Rafael Vitti retorna às novelas em Verão 90 e afirma: “As referências que tenho desta época vem dos meus pais”

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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O ator Rafael Vitti está prestes a retornar às novelas em Verão 90. Sua última produção na casa foi em Rock Story. Na trama escrita por Izabel de Oliveira e Paula Amaral, Vitti será João (João Bravo na fase infantil). A novela conta a trajetória dos três ex-astros mirins do Patotinha Mágica, grupo infantil de sucesso da década de 80.

São eles: João, Manuzita (Melissa Nóbrega/Isabelle Drummond) e Jerônimo (Diogo Caruso/Jesuíta Barbosa), e suas mães batalhadoras, Lidiane (Claudia Raia) e Janaína (Dira Paes). Em entrevista ao Observatório da Televisão Rafael Vitti fala das expectativas com a nova produção, referências da década de 90, relação com o elenco e muito mais, Confira:

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Conta um pouco sobre Verão 90?

“Ela é muito astral. É uma comedia romântica mas que tem uma trama que também vai por um viés que traz uma verdade. Ela é leve, divertida, os personagens são muito múltiplos em relação a forma como eles vivem e veem o mundo e isso é bom porque quando existe o encontro desses personagens tem é bem legal. Jorge Fernando que é um mestre, tem uma coisa bem humorada para entreter e fazer a gente esquecer um pouco dos nosso problemas. O texto maravilhoso das autoras me deixou muito empolgado e gosto dessa imagem que elas imprimem”.

“Me sinto abençoado”, afirma o ator sobre integrar esta novela

“Quando eu soube que seria o Jorginho (diretor), Claudia Raia, eu fiquei muito feliz. A Claudia representa para mim um símbolo dos anos 90. Estar com ela nos bastidores é muito importante, é quase um laboratório. Ela é realmente uma grande parceira para todo mundo. Este elenco tem pessoas que eu admiro demais, estou procurando só aprender mesmo, e fazer o que me designaram para fazer. Eu quero aproveitar a oportunidade de estar trabalhando com eles. Me sinto abençoado”.

E como vai ser o seu personagem?

“Meu personagem se chama João Guerreiro, ele é um ex-ator mirim. Ele faz parte de um grupo que se chama Patotinha Mágica. Faz muita referência ao Balão Mágico. Depois do sucesso, o grupo acaba rompendo e principalmente porque existe uma rivalidade muito grande da Janaína e com a Lidiane. O João é um jovem muito da época mesmo, alto astral, divertido e bem-humorado.

Eu tento sempre fazer dos meus personagens divertidos, mesmo que não peçam tanto. No momento que a história se inicia ele trabalha numa rádio, a Rádio Maremoto FM. Ele é estagiário, mas tem um programinha que ele fala sobre surfe, ele é muito ligado a música. A vida começa a se mostrar não tão boa para o João por conta do irmão, que que tem um ressentimento pelo fim do grupo Patotinha. Ele tem muito bom coração, ama muito a mãe. Ele vai sofrer bastante sem merecer”.

A história de João e Manuzita

Ele vai se apaixonar?

“Sim, ele tem uma grande paixão pela Manuzita. E é ela quem o escolhe. Até que abrem um concurso para quem será o novo companheiro da Manuzita, e acaba acontecendo uma confusão e ela escolhe o João para ser, só que o diretor gostou mais do Jerônimo, é então que nasce o trio. Eles têm muito afeto um pelo outro, existe essa coisa da pureza e do amor. E passam 10 anos do fim da Patotinha, de uma maneira abrupta, e não houve contato entre eles, não tinha internet, não tinha celular, não tinha nada, então você não sabia sobre a vida das pessoas, e o que elas estavam fazendo.

Para saber era necessário ir atrás delas. Eles se reencontram no meio da estrada, indo para o mesmo lugar, e volta tudo. O coração vai na boca. É muito legal porque ao mesmo tempo que tem esse amor, e é uma coisa do passado, que reascendeu agora. Ele sempre a teve nos pensamentos dele. Quando eles se reencontram parece que eles voltam a serem crianças, talvez seja a forma como eu e a Isabelle estamos construindo isso. Tem muito amor, acho que é uma bonita história”.

Você se parece com ele?

“Eu acho que muitas vezes nós somos designados a fazer papeis que se aproximam da gente. O que é maravilhoso, eu adoro. É um personagem incrível e a gente é parecido sim. Não tem como eu não colocar coisas da minha personalidade nele. Vendo a postura dele, eu me inspiro um pouco. Há uma mistura”.

Tatá Werneck

Quem é mais pé no chão entre você e a Tatá?

“Acho sou eu. Para as coisas da vida, coisas mais sérias e que exigem um pouco mais de pé no chão, sou eu. Mas nas questões profissionais é ela. Nós somos muito bem humorados. A gente acorda rindo”.

Como é conhecer a realidade dos anos 90?

“É engraçado, por mais que eu não tenha vivido, meus pais viveram. Todas as referências musicais e coisas que ficaram marcadas dessa época vieram deles”.

Você saberia viver sem tecnologia?

“Eu quase vivo sem. Eu não vou me colocar como uma pessoa que não usa internet e rede social, porque não tem como não usar. Mas eu acho que gosto de não ser tudo tão imediato, de não ser sempre muito acessível. Talvez eu não tenha me adaptado à isso direito. Eu penso até nas relações, que hoje em dia tem acabado muito rápido, é um imediatismo para resolver. Você briga e não tem o tempo para absorver aquilo, pensar sobre. Não é saudável, você não tem um tempo natural”.

“Sempre estamos juntos”, diz o ator sobre relação e rotina com Tatá Werneck

Em relação ao profissionalismo. Tem uma cena que ele passa mal, está com pneumonia, a mãe dele o leva, ele desmaia. Já aconteceu de você gravar passando mal?

“Já gravei passando mal sim, com dor de barriga. Mas eu só não faço se estiver inviável mesmo. Aqui tem uma estrutura muito grande. Você deixar de trabalhar um dia é muito dinheiro que vai embora”.

Você disse que tem um ritmo mais calmo. E você está nesse ritmo? como vocês conciliam  o tempo de vocês?

“Na verdade estamos sempre juntos, e quando não, sempre nos falamos. Ela também tem essa questão de ser muito solicitada, mas gosta de ter o tempo dela bem preenchido”.

A Tatá deu uma entrevista dizendo que ela sempre leva os animais dela para os lugares. Em uma história contada pra gente ela disse que queria levar uma cabra do sets de gravações de Deus Salve o Rei. Isso é verdade?

“Na verdade ela poderia levar a cabra do set, mas ela queria ter uma cabra de estimação. Ela chegou em casa e disse: ‘Rafa, vamos ter uma cabra?’ …Eu falei: ‘Pô, como assim? A gente já tem 12 gatos e 7 cachorros. Você não vai ter nem tempo para falar com ela, e ela vai comer todo o jardim inteiro. Você não tem nem tempo para cuidar dela’.

Um dia ela viu no meu telefone que eu tinha pesquisado como era criar uma cabra. Ela disse: ‘Viu Rafa, você está até pesquisando’. Eu respondi: ‘Mas eu estou pesquisando para ter argumento para dizer que a gente não pode ter uma cabra’.”

“Um trabalho de superexposição e a gente quer fazer sempre muito bem feito”

Como você avalia sua carreira até aqui?

“Eu acho que primeiro eu tenho que pensar que é para acontecer. Eu não gosto de ir contra o natural. Eu gosto de tomar as minhas decisões e ter minhas escolhas. Eu não luto contra o que está acontecendo. Eu agradeço de verdade a confiança e oportunidades. É um lugar de muita responsabilidade, eu dei muita sorte, trabalhei com diretores que se deram muito bem comigo. Eu me preparo para o trabalho de ator e me sinto bem abençoado, e às vezes, não tão preparado.

Nosso trabalho é tão subjetivo que acho que nunca vamos estar preparados, mas as oportunidade que eles tem me dado, eu tento acompanhar isso com estudos. Às vezes eu sinto falta de não ter uma formação, eu aprendi como fazer TV e com os meus colegas, com as experiência, mas às vezes eu sinto falta da faculdade. O ator precisa sentir confiança e a faculdade traz isso. É um trabalho de superexposição e a gente quer fazer sempre muito bem feito. Mas eu acredito, fico feliz demais”!

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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