Protagonista de Malhação, Camila Morgado celebra sucesso na carreira: “Consegui mais do que eu imaginava”

Publicado há 3 anos
Por Bárbara Saryne
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Em Malhação: Vidas Brasileiras, Camila Morgado dá vida à professora Gabriela, uma professora idealista e interessada na vida dos alunos. A atriz conversou com nossa reportagem em um evento realizado nos Estúdios Globo e falou sobre a o carinho do público, a repercussão de sua personagem, e opinou sobre sua a carreira, confessando que conseguiu chegar num lugar em que não imaginava que conseguiria. Confira o bate papo completo:

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Como está sendo a repercussão desse trabalho?

“Está sendo muito legal. Esse elenco é muito especial e querido. Essa turma ainda está em construção, tem muita coisa pela frente, mas a equipe está se entrosando cada vez melhor e é muito gostoso porque são temperamentos diferentes. A história é muito legal, tem 17 jovens que protagonizam e a gente já viu a história de alguns. Eu vejo a ‘Malhação’ bem próxima da nossa realidade e as pessoas têm falado muito isso comigo nas ruas. Tenho sido muito abordada e estou muito feliz de fazer essa personagem que trabalha com educação inclusiva. Eu acho que a educação é o que ajuda a formar os indivíduos a ficarem plenos, com consciência de seus direitos e deveres. Acho que neste momento, falar sobre isso é muita sorte.”

A Gabriela não é uma professora comum, é a professora que todo mundo gostaria de ter…

“Sim, eu gostaria de ter uma professora assim. Eu tive alguns professores que me marcaram e a Gabriela é esse tipo de professora, que faz a diferença na vida do aluno. Ela é amiga, olha para outro, tenta entender o universo dos alunos. O mais interessante é que ela não tem uma verdade, o que ela tem é bom senso. A Gabriela aprende com os alunos. Ela não quer ensinar para o aluno, ela quer aprender junto e isso faz diferença, transforma e faz dela uma professora especial.”

O que você acha desse amor que a Gabriela tem pelo Rafael (Carmo Dalla Vecchia)?

“Eu acho muito bonita essa parte da história porque é mais lúdica. Ela teve esse amor do passado há 17 anos e foi um amor que ficou mal resolvido, quando apareceu começou a mexer com a rotina dela, o casamento ficou numa situação um pouco delicada. Os filhos vão começar a ficar desconfiados e o que parece, pelo que li até agora, é que o Rafael não vai desistir dela. A Gabriela acredita no casamento, acha que aquele ainda é um bom companheiro para ela. O problema é que ela não conseguiu esquecer esse amor do passado. Eles terminaram sem nem conversar, foi um fim desastroso e quando o Rafael aparece voltam todas essas questões.”

Como está a torcida das pessoas?

“Eu não sei porque eu tenho uma falha de caráter, não tenho rede social (risos). Eu vou ter agora, todo mundo fala para eu abrir um Instagram e eu já disse que vou fazer. Até agora não tive tempo, mas até o fim de ‘Malhação’, vou criar um perfil. Enquanto eu não abro, permaneço com essa falha de não saber para quem as pessoas estão torcendo, o que estão achando. Eu prefiro que elas fiquem bem confusas porque o Paulo é um pai presente e um companheiro muito legal. Ele tem suas falhas, mas todo mundo tem.  O Paulo acha que a Gabriela não deveria trabalhar e isso a deixa enfurecida. Essa falha do Paulo é o que é mais irritante, mas ao mesmo tempo é um companheiro que está aberto para mudar e se transformar em outra pessoa. O Rafael, embora eles não tenham tido essa vida a dois, parece ser uma promessa de um companheiro legal, carismático, interessante. Mas tem um passado complicado. Eu não sei para quem eu torço.”

O Rafael (Carmo Dalla Vecchia) é bem idealista. Como é que você vê isso?

“Ele é um grande companheiro de trabalho e acredita nas mesmas coisas que a Gabriela. Isso é um ponto alto e muito favorável para o Rafael, mas é aquela coisa… A gente não sabe como é no dia a dia. O Rafael tem um filho, já passou por muitas coisas no passado. O que eu acho é que essa situação vai ficar bem complicada e a Gabriela pede para ficar um pouco sozinha, o que eu acho ótimo, mas não faço ideia do que vai acontecer.”

Paulo ( Felipe Rocha ), Gabriela ( Camila Morgado ), Alex ( Daniel Rangel ), Mel ( Maria Rita ) e Flora ( Jeniffer Oliveira ) (Divulgação/ TV Globo)

As pessoas, hoje, são muito egoístas e a sua personagem é uma pessoa totalmente diferente, que gosta de ouvir o outro. Como é, para você, contar essa história para tantas pessoas?

“Eu não sabia que ‘Malhação’ atingia um público tão grande. Tem muita senhora que assiste, muito jovem… Quando a gente faz um personagem, a gente tem a oportunidade de começar a ver as coisas como se fosse aquela pessoa. A Gabriela está me ensinando o quanto é importante, principalmente no momento que a gente vive, ouvir o outro. Eu acho que a gente fala muito, escuta pouco e tem muita opinião formada para tudo. A gente precisa participar um pouco mais da vida do outro e não ficar só olhando para o nosso próprio umbigo. A Gabriela me ensina isso, ela presta muita atenção na vida dos alunos, quer saber como é o meio deles e como vivem, tem essa característica.”

A Gabriela também tem um lado meio detetive, que vai atrás das pistas…

“Sim, eu acho que ela é muito curiosa, ela nunca acha que o jogo está ganho. Ela sempre acha que tem algo a mais para descobrir. Acho que curiosa encaixa mais do que detetive. Quando a pessoa se interessa pelo outro, isso vem dessa forma.”

É possível ser como a Gabriela na vida real?

“Eu sei que o meio é muito difícil, mas acho que é possível. A Gabriela é idealista e a gente não pode perder isso, por mais que enfrentemos dificuldades.”

Você conversou com professores que dividiram experiências?

“Nesse caso, não. Mas eu ouvi professores que largaram as instituições porque acreditaram que a educação poderia ser feita de outra forma e alguns que estavam vinculados a algumas instituições, mas tentavam fazer um diferencial. Os que apresentam dificuldades para viver essa realidade, eu não falei.”

Você acha que a forma de educar está ultrapassada?

“Eu acho que uma pessoa formada falaria melhor, eu posso falar melhor da minha área e dessa eu não gostaria de falar porque eu poderia ser indelicada ou dizer algo injusto. Mas eu acho que sim. A educação é um processo constante, vivo, e a gente se transforma muito. Eu acho que a educação precisa estar voltada ao pensamento atual, contemporâneo. Hoje, com a internet, a gente deveria fazer esse processo de aprendizado ser mais estimulante para os alunos. Essa forma de cobrar muito do aluno, da criança ter que apresentar boas notas para ser boa, não é muito o que eu acredito. Eu acho que a pessoa pode não apresentar boas notas por não estar preparada para fazer as provas porque o processo seletivo é muito cruel, violento e agressivo. Isso deveria ser repensado, assim como as aulas precisam ser mais estimulantes. Mas tudo isso faz parte de um processo muito profundo. Eu não me sinto capaz de falar com profundidade, é um assunto que tem vários lados.”

Gabriela ( Camila Morgado) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia ) em Malhação: Vidas Brasileiras (Divulgação)

Você interpreta sempre grandes mulheres.  Como é, para você, representar essas mulheres que são fortes e estão aí na rua no dia a dia?

“É muita alegria. Eu fico muito feliz por ter sido escolhida para fazer um papel como esse, por exemplo, que tem como objetivo representar essas professoras, essas mulheres que dividem suas vidas com o trabalho e com a família. Eu só não sei dizer o que faz as pessoas me escolherem para essas personagens. Acho que é o acaso, não vejo explicação.”

Você é muito centrada, falou que na juventude era muito tímida. Se você voltasse sete anos atrás, o que diria para si mesma?

“Eu diria para eu não ser tão insegura. Eu ainda sou, mas já fui muito mais tímida, muito mais insegura. Eu diria para eu acreditar mais e deixar a vida me levar (risos).”

Você chegou onde sempre sonhou?

“Eu não imaginava, para mim foi uma grande surpresa. Quando eu comecei a me apaixonar pelo teatro, eu imaginava poder exercer o meu trabalho e hoje é uma alegria muito grande ver que eu consegui mais do que eu imaginava. Hoje, eu vejo muita gente querendo tirar o nosso direito de ser artista, o que eu acho um absurdo. Eu sou uma pessoa que veio parar na televisão e acabou ficando famosa por acaso, mas e as pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades? Imagina se tiram o nosso direito de ser artista?”

O que você faz para manter a forma?

“Eu sou vaidosa e gosto de ser, mas também tenho sorte. Eu sempre me alimentei bem, sempre gostei de coisas mais saudáveis. Sou do interior, não sei se isso tem a ver, mas o interior fica mais perto da roça e lá ainda não chega muitas coisas industrializadas, então eu fui criada mais assim. Sou vaidosa e me cuido, sempre fiz exercício, cuido da pele passando protetor solar e alguns cremes.”

Você chegou a dizer que não queria ser mãe e as pessoas demonstraram um certo preconceito…

“Muita gente pensa que já que somos mulheres, temos que ser mães. A sociedade é muito cruel com as mulheres, obriga a gente, pergunta quando o filho vai chegar, como se a gente tivesse que ser assim. E se você é mulher e não estiver afim da maternidade, só quiser trabalhar? Eu tenho várias amigas que também escolheram não ser mães, por não conseguirem se ver nesse papel, e a vida está normal. Acho que esse é um lugar que estamos conquistando. Ainda somos muito cobradas, mas o papel da mulher está mudando muito. Hoje em dia, com a diversidade que estamos vivendo, a gente pode escolher o que a gente quer ser, optar pelo gênero, pela sexualidade. Não sei se estaremos vivos para ver isso tudo, mas sei que estamos atravessando momentos lindos de mudança de pensamentos que são muito profundos. A questão da sexualidade, por exemplo, é muito profunda. Acho que a gente ainda vai se transformar muito.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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