“Oferece representatividade”, afirma atriz Olívia Araújo sobre temas de Malhação: Toda Forma de Amar

Publicado há um ano
Por Cadu Safner
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A atriz Olívia Araújo, de 46 anos, intérprete da personagem Vânia em Malhação: Toda Forma de Amar, segue conquistando o público jovem da trama de Emanuel Jacobina ao construir uma personagem representativa, batalhadora, forte e determinada: a típica mãezona. Olívia contou em entrevista ao Observatório da Televisão que a atual temporada tem uma trama de inclusão que agrega como conteúdo televisivo em seu âmbito social e aproxima a história da realidade do brasileiro.

Na história, Jaqueline (Gabz), filha de Vânia, está sofrendo perseguição do suposto autor de um assassinato. Em tempos em que a violência deixou de ser uma estatística propriamente centralizada em determinados lugares e regiões e passou a ocupar várias áreas sociais, questionamos Olívia Araújo sobre o alerta que Malhação Vidas Brasileiras desperta nos telespectadores sobre importância da denúncia denúncia à Polícia.

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Vânia (Olívia Araújo) é mãe de Jaqueline (Gabz) em Malhação: Toda Forma de Amar (Reprodução: Globo)

A atriz conta que a trama de Jaqueline aponta para uma reflexão importante. “A questão da Jaqueline, nesse sentido, é super delicada. Você precisa tomar uma postura para não ficar acoada e ao mesmo tempo você tem que refletir sobre que atitude é essa que você pode tomar e que você não esteja ofendendo ninguém no sentido da justiça. Ela acusa sem provas, ele [suposto assassino] está respondendo, segundo a lei, a um inquérito, que ele tem que cumprir e ter que ficar um tempo fora“, ressaltou a atriz.

Eu acho que temos que denunciar sim, mas tem que guardar também a sua proteção para você não ficar exposto. A gente conta com a justiça, com a policia, a gente tem que ter a quem recorrer, não podemos desacreditar desse órgão, do contrário estamos entregues de tudo“, explicou.

Jaqueline vive suas questões naturais da adolescência, porém, não tem desvios de caráter ou qualquer tipo de problema decorrente da ausência de uma figura paterna. Olívia Araújo diz que essa situação é um reflexo da realidade de muitas crianças e adolescentes, e, embora a boa conduta da filha, se houvesse a presença do pai, as chances de poder ter proporcionado mais coisas para Jaqueline poderia ter sido bem maiores. “Ela não quis contar aquela historia que teve com Dr. César Nobre (Tato Gabus Mendes). A Vânia se sente culpada nesse lugar porque ela acha que talvez a presença desse pai tivesse garantido outras coisas. Mas el não fez falta para a Jaqueline nessa questão de ética, moral, afetiva, ela se desenvolveu uma jovem de caráter, saudável, com boas relações de amizade, ela tem uma personalidade forte assim como a mãe, talvez a Vânia quando mais jovem deveria ser mais ou menos igual a Jaqueline. Mas não que essa audiência tivesse roubado dela o caráter ou desenvolvido algum trauma ou doença“.

Olívia Araújo reúne cerca de 15 trabalhos em telenovelas (Reprodução: Globo)

Sobre a ideia de Vânia ganhar um romance na história, a atriz é enfática. “Eu acho que ela merece, não sei se um par romântico ou César. O texto do Jacobina [autor] aponta para as muitas questões da sociedade que a gente precisa repensar em todo os sentidos. Se for o César, que bom! O César teria que fazer uma opção muito clara por ela, que ele não fez da primeira vez. Se é um outro par romântico, que seja uma historia positiva, porque ela tocou a vida dela mesmo sem o par romântico. Eu espero que ela tenha um futuro bacana, que ela criou essa filha. Ela tem o trabalho dela, uma formação, ou que ela entre em uma faculdade, ou que ele encontre um cara que seja bacana e que dê para ela as garantias que são tão importante para ela, que é ser valorizada, que é ser a primeira opção e não a segunda. Não gostaria que fosse um par romântico por ser um par romântico“, disse.

Malhação tem um publico muito cativo e muitos atores que passam por ela, por consequência, acabam ganhando o afeto do público e sempre são lembrados, de alguma forma, por terem feito parte de história que hoje somam quase 24 anos. Sobe isso, a atriz afirma estar muito feliz com a oportunidade me poder contar ao público a história de Vânia. “Olha, eu primeiro que eu estou muito feliz de fazer parte dessa edição. Eu adoro essa personagem e a oportunidade de poder falar da vida da Vânia, eu acho incrível, o texto do Jacobina é perfeito nessa questão de mostrar todas as meselas da nossa sociedade. Quanto eu estar podendo falar com o jovem, a resposta que eu tenho é muito mais de mulheres que se identificam“, revelou ela, que hoje reúne cerca de 43 mil seguidores no Instagram.

Olívia Araújo afirma que Malhação se responsabiliza com inclusão social (Reprodução: Instagram)

Olívia Araújo completa falando da importância desse encontro de gerações que Malhação proporciona. “É um ótimo poder falar com o publico jovem, é o publico que está construindo o futuro da gente. Então, você estar contribuindo com o futuro de uma sociedade, é incrível. Quando você pega um texto com realidades muito nossa e com as problemáticas também, os jovens se identificam e não se sentem excluídos. Quem vive nas regiões onde há violência, onde há falta de oportunidade se identificam muito“, disse a atriz, que também faz ressalva para o talento dos jovens da novela. “São todos talentosíssimos, é muito interessante, é todo mundo super dedicado, são estudiosos, com muita vontade“.

Quando o assunto é inclusão, entre outras tramas da história, Toda Forma de Amar também aposta em Milena, personagem de Giovanna Rispoli, que vive com a deficiência da surdez. Olívia Araújo fala de papel social que a teledramaturgia tem. “A novela está inserida num lugar cultura brasileira muito grande, é fundamental que ela ofereça essa representatividade, porque ela não é só entretenimento para nós brasileiros, ela dita comportamental, ela dita moda, ela faz alerta de saúde. Quantas novelas lançaram discussões importantes para a sociedade? É extramente importante, a resposta do público que tem a surdez, que fala a linguagem dos sinais, é muito grande porque o tema é abordado com muita seriedade e respeito. O que tem de mais bonito na novela é o fato da Milena que teve uma vida socialmente e financeiramente super protegida, mas trataram ela [A família, no caso], como uma incapaz. A Milena se descobre vivendo a vida dela com a idade que ela tem e, a partir do momento em que ela se junta com a irmã, a partir dai ela passa a vir a Caxias [município onde a história se passa] e viver em grupo e viver a idade dela, como a adolescente que é, sem a limitação da surdez“, contou.

Olívia Araújo também destaca a representatividade negra na teledramaturgia. “Eu, como atriz, independente da minha etnia, eu quero viver qualquer personagem, qualquer ator quer isso. O ator que viver do personagem popular ao grande empresario, o ator quer viver pessoas. A gente precisa, na sociedade, parar de enquadrar as pessoas, se elas tem cara de pobre ou de rico. Essa inclusão precisa vir em todos os sentido. Mas estamos avançando neste sentido. A gente tem que ressaltar que hoje temos personagens e atores interessantes, em Bom Sucesso, por exemplo, temos um elenco diverso como o próprio protagonista. Não estamos lá atrás, estamos avançando, o que falta para nós é olhar com mais amplitude, podemos viver qualquer personagem”, finalizou.

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