Primeiro lugar, aula de pegadinha e orgulho por especial: as verdades de João Kléber

Publicado há 2 anos
Por Gabriel Vaquer
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O nome dele é Joao Ferreira Filho, mas se chamar de correria, também é correto. No entanto, o Brasil conhece como João Kléber desde os anos 80, por conta de trabalhos com gigantes como Chico Anysio e Chacrinha.

Todavia, as novas gerações conhecem João Kléber por outros formatos. Dois deles, são ultra-populares: as pegadinhas e o “Teste de Fidelidade”. Com a primeira, João tem conseguido algo incrível nas últimas semanas.

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Veja mais: João Kléber revela mágoa de Ritchie por ter se recusado a participar de homenagem a Chacrinha

 No último dia 15 de julho, o programa ficou 1 hora e 2 minutos em segundo lugar, atrás apenas da Globo. Tanto no dia 15, quanto no dia 22 deste mês, o “João Kléber Show” marcou 4 pontos de média – se consolidando como a segunda maior audiência da casa, perdendo apenas para seu antecessor, o Encrenca.

No entanto, João não se acomoda. Na semana passada, fomos entrevista-lo para este especial. Ele tinha que correr: Luciana Gimenez gravaria naquela noite, e ele precisava entregar o estúdio cedo. Tinha que gravar o “Você na TV” – sua atração matinal, que é quarto lugar no Ibope com médias de 1 ponto em SP – e uma série de merchandisings.

Mas a entrevista foi tranquila. Tudo ocorreu no local de lanches da RedeTV!, com João comendo um suco de laranja e um sanduíche natural – o que ajuda a explicar seu físico invejável, mesmo tendo incríveis 60 anos – prestes a completar 61 no próximo dia 2 de agosto.

A atual grande fase de João Kléber nos domingos

Contudo, a excelente fase, claro, foi a pauta inicial. Notoriamente, João trabalha. E muito. “Graças a Deus, estamos indo muito bem, né meu? Mas é um trabalho muito grande. Eu chego muito cedo e fico até muito tarde. Tenho uma equipe super unida, uma equipe que luta. É uma família. Briga, se dá beijo… Se confraterniza… Mas é unida. Isso que é mais importante”, diz o apresentador.

Conforme disse para este repórter, João se define como um professor. Aconselha a equipe e diz o que se deve fazer ou não em todos os sentidos, passando da produção e chegando até ao que vai ao ar. “Se eles quiserem se tornar produtores, diretores de ponta, tem que realmente focar. Tem que ser disciplinado. Tem que ouvir. Eu acho que ninguém sabe nada. Quem acha isso, está equivocado”, afirma o apresentador.

João Kléber (Divulgação/RedeTV!)

Nos últimos 13 anos, João Kléber teve uma vida bem curiosa na televisão. Em 2005, saiu da RedeTV! após seus programas serem alvos do Ministério Público. Foi para Portugal, onde comandou o “Fiel ou Infiel?”, consagrando o formato que inventou no início da década de 2000 no mercado europeu.

Por lá, também foi contratado pela Record, para comandar programas para o público brasileiro na Europa. Voltou ao Brasil e já começou a participar da quarta temporada de A Fazenda. Depois de um certo namoro, voltou para a RedeTV! em 2013, onde está desde então. Desde a volta, João sempre se colocou entre as maiores audiências da casa – a despeito do conteúdo de sua atração, sempre acusada de inventar casos e pegadinhas, como novamente aconteceu nesta semana, em reportagens do jornalista Maurício Stycer.

Primeiro lugar com João Kléber Show é meta 

No horário das 23h às 1h, João tem conseguido incomodar seus concorrente. Principalmente na segunda hora. Entre 0h e 1h, ele tem chegado a ficar a apenas um ponto de diferença da Globo na Grande São Paulo no minuto a minuto. Vale lembrar que, no fim de 2004, João incomodava bastante a Globo com o “Teste de Fidelidade”. Numa certa segunda dia 29 de novembro daquele ano, ele chegou a ganhar da Globo por uma hora, vencendo o “Jornal da Globo” e o “Programa do Jô” com picos de 13 pontos e média de 9, contra 8 pontos da emissora carioca.

A meta de João é chegar lá de novo. Atualmente, a Globo exibe a sessão de filmes Domingo Maior na faixa. Ocasionalmente, acaba mostrando um VT da “Fórmula 1” no horário. Questiono se, quando a próxima corrida exibida no horário for mostrada, João acredita no primeiro lugar. “Mesmo com o filme, dá”, diz o apresentador. Fico surpreso e questiono porque ele acha isto. Ele, com muita clareza, explica.

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“Eu acho que a gente precisa ter a humildade de analisar a concorrência. Eu analiso muito e peço para o diretor Rafael Paladia analisar também. Eu sou diretor geral e ele é o diretor do programa. Então, eu estudo as pegadinhas, eu estudo a qualidade dela. Por ter sido roteirista de humor, eu tento instruir os atores a irem no caminho certo”, afirma o apresentador.

“A pegadinha tem que ter a piada”, diz João Kléber

Entretanto, ele bate numa tecla interessante se tratando das famosas câmeras escondidas: é preciso ter uma piada boa por trás. Se isso não rolar, nada feito. Até mesmo para as meninas consideradas bonitonas, João dá toques e tenta explicar para elas como tudo funciona.

“A pegadinha tem que ter a piada. Não adianta você colocar aquela mulher sensual e só. O povo quer rir. Mesmo que tenha a mulher sensual, a boazuda, tem que ter humor. O Jô Soares fazia isso no ‘Planeta dos Homens’, no ‘Viva o Gordo’. Esse tipo de programa sempre tinham as mulheres bonitas, modelos bonitas. Mas não adianta colocar as mulheres sem ter a piada”, afirma ele.

Contudo, perguntamos para João Kléber, se a boa fase vivida desde o ano passado pelo “Encrenca” e por seu programa dominical não ajudaram a enterrar de vez o “Pânico”, que saiu da Band no ano passado. “Não gostaria de comentar exatamente sobre isso, mas acho que foi uma questão de timing. O Pânico teve seu timing, como o Teste de Fidelidade teve uma época”, concluiu João Kléber.

A corrida maluca da manhã de João Kléber

O apresentador tem duas prioridades para a sequência do ano, além de tentar manter o bom desempenho de seu dominical e chegar à liderança com ele: continuar disputando a corrida da manhãs com seu “fusquinha” chamado “Você na TV” e produzir conteúdo para a internet.

Continuando, foi o próprio que se utilizou do termo fusquinha para definir o seu matinal diário, que costuma abrir as produções do dia na RedeTV!. “No meu próprio programa da manhã, eu digo que eu sou um fusquinha. Na frente tem uma porrada de Ferrari, de Lamborghini, e eu vou buscando. Quer dizer, é um programa muito bem vendido, tem muitos patrocinadores. Eu praticamente abro a emissora”, comenta ele.

O João Kléber da internet vem aí

Contratado até maio de 2020, João diz que o seu novo contrato estipula participações e conteúdos para esta plataforma. No canal oficial da RedeTV!, suas pegadinhas e os testes de fidelidade – inclusive um inédito colocado no ar recentemente – são os campeões de visualizações.

“Uma pegadinha nossa tem 90 milhões de visualizações. Só uma. O ‘Teste de Fidelidade’, somando todos, tem mais de 2 bilhões de acessos. É uma coisa incrível, até eu me impressiono”, afirma ele.

Atualmente, a RedeTV! está investindo R$ 35 milhões em estúdios, equipamentos e desenvolvimento de software de uma nova empresa criada para produzir e comercializar conteúdos digitais, com foco em produção para youtubers. João, claro, já está de olho nesse mercado.

João Kléber em chamada diferente do JK Show (Reprodução/RedeTV!)

“Eu já tenho pensado em algumas coisas, estou formatando algumas idéias. No momento, eu estou focado nos dois programas e já começando a desenvolver coisas para o YouTube. Eu tenho uma ideia futura, e a pedido do próprio Amilcare Dallevo e do Marcelo de Carvalho, estou pensado. Eles pediram para pensar algo para o YouTube”, explica.

Por fim, João Kléber falou de algo que tem chamado a atenção do telespectador: as chamadas do programa. Explorando o lado ator dele, algumas tem gerado repercussão, como o dia em que ele imitou um vampiro perguntando o que tinha para o jantar.

“Tem a pegadinha, né? E o Maurício Cavazani, que é diretor dessa área junto com o Michel Frey e o Pedro Andrade, o pessoal de promos, me chamam e a gente discute qual pegadinha é melhor para a chamada. Eles queriam fazer algo de humor, que eu sempre fiz. Disse que não tinha mais saco, mas eles insistiram pra gente brincar e eu falei para brincar. Aí, eu passo a pegadinha pra eles, eles idealizam, depois discutem comigo e a gente faz, mas o texto eles deixam por minha conta. Aquela abertura toda, que você vê, é improviso. É um trabalho em conjunto com a equipe do promo, que faz um trabalho fantástico”, completa João.

João Kleber em seu especial na Globo nos anos 90 (Divulgação/TV Globo)

O orgulho de João Kléber: especial da Globo nos anos 90

A conversa termina, porque João precisa gravar. Mas o orgulho em que João fala da carreira finaliza. Ele, claro, falou do especial “Ri-Retrospectiva”, que comandou na Globo em 1990 e 1991. É o grande orgulho da sua vida. “Foi uma grande arrancada. Mas sabe porque tenho esse orgulho? Porque foi o único humorista que teve especial de fim de ano da Globo até então. Até hoje, não teve. Esse programa que me deixou na história da Globo”, conclui ele.

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