar.

Você é muito ligado a esportes?

Eu sempre fui esportista, ainda pego onda, vou para o mar todo dia, tenho treinado em academia e me casei com uma mulher igual a mim.

Você gosta de malhar e sua esposa também…

Eu acho que a Cristiane foi um presente de Deus para mim. O jeito que somos é muito parecido. Temos os mesmos hábitos, não gostamos da noite por exemplo. Na questão da saúde então, é musculação e batata doce (risos)!

Você está com qual idade?

Agora estou com 65. Estou tirando onda não é? Nasci em 1952, vi o Garrincha jogar com o Pelé. Para as pessoas que estão em casa, no sofá lendo jornal, tenho um conselho: Levanta daí, vá até a praia, comece a caminhar, porque faz bem para a saúde, e a vida é uma só!

Você está gostando desse novo trabalho? Já tinha feito algo parecido?

Estou gostando muito. Eu fiz um príncipe no comecinho da carreira, em O Príncipe e o Mendigo, depois fiz papéis como galã, em Anjo Mau, Dono do Mundo, sendo que o mais lembrado é em Armação Ilimitada, que fiz durante alguns anos, mas o rei Otoniel é o personagem mais importante que já fiz.

Qual balanço você faz da sua carreira?

Tenho 47 anos de carreira. Na verdade gostaria de ter nascido em Los Angeles, ou na Europa, porque eu não teria nenhuma insegurança de renovação de contrato. Aqui no Brasil não, porque vou pra quase 50 anos de carreira e preciso continuar trabalhando. A gente luta agora pelos direitos conexos. Imagine agora se essas minhas 30 novelas fossem vendidas e eu recebesse bem por isso. A gente recebe, mas recebe muito pouco. Se fosse diferente, hoje eu estaria tranquilo.

Você acha que o Brasil ainda é difícil para o ator?

Não só para o ator, mas para as pessoas que trabalham a vida toda, se aposentam e não conseguem sobreviver. O Brasil infelizmente vai demorar um pouco para sair desse buraco, principalmente depois de todo esse problema que tivemos com nossos políticos.

O seu contrato na RecordTV é por obra?

Por obra. Termina a obra, termina o contrato mas estou confiante que iremos renovar e poderei continuar na casa.

*Entrevista realizada pela jornalista Nucia Ferreira.

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