Ricardo Pereira comemora o sucesso em Deus Salve o Rei: “Muito gratificante”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Ricardo Pereira foi apresentado aos telespectadores brasileiros em 2004, na pele do protagonista Daniel, da novela Como Uma Onda, e de lá para cá não deixou mais de atuar em novelas e séries no país. Atualmente no ar em Deus Salve o Rei, o ator dá vida a Virgílio, um homem com trejeitos e atitudes vilanescas. Em conversa com nossa reportagem, ele falou sobre a parceria de Brasil e Portugal em relação a trabalhos artísticos, e comemorou sua rotina pesada na nova novela das 19h.

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Como você se sente ao ver que é tão querido pelo público e pela imprensa?

“Viajando um pouquinho no que é a vida e no que é o trabalho, eu acho que as pessoas têm de respeitar umas às outras, isso é o ponto de partida de qualquer relação pessoal e profissional. Um dos fatores muito acolhedores que eu tive, desde o primeiro momento que eu vim para o Brasil, foi exatamente essa relação profissional que eu tive dentro da própria Globo, com os meus colegas. Eu já vinha com uma carreira de Portugal, trabalhava lá em novela, seriado e cinema, mas essa coisa de acolhimento que eu tive aqui dentro nos Estúdios Globo, dá uma tranquilidade para trabalhar. A prova disso é que eu vim seis meses para fazer uma novela e estou aqui vai fazer 15 anos. Então, eu acho que existe essa reciprocidade, não só no carinho que vocês (imprensa) têm comigo, mas, obviamente, no carinho que eu tenho com vocês, e isso é sincero, é honesto. Isso tem a ver com o cuidado e com o fato de ser correto. Isso é incrível! Me deixa muito feliz, muito satisfeito, porque a gente trabalha nessa parceria.”

Os portugueses estão marcando presença nas produções globais. Em Deus Salve o Rei, tem o José Fidalgo, em O Outro Lado do Paraíso, tem o Pedro Carvalho. Como está sendo a relação entre vocês nos bastidores?

“Eu conheço essa galera há muito tempo. Ao longo de 15 anos, veio muita gente. Antes de mim, tinha vindo alguns portugueses fazer novelas de muito sucesso, relembrando a Maria João Bastos que, inclusive, trabalhou comigo na última novela. O Paulo Pires, que veio fazer Salsa e Merengue, lá atrás, do Miguel Falabella, e, é meu padrinho de teatro. A Maria Vieira, que  está agora no Brasil a Bordo, também do Miguel. Acho que eu acabo sendo um embaixador, não só aqui no Brasil, mas também em Portugal. Quase todos brasileiros que foram trabalhar em Portugal fazendo novelas, trabalharam comigo. Entre eles: o Magrini, a Juliana Baroni, uma galera. Eu acho que o Brasil já estava dentro de mim e eu dentro do Brasil, antes mesmo de eu ter vindo a primeira vez. Eu fico feliz com essa troca cultural, ela acontece hoje em dia, não tanto na televisão brasileira, com tantos atores, mas vai acontecendo. Ano passado, tinha uma novela com brasileiros lá, mas tem muito isso no teatro. Inclusive, o Matheus Solano está indo para lá com uma peça, o Caruso também. O Antônio Fagundes tem ido lá com peças, e eu próprio tenho produzido peças com atrizes brasileiras e portuguesas, como a Irene Ravache, com quem fiz um espetáculo há um ano e meio lá. Fiz uma peça também com a Fernanda Souza. Eu acho que aproximar esses dois países é uma maravilha, e a gente tenta, obviamente, no meio da loucura do trabalho se encontrar. Às vezes eu tenho uma agenda mais difícil, confesso. Eu tenho três filhos, uma família grande, que tem que se dedicar muito quando não está trabalhando, e mais a gravação da novela. Estou fazendo também um projeto da Globo Internacional como apresentador, então, isso me ocupa bastante. Sempre que eu posso, a gente mata a saudade da comida ou de algum jogo de futebol. Eu, o Zé e o Paulo somos do mesmo time. E é uma galera que eu já trabalhei muito, gente que eu conheço há mais de 20 anos. Eu conheço o Zé desde moleque. A gente fez irmão em novela, a gente já morou junto, com o Paulo é a mesma coisa. Então, tem uma relação que a gente criou ao longo de muito tempo, e tem também a felicidade de ver essa troca acontecendo e de ver eles brilhando.”

Focando na novela agora. Como está sendo interpretar esse homem traído? Você já disse que ele não é um vilão, ele é um homem traído…

“A novela tem três semanas no ar, e eu tenho sentido que as pessoas estão muito na duvida de quem é esse cara. Óbvio que falam muito desse ‘embuste’, desse cara que olha de uma forma diferente, que aparece sempre no momento em que a Amália (Marina Ruy Barbosa) e o Afonso (Romulo Estrela) estão vivendo a plenitude do amor, mas tem uma coisa de verdade. Quando eu recebi os capítulos e o convite do Daniel e do Fabrício para fazer a novela, a minha primeira preocupação foi perguntara para o autor: ‘quem é esse cara?’; ‘E por que ele se torna esse cara que não vai largar o pé de Amália?’; Esse cara tinha uma vida perfeita para ele, tinha tudo na vida, bem-sucedido, não é da plebe, não é da nobreza, ambiciona chegar na nobreza, tinha a mulher que ele achava mais bonita da cidade. Botei na minha cabeça que ele estava esperando por essa mulher há muito tempo, porque nessa época as pessoas eram prometidas para casar, e de repente ele perde essa mulher. E perder essa mulher para ele significa perder o amor, perder a família, porque a família dela seria a dele, já que ele não tem família. Então, essa revolta, e o autor confirmou isso, é pelo amor. Tudo é sustentando pelo amor, e eu acho que dá para ver esse desenho que estou fazendo do Virgílio. É uma relação que para ele estava ótima, para ela já um pouquinho pressionada, ela encontra um outro amor, vive esse amor, vive as dúvidas desse amor, eu estarei sempre na sombra desse amor, eu estarei sempre na procura de chegar nesse amor, seja usando a melhor amiga dela ou tudo que estiver na frente, o meu objetivo é reconquistar a Amália. Isso é muito claro nos capítulos que já foram e nos que vão continuar aparecendo, até que chega o momento que realmente vai valer tudo, e o autor preparou uma história incrível. Ele vai ter uma sequência de coisa inimagináveis e ele vai conseguir por um momento, mas eu não posso dizer… Uma das coisas que a gente trabalha muito, são os textos dele. Quando ele fala com a Amália não tem revolta nenhuma. Ele ficou triste com a traição, mas ele fala sinceramente, é o amor e ele tem amor por ela. Então, a gente constrói muito essa raiva com outros personagens e essa delicadeza, sutileza.”

Você tem percebido uma torcida do público pelo Virgílio?

“Tem torcida e tem anti-torcida, que é ótimo. Quando você faz um cara desse, você não espera ter um acolhimento total (risos). Na rua, as pessoas falam para eu largar eles, que eu sou mau. E o pior, como eu estou há muito tempo trabalhando no Virgílio, freneticamente, eu acho que o olhar dele anda comigo nas ruas. Eu acho que estou trazendo esse olhar para o meu dia a dia. Era isso que a gente queria, a gente conquistou esse ‘embuste’, como as pessoas falam, esse vilão, esse cara da sombra e do lado negro, mas ao mesmo tempo, as pessoas se encantam por ele. Desses capítulos que estão no ar, para frente, as pessoas vão se encantar muito mais pelo Virgílio, porque ele vai ter um jeito de falar, um jeito de contar, um jeito de envolver, que vai abraçar as pessoas. E isso é bacana do vilão, que não quer parecer vilão, ele quer apenas seduzir.”

Você acha que o Virgílio ainda sente amor pela Amália? Ele já não pode estar em um nível de loucura?

“Eu acho que esse amor dele é louco. Eu me coloco no lugar dele. Imagina, na época medieval, você ser trocado assim. Hoje em dia essas coisas acontecem, inclusive, os relacionamentos são mais rápidos. A sociedade foi para esse caminho, nada contra, mas quando a gente faz um trabalho de época, a gente tem que levar lá atrás. O fato dele ter perdido a mulher por traição, já é uma coisa louca, porque fere o orgulho, o caráter e a posição social dele. Quando ele caminha na cidade sabendo que as pessoas sabem da traição, é horrível para ele. Então, ele tem que correr atrás. Obviamente que o caminho que ele escolhe até um determinando momento não vai ter muito sentido para provar que é só amor. Daqui há duas, três semanas, o público vai olhar, e que não tem mais desculpas e que ele é o vilão.”

O Virgílio assumiria um filho da Amália, não sendo dele?

“Eu acho que sim. Ele faria tudo para recuperar a Amália, então, ele assumiria numa boa.”

Saiu em um veículo, que a Amália engravidaria, seria expulsa do reino e que no meio disso tudo, reencontraria o Virgílio…

“Eu só digo que o Daniel preparou uma novela com muitas voltas. Ele sempre fala que é uma novela de escolhas. Ela fala de você abdicar de alguma coisa, escolher um caminho e outro. Eu gosto de tramas assim, em que a vida se mistura, embaralha e volta a andar, porque a nossa vida também tem isso. E o Daniel preparou uma novela com muitas idas e vindas nos núcleos. Isso é bacana, porque mostra uma atividade da novela muito boa.”

Você e a Marina Ruy Barbosa estão sendo bem elogiados pela atuação. Esse reconhecimento é fruto da intensa preparação, ensaios e estudos que vocês estão fazendo?

“Eu sou virginiano, e para o bom e para o mal sempre teve isso. Eu amo estudar. Sou bastante insatisfeito. Vocês conhecem o meu percurso até aqui no Brasil, não conhecem tão bem em Portugal. Eu faço muito cinema a nível internacional e eu gosto muito de aprender. Como eu comecei há muito tempo, levo uma estrada longa para a idade que tenho, eu fui agarrando conhecimento. E eu pretendo sempre de trabalho para trabalho melhorar, óbvio. Eu acho que isso a casa (Globo) reconhece e vai me dando desafio cada vez mais difícil e, principalmente, diferenciado, me permitindo mostrar a versatilidade da minha atuação. Isso para mim é tudo! É o que eu amo fazer coisas realmente diferentes. E não tenha dúvidas, que em todas as profissões, e essa não foge, a dedicação tem que ser total, e tem que ser até o fim. Eu fico feliz, todo mundo fica feliz quando lê uma coisa elogiando o seu trabalho, quando vai nas ruas e as pessoas falam do seu trabalho. É muito gratificante porque você sabe a quantidade de horas que você trabalha para isso. A gente grava muito, eu grudo muito nos meus parceiros de cena também. Eu puxo muito eles para mim, e às vezes eles também me puxam, isso é bom. Eu, Marina e Romulo nos grudamos muito, trabalhamos muito, continuamos trabalhando muito. Saio daqui e trabalha fora, e não é só as aulas com o Marcelo Bosschar, que é nosso preparador, ou, até mesmo, com um preparador de fora, que a gente cata, porque às vezes alguma outra cena precisa de mais movimento, de mais corpo. Isso tem que ter disciplina, e eu me obrigo, inclusive, além de acordar cedo, ir todo dia para o crossfit para malhar e ter ainda um negócio militar na cabeça de rigor. Eu já chego aqui esquentando, eu já chego aqui bem. Não tenha dúvida de que é muito gratificante para a gente, mas a batalha não está ganha. A gente tem que estar nessa batalha, nesse rigor até o final. Então, eu vou continuar saindo 02h da manhã do preparador, acordando 07h, e vindo para o Projac, depois de malhar, porque tem que ser assim.”

Como você reage ao perceber que as pessoas te veem já como brasileiro?

“Eu tenho 38 anos, e 15 anos da minha fase adulta, eu passei praticamente aqui, pelo menos como base número 1, aqui. Claro que eu sempre viajei para trabalhar em outros lugares, mas a minha base de casa é aqui, onde meus filhos estudam e onde eles nasceram, inclusive, é aqui. Eu adotei o Brasil para a minha vida. Hoje, ninguém me pergunta aonde eu vou passar o Natal, se eu vou para Portugal. Isso tem muito a ver, obviamente, quando eu percebi que tinha que fazer personagens além do português, abrir o leque de trabalho, e eu consegui fazer isso com o fonoaudiólogo lá atrás. As pessoas me acolheram e, realmente, eu já sou muito daqui. É muito gratificante, e eu acho que os portugueses ficam muito felizes, assim como os brasileiros, quando um cara brazuca tem um sucesso fora do país, é um sinal de reconhecimento. Na verdade, eu estou trabalhando há muito tempo na Globo, e ela é mundialmente uma referência. Então, isso deixa também os portugueses muito felizes com esse sucesso e essa continuidade de trabalho que eu vou tendo aqui.”

A sagacidade do Ricardo do início da carreira ainda está a todo vapor?

“É a mesma coisa. E quem percebe isso me toca muito, porque tem pessoas, principalmente aquelas que a gente viu crescer na escola, quando me encontra fala que estou igual, com a mesma alegria. Eu sou um cara viciado em pessoas, eu amo o ser humano. Eu sou psicólogo, me formei, mas nunca exerci. O objeto de estudo da psicologia é o comportamento humano, eu sou viciado no comportamento humano. Eu aprendo com pessoas, não tem coisa melhor na vida do que as histórias das outras pessoas. Cada um tem o seu caminho, fez o caminho que pôde, mas todos eles são interessantes. Então, é bacana quando você tem noção de que a vida é isso, que você tem que aprender com todo tipo de pessoa, tem que tratar todas as pessoas da mesma maneira e você não pode se deslumbrar com nada. Minha profissão é essa, tem realmente uma exposição muito grande, mas eu sou o Ricardo, o Ricardo de sempre, que todo mundo conhece, e sempre com essa ambição. Ambição de querer procurar sempre uns trabalhos bacanas que motivem, eu preciso de motivação, eu preciso encontrar um trabalho que me estimule. No momento em que eu estiver parado, acomodado, não sou eu, não existe isso comigo.”

Você perdoaria uma traição como o seu personagem Virgílio?

“Já perdoei sim. Eu já perdoei trezentas vezes. Quem nunca foi traído? Só aqueles que não têm coragem de dizer. Tem um ator que eu amo, tem 90 anos, é o Ruy de Carvalho, um gênio, e ele me fala isso: ‘Ricardo, a vida é isso. Você tem que experimentar a vida. Tem que experimentar a atuação, tem que experimentar as coisas da vida’. Então, a vida é para ser vivida. A gente tem que conhecer a realidade da vida para poder falar sobre ela. Eu já passei por isso e perdoaria. Dói! Eu acho que para você perdoar uma traição depende da pessoa que te trai, depende também do momento da vida que você está vivendo. Quando a gente é moleque, a gente acha que o mundo vai acabar. Hoje, você respira, e é tão bom quando a gente respira e observa as coisas e vê que não é isso tudo. Agora, eu acho que o Virgílio não vai desistir, porque foi marcante esse momento em que ele viu Amália beijando outro cara.”

Entre esse cenário de traição, ciúmes, o Virgílio pode juntar forças com a outra vilã da novela, a Catarina (Bruna Marquezine)?

“Eu acho que a história ainda vai ter muita coisa. O meu personagem lá na frente vai se juntar com a Catarina, a vilania vai se juntar. Isso é uma coisa que o autor já falou para a gente. Tem tanta coisa para acontecer, que vai meio que dar uma trégua neles (Virgílio, Amália e Afonso) porque vão ter outras coisas para se resolver na vida.”

Você disse que a maturidade te ajudou na vida real, a perdoar uma traição. O Virgílio ainda está pendente com essa característica?

“Eu não diria maturidade, porque ele é homem. Ele deve ter tido uma vida bem sofrida, ele deve ter construído um caráter bem interessante e forte. Claro que ele não é vilão do dia para a noite, ele deve ter alguma coisa duvidosa. Como não tem informação na sinopse, no trabalho que eu fiz com o Marcelo, eu comecei a imaginar a vida desse cara para atrás, e a história familiar dele não deve ter sido feliz. Eu encarei que a história familiar dele não deva ser tão bacana, acho que marcou ele e marcou ele nessa ânsia de criar uma família.”

Você curte as cenas de lutas, batalhas?

“Curto! Estou todo marcado, mas curto. Dói muito, são físicas. Isso também é uma das coisas que eu me preocupo, daí o treinamento que eu faço diário. Eu estou descansando fisicamente um dia por semana do treinamento que eu faço com o meu personal lá no crossfit. As cenas de batalhas são muito intensas, mas para elas ficarem bem, para o público ver e pirar nessas lutas, porque elas são lindas, a gente tem que sofrer um pouquinho. Principalmente pelo calor, a gente tem muita roupa, as espadas são pesadas e as coreografias que a gente tem que acertar. Vou dar um spoilerzinho: eu vou ser herói para a Amália. Não falei nada…”

Os seus filhos estão acompanhando a novela?

“Eles amam a novela, é engraçado. O mais velho me obriga a gravar, porque é na hora do banho dele, para não perder nada. Fica olhando, pergunta porque eu estou batendo, porque eu não gosto de alguém. O vilão é uma coisa que deve estar mexendo com ele. Agora, eu chego em casa, e ele está vestido de preto, já tem o anel, já tem a pulseira, me obrigou a comprar umas coisas parecidas com capa e casaco como eu ando aqui.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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