Olívia Araújo fala sobre a representatividade negra de sua personagem em Malhação: “Essa mulher sou eu também”

Publicado há um ano
Por Renan Vieira
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

A atriz Olívia Araújo analisou a temporada de Malhação: Toda Forma de Amar, em que interpreta a Vânia e falou também sobre representatividade. Para ela, a personagem é um espelho do que ela é na vida real, já que luta contra uma sociedade em que há sobras do racismo, além do machismo.

Além disso, a artista falou sobre a experiência em uma novela adolescente
e apontou aspectos positivos de trabalhar com atores mais jovens. Especificamente
sobre trabalhar com a atriz Gabrelly Nunes, que faz a Gabs, ela relatou ser uma
experiência positiva. Confira os detalhes todas na entrevista ao Observatório
da Televisão.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Como é interpretar a
Vânia, em Malhação – Toda Forma de Amar?

Sempre é bom poder contar histórias reais. A Vânia tem sido um
grande desafio exatamente por contar essa história tão comum, são de fato
muitas Vânias que trabalham muito para dar conta de ser pai e mãe no nosso
país.

Como é representar essas
muitas Vânias espalhadas por esse Brasilzão?

O laboratório foi o dia a dia. Quem não conhece uma Vânia na família, entre amigos e conhecidos? Fui juntando as histórias que ouvi e, de fato, são muitas.

Olívia Araújo reúne cerca de 15 trabalhos em telenovelas (Reprodução: Globo)

Você
não é mãe na vida real. De onde você tirou esse sentimento para compor essa
mulher?

Eu acredito que mesmo não sendo mãe, isso é do feminino. De
alguma forma em algum momento da vida, você vai zelar por alguém.

Quais
são suas aspirações na vida? 

Muitas, mas a que mais me move é poder, como pessoa e artista, ser útil. Para mim, a vida só tem sentido assim.

Feedback

Como
está sendo o retorno nas ruas junto ao público?

As pessoas ainda não me associam com a Vânia, por conta da
caracterização. Eu na vida uso o cabelo curto. Porém, pelas redes sociais, é
ótima. Sempre me chega uma história de vida parecida com a da Vânia . Agora no
geral, eu tenho tido a dádiva de viver personagens muito carismáticos. Então,
sempre recebo muito afeto das pessoas.

Você
é uma atriz vocacionada. Como está sendo a troca com essa nova geração de
atores [já que em Malhação, tem muita gente iniciando a sua carreira]?

É uma diversão! Estou aprendendo muito, porque eles trazem nomes novos para mim. Músicas, referências, até mesmo sobre livros e filmes. É troca boa e positiva.

Vânia (Olívia Araújo) é mãe de Jaqueline (Gabz) em Malhação: Toda Forma de Amar (Reprodução: Globo)

Como
está sendo a troca com a atriz Gabrielly Nunes (Gabz), já que ela é uma atriz
potente, assim como você…

Digo sempre ganhei a melhor filha que poderia ter. Fico feliz
demais com a nossa parceria. Ela é dedicada, inteligente, disponível. Tem sido
muito boa e feliz a nossa troca. É bom ver ela tão jovem e com tanta vontade. É
lindo!

O
que tira você do sério?

Fico brava com falta de educação. Me deixa de verdade indignada
ver uma pessoa ser grosseira com a outra, a troco de nada.

Qual
o seu maior sonho?

Eu tenho muitos e quero continuar sonhando, mas não saberia te
dizer um.

Você
se sente uma pessoa afortunada, né?

 Demais, poder viver da profissão que escolhi, ter saúde. Sou feliz.

Representatividade

Malhação
também fala da representatividade. Como é para você representar essa mulher
negra, que se vira em um milhão para colocar o pão na mesa?

Essa mulher sou eu também. Viver essa pessoa que trabalha, que
não pode perder o foco, que se mantém digna, com esperança, com afeto, amor,
empatia pelo outro.  É a maioria de nós, mulheres brasileiras,
independente da sua etnia. Claro que falando de um país que tem o racismo como
sobra, é necessária uma carga extra de amor.

A
cultura no nosso país está em frangalhos… Como é para você emendar projetos e
viver de sua arte, nesse momento em que estamos vivendo ?

Como disse antes, sou uma afortunada. Viver da arte é um desafio
e, agora, mais ainda. Mas, com tudo isso, o artista cidadão se apresenta.
Porque sem as bases que são a educação, a cultura, a saúde, a segurança. O país
não se sustenta.

O
que você falaria para a Olívia Araújo criança: como é sobreviver em uma
sociedade machista sendo mulher negra?

Diria assim: lembra quando seu pai e sua mãe diziam que a vida
era maravilhosa, mas, não era fácil? Que para você ser respeitada como mulher, você
deveria se respeitar? Saber se dar valor? Conhecer seus limites e se valorizar?
Que você teria de ser mais correta que os outros mesmo que não fosse justo?
Tudo isso porque nascemos em um país que não gosta da gente pela cor da nossa
pele?! Que amor é bom quando é correspondido? Que nada pode ser maior do que
seu amor próprio? E que mesmo que todos falem o contrário você tem a sua
beleza, é inteligente e que se você quiser, você vai poder fazer o quiser?! Que
a vida é uma só, e vale muito a pena? Pois então, é verdade!

Quais
são os seus novos projetos?

Tem uma peça que eu estou estudando e quero montar. A Malhação ainda tem muita coisa para acontecer, e a minha expectativa é a melhor. Acompanhem.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregar mais