“O Belizário tem vários segredos que serão revelados”, diz Tuca Andrada

Publicado há 9 meses
Por João Paulo Reis
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Tuca Andrada não para mais. Em um ano e meio, ele já esteve em três novelas das 21h da Globo, Segundo Sol, O Sétimo Guardião, e participa atualmente de Amor de Mãe, na pele do corrupto policial Belizário. O ator bateu um papo com o Observatório da Televisão e falou sobre seus achismos acerca do personagem, revelando ainda que nos próximos capítulos o público se surpreenderá quando ele revelar uma face mais humana.

Ativo em suas redes sociais, ele falou sobre o assédio e carinho do público, além de relatar certo descontentamento com algumas abordagens na internet. Confira:

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Quando conversamos a primeira vez, você disse
que o Belizário, seu personagem era mau, mas ele é muito mau…

Ele é mais que mau. Ele acha que vive numa
selva e é o predador. Nada que passe pelo caminho dele, ele vai deixar em pé.
Não interessa se é uma criança, uma mulher, ele é um sobrevivendo à maneira que
ele enxerga o mundo. Acredita que é uma guerra e ele está para ganhar até
acertarem ele. Ele não tem essa moral, e vai usar tudo o que pode para nada
atrapalhar o caminho dele.

Ele é um policial, mas além de tudo, ele é um
miliciano?

Ele é um policial corrupto, miliciano não
sei, porque o miliciano geralmente se associa. Até onde sei eles têm um grupo
paramilitar que coordena determinada área e viram donos daquela área. Em
qualquer profissão, existem bons e maus profissionais, e ele é péssimo. Ele usa
o poder que tem dentro da polícia para ser dar bem.

E aí? Você tem uma resposta disso por parte
da polícia?

Diretamente a mim não. Não sei se a TV Globo
recebeu alguma notificação da corporação, mas eu não tive. As pessoas me param
na rua muito mais para parabenizar pelo personagem, falando mais do meu
trabalho de ator do que propriamente o que o personagem está vivendo.

Para você como ator, é bem bacana, não é?

É ótimo. Inclusive o personagem vai ter uma
virada agora que não posso falar, mas que é maravilhosa porque humaniza ele
demais. E aí você vê que ninguém é tão mau, nem tão bom quanto a gente pensa.
Todos os personagens da novela têm essa outra face. A Manuela (Dias – autora) joga
o personagem, dá as linhas gerais, e daqui a pouco muda. Vai de encontro com o
que o público quer ver. Hoje em dia não adianta mais fazer uma novela com os
bonzinhos e os mauzinhos, porque ninguém é assim, e já existe até uma rejeição
do público. A novela vem com essa inovação que acho muito bacana.

O Belizário tem algum segredo?

O Belizário tem vários segredos que serão revelados,
mas é uma virada que vai acontecer em breve no capítulo 50.

O amor pode mudar esse homem? Você acredita
que ele é capaz de amar?

Assassinos são capazes de amar. Ladrões são
capazes de amar, estelionatários são capazes de amar, mas cada um do seu jeito.
Um assassino pode se apaixonar por uma outra pessoa, e ter um lado doce, e isso
é o que acho rico no ser humano, que é paradoxal. O amor muda até determinado
ponto. Um grande amor pode levar a uma mudança completa na sua visão de mundo,
mas você não deixa de ser quem é.

O Belizário está envolvido em 95% dos problemas
da novela. Ele estava no assassinato do Genilson, do Vicente, e da Princesa. Você
acha que existe redenção para ele?

Se eu conhecesse um Belizário na minha vida,
dificilmente perdoaria, porque acho que ele é frio, cínico, mas pode ser que
exista. Tem muito chão ainda pela frente.

Você acha que ele é um cara que age sem
pensar?

Não. Ele não é burro não! Ele é inteligente
pra caramba. Vocês vão ver como ele é inteligente. Vou gravar uma cena com a
Tais Araújo em que ele joga na cara da Vitória que ela é igual a ele. ‘Você não
é melhor que eu, você trabalha para um filho da puta’, ele diz. Isso faz com
que ela mude também, porque é comparada a um assassino frio.

E a lealdade dele ao Álvaro está ameaçada?

Por enquanto é fidelidade canina. Pode ser
que mude. Eu pessoalmente, não tenho nenhuma prova disso, mas acho que vai
mudar, é um achismo meu, isso não veio nem da autora nem da direção.

Você acha que ele é irmão do Álvaro?

Não. Mas o que eu acho não posso falar. Eu tenho
quase certeza do que acho, mas só ligando pontos.

Tem coisas que ele faz sem se esconder, como
por exemplo matar o Genilson…

Caras como ele aprontam a luz do dia. É o
país da impunidade.

Ele matou o Vicente por conta própria?

Ele matou o Vicente antes que ele causasse um
problema maior. Ele viu que o Vicente ia atrapalhar muito a vida dele, mas o
Vicente para ele e uma barata eram a mesma coisa. Ele só aguentava o Vicente
por causa do Álvaro, tanto que ele não conta que matou. Ele diz ‘mataram’, ‘foi
encontrado morto’. O que tiver na frente dele, ele vai eliminando sem nenhum
dilema moral.

Você acha que em algum momento dentro da
própria polícia vão descobrir as coisas que ele faz?

Ele chega a ser preso, mas consegue se
livrar. Tem uma câmera de segurança que pega algo, e percebem que a história
dele está mal contada, mas sem provas, ele acaba saindo. Ele só recebe uma
suspensão da corporação porque está apenas sob suspeita.

Você falou que aqui é o país da impunidade,
então sua inspiração para viver esse personagem foi o jornal, certo?

Foi! O Jornal Nacional, O Globo, Folha de São
Paulo, The Guardian, New York Times. É o que acontece todos os dias nesse país.

A Fernanda Montenegro conta na biografia que
há muitos anos, artistas eram consideradas prostitutas, hoje em dia, em 2020,
estamos com um governo que considera o artista um vagabundo, e na rede social
você é bem atuante, e fala sobre isso, não é?

Eu não peço para ninguém concordar comigo em
rede social. Meu Instagram é aberto e eu exponho minha opinião. Adoro quando as
pessoas vêm e não concordam comigo, só que tem gente que vem primeiro com
discurso raso, e tem muita gente que chega assim falando ‘atorzinho de merda’, ‘babaca’.
Quando a pessoa fala isso, ela me dá a faca e o queijo para trata-la do jeito
que eu quiser. Essa semana teve uma maluca que veio comentar ‘acabou a mamata
da lei Rouanet’. Aí pedi ‘então me explica a lei Rouanet, já que você está me
chamando de ladrão, dizendo que usei uma lei para me dar bem, trapaceando em
cima da legislação’. Aí ela não disse nada. Se eu a chamo ‘vagabunda’, é horrível,
é grosseiro falar isso. Se ela me chama de ladrão, ela me dá o direito de
chamar ela de vagabunda. A mulher passa a tarde inteira me sacaneando, me
chamando disso, daquilo e daquilo outro. Por que eu não posso chama-la de
vagabunda? O que existe nesse país agora, é uma coisa cínica de se demonizar a
classe artística. Isso é cínico, é um projeto de uma maldade enorme que a gente
sabe, é lógico, que em qualquer classe trabalhadora existem os bons e os maus
profissionais. Existe gente que se aproveitou da lei Rouanet para roubar? Existe,
como existem médicos, engenheiros, policiais que roubam. O que não admito é a
demonização dos artistas, e dizerem que a gente viveu disso. Quem faz arte
nesse país sabe o esforço que é você levantar um filme, uma peça de teatro, publicar
um livro, fazer uma exposição. Aí vem um monte de gente retrógrada, ignorante,
que não sabe escrever português, que não sabe o que está dizendo chamar a gente
de corrupto? Não! Não admito, e solto os cachorros. Vou para cima mesmo. Sou
honesto, trabalhei a minha vida inteira, dei um duro danado, vim de Recife para
cá, e não admito que vagabundo, corrupto me chame de safado. A gente só é legal
quando concorda?

Você acha que Belizário e Álvaro têm um caso?

Acho que ele e o Álvaro tem algum segredo, algo
que une eles, mais que um rabo preso, acho que é algo do passado, mas não tem
nada a ver com caso amoroso. É uma suspeita.

Como é a resposta do público? O público
percebe que ele é um policial como muitos que têm por aí?

É muito carinhoso. É um carinho de quem está
assistindo a novela e está gostando. Ninguém está cego. Está cego quem quer
estar. Tem uma parte da população que está cega, mas grande parte não quer.

Como você lida com o passar do tempo? Você posta
as fotos no Instagram e o pessoal fica babando…

Eu tenho 55 anos, e graças a Deus minha
genética é boa, mas aquilo tudo é preparado. E é preparado porque tenho muito
fã, muita mulher, muito gay, e eu adoro. Acho ótimo que as pessoas digam
aquelas besteiras, e é bom para a minha vaidade mesmo, mas é por pouco tempo porque
daqui a pouco não vai dar mais, porque vai cair tudo de vez
(risos).

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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