Prestes a estrear nova temporada do The Voice, Lulu Santos revela que sofre ao eliminar candidatos: “Ali é que o bicho pega”

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No próximo dia 17 de julho estreia a nova temporada do The Voice Brasil. Lulu Santos estará mais uma vez entre o time de técnicos da atração ao lado de Carlinhos Brown, Michel Teló e Ivete Sangalo. Dono de músicas icônicas no cenário pop brasileiro, ele conversou com o Observatório da Televisão no evento de lançamento do programa, e falou sobre o título de “último romântico”.

Veterano no reality musical, Lulu comentou ainda que sofre ao eliminar candidatos, sobretudo na fase das batalhas. Segundo ele, o papel do técnico do programa é de primeiro acolher o cantor, entretanto existe a necessidade de cortá-lo de sua equipe posteriormente, um momento particularmente doloroso. Confira o bate papo completo:

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Fama como último romântico

Você é o último romântico?

Eu sou o último romântico. Não fui eu quem me auto intitulei. Essa canção que lancei em 1983, e não posso deixar de cantar em nenhum show que faço é uma parceria com o Antônio Cícero, um imortal da academia brasileira de letras. De certa forma isso virou um epíteto para minha carreira e para minha vida. Da minha obra, o que ficou, aquelas músicas que as pessoas cantam em shows, e que permaneceu na memória das pessoas, são aquelas que possuem conteúdo romântico. Teve um tempo que eu achava que eu podia ter um foco mais amplo, na verdade tenho, mas no meu cânone o que caracteriza o gancho que tem é a voltagem romântica.

Quando vejo uma interpretação emocionada, tocante, eu ouço aquela canção bem interpretada, harmonizada daquela forma, aquilo é um espelho da emoção que senti ao compor aquilo. O que acontece é uma realimentação da minha emoção através do outro. A gente grava, edita, e quando chega no ar, a gente desmonta porque o conteúdo emocional é muito grande, música é uma coisa que desafia a lógica. Claro que tem o texto, a letra, e a ideia é cada vez mais fundamental, mas é o conjunto que desarticula o sentido crítico.

Candidatos que estudam temporadas anteriores

Vocês já gravaram alguns programas. Pelo que você percebeu, os participantes estudam os programas anteriores?

Uma candidata hoje disse para mim: “Eu vi todas as temporadas anteriores, e quando estava ensaiando para cantar aqui, eu sempre escolhia tal técnico”. Então a pessoa já sabe. A Mariana Coelho, minha candidata no ano passado disse que quando começou a tentar entrar tinha 16 anos. Ela fez 17 durante a competição e assistia ao programa desde os 10 anos de idade. E realmente as pessoas estão estudando o mecanismo, e antevendo o que vai acontecer para se preparar emocionalmente. Até mesmo para o baque é aquilo. A gente sai do chuveiro para uma apresentação para milhares de pessoas, e existem ali quatro entidades.

Arrependimentos ao longo do programa

Vocês lidam com sonhos. Já aconteceu de você sair do programa muito mal, acreditando que você cometeu algum erro em alguma escolha?

Eu me arrependi de não ter guardado minha possibilidade de Peguei para um menino chamado Marcelo Arquete, que acho que teria sido um finalista. E ele perdeu porque eu tinha gasto o meu ‘Peguei” de uma outra forma não tão legal.

Você sofre com isso?

Eu acho que sofro mais com as batalhas. Ali é que o bicho pega. O técnico primeiro é o que acolhe, e depois é o que corta. Você muda de papel e até na cabeça deles, eles sabem que é um jogo de eliminação. E para mim, se adaptar a isso é difícil. Eu perco o sono.

Durante a coletiva, a Ivete Sangalo falou que o The Voice não é uma fábrica de carreira meteóricas. Queria que você comentasse isso.

Esse megahit tem um quê de loteria. Essas carreiras podem decolar imediatamente como no caso do Grupo Malta que saiu do Superstar e virou um grande vendedor de discos, ou podem até mesmo demorar o tempo normal que levou a minha carreira por exemplo. Meu primeiro disco não foi um grande sucesso, muito pelo contrário, mas ele chamava Tempos Modernos (1982), a canção que está aí até hoje. Carreira é como você desenvolve a sua carreira, e roleta, rola.

Lulu Santos fala sobre minorias no The Voice Brasil

Como você enxerga a questão das minorias? Porque o The Voice dá a oportunidade inicial aos candidatos de não serem julgados pela aparência.

O nome do jogo é The Voice, então a gente precisa ser privado, de qualquer outra informação, mesmo que o público reaja de forma calorosa a um ou outro candidato e fiquemos curiosos para saber o motivo. Democracia é nosso lema, estamos ali para ouvir, e não para julgar.

Em relação à diversidade musical. Hoje se fala muito da mescla da música e de se utilizar várias referências. Como você acha que isso é mostrado no programa? Tem espaço para música autoral?

O The Voice é definido regionalmente porque a seletiva vai a cada um dos lugares do Brasil. Quem tem talento, disposição, gana, ambição e vontade aparece para a gente. Se esse talento for traduzível, a pessoa vai entrar naquele balaio. A gente começa com uma seleção regional e por isso perguntamos de onde a pessoa veio, porque elas vêm de tudo quanto é tempo.

Sucessos do passado

Você acha que as pessoas são tão apegadas às suas músicas antigas que podem possivelmente não se abrirem a um novo projeto que você queira lançar?

É muito difícil eu competir com meu próprio passado. Eu posso cantar 25 músicas, e deixar de cantá-las que o público acaba acompanhando. Ano passado fiz um disco com a obra de Rita Lee, e este ano estou fazendo um show chamado Canta Lulu, em que misturo meu repertório com o dessa diva. Para mim é um bom reciclar da ideia de um pop nacional. Claro que é difícil competir com meu passado, mas não sou bobo de fazer igual.

Lulu, você falava sobre o funk e já abraçava o ritmo há um tempo, e agora ele está bombando.

Vocês não sabem o que está por vir (risos).

Influências musicais

O que você está ouvindo agora?

Estou fazendo um disco, e aos poucos. Mudou-se a forma de consumir e oferecer música, então semana que vem, entre os dias 17 e 19, vou gravar no programa meu single novo chamado Orgulho e Preconceito, e é uma canção dessas com teor emocional muito forte, quente e que gravei com o Redmídia, que tem um estúdio de fomentação de sonoridade. São dois meninos chamados Pedro Dash e Dan, e que me foram indicados pelo presidente da minha gravadora, a Universal.

Para mim foi uma dádiva, e há muito tempo estava procurando por algo assim. Fizemos uma faixa que é inacreditável, e deixei uma segunda música para eles. Estou ouvindo muito o novo disco do Kanye. Tanto o álbum do Jay Z com a Beyoncé como o álbum do Kanye têm 7 faixas. Até o fim do ano, a ideia é termos um EP ou álbum com 7 faixas chamada Lux, que é uma forma carinhosa que me chamam.

Mercado fonográfico

O Brown disse que o mercado da música mudou…

Eu acho que tem um oferecimento de música como nunca houve hoje. Podemos até pensar em inflação porque tem uma oferta de produto inacreditável, e outra, que música ficou muito barato. Quem sou eu para moralizar? Cultura popular é sociologia. É consumida pela forma como as pessoas estão se relacionando com as outras, e com a tecnologia. Quanto o alfabeto apareceu era uma mudança tecnológica. Quem não tem serviço de streaming? Eu tenho, todo mundo tem. Eu já estou completamente adaptado a isso e mesmo à ideia do playlist. Eu sou uma cria do álbum mas tenho achado a playlist muito mais interessante porque te possibilita conhecer coisas, que se você fosse procurar de álbum em álbum seria muito mais difícil. Tenho ouvido e feito minhas playlists e lançarei meu single para engrossar as playlists alheias.

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