Rayssa Bratillieri festeja sua segunda novela e fala sobre a Soraia, de Éramos Seis: “Ela é difícil de defender”

Publicado há 8 meses
Por André Santana
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Em sua segunda novela, Rayssa Bratillieri mostra que é um nome que veio para ficar. Vivendo a decidida Soraia, de Éramos Seis, a atriz vive excelente momento na carreira. Ela comemora a chance de contracenar com grandes nomes como Werner Schünemann (Assad, pai de Soraia), Mayana Neiva (Karine, a madrasta da jovem) e André Luiz Frambach (Julinho, seu par na novela e também na vida real).

Em Éramos Seis, Soraia tanto fez que conseguiu conquistar Julinho, fazendo com que ele rompesse um namoro de anos com Lili (Triz Pariz). Por isso, a jovem divide as opiniões do público. “Soraia não é muito adorada. O Twitter me odeia (risos)! Tem gente que torce por ela porque conhece a Rayssa, e me defende. Mas tem quem não defenda a Soraia, e eu entendo também”, analisa Rayssa.

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Mas Rayssa compreende as motivações da personagem. “Eu acho um pouco complexo eu falar sobre o que eu venho fazendo. Mas eu sempre tento dar o melhor que eu posso dar no personagem. Eu tentei humanizar o máximo a Soraia, porque ela realmente é difícil de defender. Ela é uma menina que tenta ao máximo e corre atrás do que ela acredita. Então, tudo gira em torno do mundo dela. Por isso, eu tentei criar motivações concretas para que isso fosse mais compreensível. Ela tá apaixonada por aquele garoto, e ela faz tudo para que ele esteja do lado dela, e isso é muito possível de acontecer”, crê.

Éramos Seis, uma novela de personagens muito humanos

Para a atriz, Éramos Seis é uma história de personagens muito humanos, e foi isso que ela buscou para construir Soraia. “Existem pessoas que se apaixonam e fazem de tudo para ter esse amor, então eu tentei usar essa história para tornar a Soraia verdadeira. Isso numa história tão humana, que tem uma Gloria Pires fazendo uma Dona Lola de maneira tão surpreendente, que arrasa o nosso coração”, elogia.

Rayssa acha que Soraia conquistou Julinho porque o interesse foi mútuo. “Ele deu muita abertura, senão ela não chegaria aonde chegou. Porque ele (Julinho) falava não, mas dava uma piscada para ela. Uma mulher pega os sinais, entendeu? Então, ela foi atrás. Eu acho que ela só fez o que ela fez porque ele deu abertura”, afirma.

Para Rayssa, Soraia tem seus motivos para agir como age. “Ela tem uma família que sempre deu tudo para tudo para ela. Depois ela perdeu a mãe, cresceu sem amigos no colégio, sem ninguém. Aí ela tenta se aproximar de alguém, e ela não sabe como transmitir amor. O que ela faz com Julinho é a forma que ela sabe transmitir amor, é a referência que ela tem. Eu sei que isso não é a forma de tratar as pessoas, mas de alguma forma eu preciso entender isso para compreender o que ela faz, e falar o que ela fala. Ela tem uma personalidade muito forte. E ela percebe que consegue mandar no Julinho por dinheiro, então ela usa isso”, acredita.

Soraia (Rayssa Bratillieri) em Éramos Seis (Divulgação/ TV Globo)

À frente do tempo

Para Rayssa, Soraia é uma mulher à frente do seu tempo. “Ela não vê convenção e não problematiza nada muito sobre vontades e concretizá-las. É claro que eu acredito que, na vida, tudo é uma questão de equilíbrio. A gente não pode radicalizar em nada. Mas, cada vez mais, a gente tem ocupado esse lugar de não colocar a mulher como objeto e também afastar a questão do homem pode ter suas vontades e a mulher não poder ter. E isso é uma coisa interessante da Soraia, que em 1930 já assumia suas vontades. Naquela época, a mulher já tinha suas vontades, mas era crucificada pela sociedade”, afirma.

Ela também acha que Karine (Mayana Neiva), a madrasta, também influenciou a personalidade de Soraia. “A Karine chegou e influenciou a Soraia. Eu me lembro de uma cena em que ela fala para a Soraia conversar com o Julinho, e passa um batom vermelho nela, coloca um vestido mais ousado. A Soraia ficou insegura, mas seguiu o conselho da madrasta. Ou seja, a Karine tem grande influência sobre o jeito de ser da Soraia, pode ter certeza”, diz.

Privilégios da profissão

Rayssa comemora a chance de contracenar com tantos atores experientes. “Estar ao lado de um elenco maravilhoso e ouvi-los falar… (Antonio) Calloni, Ricardo Pereira, Cássio Gabus Mendes, e tanta gente de quem eu sempre fui muito fã e muito apaixonado pelo trabalho. Ver de perto essas pessoas é sempre um aprendizado”, afirma.

Rayssa também vê vantagens de contracenar com o namorado, André Luiz Frambach. “O bom é que a gente consegue estudar junto. E quando a gente vai criar uma família dentro de uma história, você precisa ter intimidade com os atores. Quando você já conhece isso, então já parte de algum lugar, não parte do zero”, analisa. Mas um respeitar o espaço do outro é outro segredo da boa relação entre Rayssa e André. “Procuramos manter nossa individualidade. Respeitamos o espaço de cada um, eu sempre tento sair com as minhas amigas, ele sai com os amigos dele, e a gente tenta manter coisas próprias”, ensina.

A atriz pontua as diferenças entre o amor em cena e fora dela. “A gente fez Malhação – Vidas Brasileiras durante muito tempo, e só foi começar a namorar e ter alguma coisa no final (da novela). A primeira vez que a gente se beijou, eu, Rayssa, e ele, André, foi muito diferente do que, aparentemente, era para ser. A gente já tinha se beijado em cena, mas é diferente. A gente tá fazendo uma cena de amor, mas tem tanta gente em volta… O diretor falando ‘agora desce a mão’. É bem técnico mesmo”, afirma.

Julinho (André Luiz Frambach) e Soraia (Rayssa Bratillieri) em Éramos Seis (Divulgação/ TV Globo)

Oportunidades

Para Rayssa, é importante que ela e o namorado aproveitem esta chance de trabalharem juntos. “A nossa profissão pode nos levar a caminhos opostos. Daqui a pouco pode surgir um filme em São Paulo, ou uma novela totalmente diferente, a gente não sabe. Então a gente tem que aproveitar ao máximo o tempo que estamos tendo”, analisa.

A atriz aproveita para analisar a sua trajetória na TV. “É sempre aprendizado. Acho que não só na minha profissão, mas em qualquer coisa que eu fosse escolher, eu acredito que na vida a gente vai amadurecendo, vai conhecendo pessoas e vai vendo a vida de outra forma, saindo da nossa bolha. Fazer Malhação foi muito importante para mim, importante por diversos aspectos. Foi a primeira vez que eu trabalhei dentro de uma estrutura tão grande e tão importante quanto a Rede Globo. E foi importante porque a gente falou sobre assuntos sérios, e eu vi a importância que é você estar na novela e levar mensagem e dar voz para as pessoas. Agora eu estou numa novela de época, e entendo a importância de a gente entender nossa História para entender o que a gente vive agora”, diz.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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