No ar em Malhação, Dora Freind afirma que empoderamento vai além do discurso: “É preciso ter planos”

Publicado há 2 anos
Por Cris Veronez
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Vinte anos, ariana, feminista e com o desafio de estimular, através de seu trabalho na TV, o empoderamento feminino
jovem. Ela é Dora Freind – a bem resolvida e espontânea Bárbara de “Malhação – Vidas Brasileiras” (Globo).

Leia: Malhação: resumo do capítulo de quarta-feira, 24 de outubro de 2018

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Se pudesse dar um conselho às meninas que buscam se empoderar, ela diria: “Tenha planos. Será que seria legal fazer um ensaio de fotos? Viajar o mundo sozinha? Entrar numa aula de pole dance? Escrever um livro?”

Leia: Malhação: resumo do capítulo de terça-feira, 23 de outubro de 2018

Em entrevista ao Observatório da Televisão, a atriz afirma que este processo não ocorre da noite para o dia. Segundo ela, “é passo de formiguinha”. E não adianta ficar só no discurso. O negócio é agir.

“Não acho que [empoderamento] seja algo subjetivo, e sim concreto. E inclusive isso é uma coisa que a Bárbara tem. Ela vai além do discurso […] Acho que o ideal é procurar coisas externas que façam com que a gente se sinta internamente bem. É um movimento de dentro para fora, claro, mas também é de fora para dentro.”

Mantida em Malhação

A atriz havia sido escalada apenas para fazer uma participação na quinzena que mostrou a história de Úrsula (Guilhermina Libanio), que sofria preconceito por ser gorda, mas acabou ganhando uma trama própria ao lado de Dhonata Augusto, que interpreta Leandro, seu par romântico na trama teen.

Fã de música brasileira e de autores como Valter Hugo Mãe e Clarice Lispector, Dora afirma que, como boa ariana, gosta de viver intensamente.

“Sou oito ou oitenta. Se estou feliz, estou surtando de felicidade. Se estou mal, estou na fossa”, afirma a carioca, rindo.

Confira o bate-papo na íntegra:

O que a Bárbara te proporcionou em termos de experiência pessoal e profissional?

Nos dois âmbitos, foi um crescimento absurdo. Acho que no profissional é uma experiência muito incrível você viver meses – e no caso de Malhação é mais de um ano – experimentando e realmente construindo uma personagem pouco a pouco. Isso é importante, até porque a Bárbara é uma personagem em quem acredito e com quem tenho muito em comum.

Somos muito conectadas em diversos aspectos. Profissionalmente, isso é muito gratificante. E acho que há uma mistura com a vida pessoal, pela própria profissão. Não consigo desligar a minha pessoa, Dora, da atriz. Acho que o crescimento pessoal e o profissional caminham juntos, neste sentido.

Cenas desafiadoras

Quais foram as cenas especialmente desafiadoras e emocionantes que você fez até agora?

Na época que entrei para fazer uma participação com a Úrsula (Guilhermina Libanio), teve um dia que gravamos 17 cenas seguidas no estúdio. Todas no quarto da Úrsula. Aquele dia foi muito emocionante, porque gravamos toda uma sequência passando por toda a história dela, e nós precisamos estar muito conectadas.

Foi bem trabalhoso. Passeamos por muitas emoções diferentes. Foi muito forte. E também quando a Bárbara e o Leandro terminaram foi uma cena difícil de fazer. Eu e Dhon (Dhonata Augusto) nos damos muito bem e nossas cenas sempre foram muito leves e brincalhonas. E esse término foi muito sério. Uma experiência nova.

A relação de Bárbara e Úrsula (Guilhermina Libanio) é muito legal. Você tem alguma relação assim com algum membro da família?

Tenho muito com a minha irmã Julia, que também é atriz. A gente se identifica muito. Temos só três anos de diferença. Ela passa o texto comigo, estuda para o personagem… É minha melhor amiga da vida. Temos sorte de dividirmos as paredes, de podermos chegar em casa e contarmos tudo uma para a outra.

Identificação

Em quais pontos você se identifica com a Bárbara?

Em primeiro lugar, ela tem uma coisa que gosto muito que é essa energia solar, para cima. Brinco dizendo que ela é ligada no 220, mas ao mesmo tempo ela prega por princípios e ideais muito sérios. É animada e livre, mas também é muito pé no chão. Me identifico com ambas as coisas. Sou genuinamente muito livre e espontânea como ela.

A Bruna Marquezine fez um vídeo um tempo atrás direcionado aos ‘haters’, questionando essa sede que muita gente tem de chatear o outro, de criar defeitos… Você já sofreu com isso também?

Foi incrível o vídeo que a Bruna fez. Achei muito importante, até porque acho que tem uma rivalidade feminina que é cultural, que a gente precisa quebrar. No meu caso, até agora, não passei muito por isso. A personagem foi escrita de uma forma que é muito amada. Uma vez ou outra acontece, mas quando rola eu não respondo para não alimentar. Mas se eu visse comentários muito sérios, acho que eu tentaria bater um papo. Temos que explicar que essa rivalidade não precisa existir.

Feminismo

O feminismo virou pauta de todo dia, coisa que não rolava alguns anos atrás. Mas é muita informação. Como você busca conhecimento sobre isso?

Acho que nesse sentido, eu sempre pesquisei e sempre fui muito interessada. Me considero feminista, é claro. Antes da Bárbara, eu acho que esse estudo já veio para mim. Quando era novinha, comecei a fazer parte de um grupo no facebook com outras 24 mil meninas. Ali comecei a aprender muito. Aprendi sobre feminismo liberal, feminismo radical, feminismo intersecional, e a partir dali fui vendo conceitos… Isso foi me estimulando a estudar. Para além daí, comecei a ler livros sobre isso e a conversar com outras meninas para trocarmos impressões.

É um presente poder fazer uma personagem feminista na televisão. Acho que a gente precisa muito disso. Sempre precisamos.

O que você mais gosta em você, no corpo e na forma de ser?

Na minha forma de ser, gosto da minha espontaneidade. Eu penso e falo. Sou ariana, oito ou oitenta. Isso faz com que eu viva de uma forma leve e intensa. Se estou feliz, estou surtando de felicidade. Se estou mal, estou na fossa. No meu corpo, amo meu cabelo. É minha parte preferida.

Corpo

Como você cuida do seu corpo e da sua saúde?

Eu sou mais voltada para o meu prazer. Não sou tão disciplinada com isso. Não tenho essa coisa de ir regularmente para a academia. Mas ao mesmo tempo, por causa da faculdade de Teatro – que tranquei para fazer Malhação -, fazia aula de dança, de balé…

Conselho

Se pudesse dar um conselho a meninas que buscam o empoderamento, qual seria?

Primeiro: não é da noite para o dia. É passo de formiguinha. E acho que o negócio é buscar estratégia. Não acho que seja algo subjetivo, e sim concreto. E inclusive isso é uma coisa que a Bárbara tem. Ela vai além do discurso. Ela diz para a Úrsula que ela tem que se amar, e propõe uma ação. Então meu conselho é: tenha planos.

Será que seria legal fazer um ensaio de fotos? Será que seria viajar o mundo sozinha? Entrar numa aula de pole dance? Escrever um livro? Acho que o ideal é procurar coisas externas que façam com que a gente se sinta internamente bem. É um movimento de dentro para fora, mas também é de fora para dentro. Entender com quais pessoas quero andar, que lugares devo frequentar… Sair da rotina e fazer algo novo acho que é algo que pode fazer a gente se amar muito.

Como define seu estilo?

Eu ando quase fantasiada. Expresso muito a minha liberdade através das minhas roupas. Saio do jeito que quero. Mesmo. Se eu quiser sair cheia de lantejoulas para um lugar que nem pede isso, eu vou mesmo assim, pois estou vibrando essa energia. Tem a ver com uma coisa minha de gostar de mistificar a vida, deixá-la mais mágica, colorida e divertida. É aquilo que falo: o que está fora também estimula nosso interior.

Você vai no feeling ou tem alguma referência de moda?

Não tenho referência nenhuma. É totalmente instintivo.

Dicas

O que está lendo e ouvindo agora?

Acabei de ler O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe, meu autor preferido. Comecei a ler agora Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres, de Clarice Lispector. Ela é incrível. Dizer o que eu estou ouvindo é difícil, porque tenho a sensação de que ouço todos os tipos de música o tempo todo. Ouço muita rádio. O que ouço sempre é música brasileira: Caetano, Novos Baianos, Cazuza…

Tem algum personagem dos sonhos?

Fazer uma personagem que sofreu algum abuso sexual seria muito importante para mim. Isso é uma coisa que, quando acontece com a mulher, transforma o corpo, a alma e a cabeça dela completamente. Sempre gostei de ler sobre isso e gostaria de fazer um papel assim.

Em que período da faculdade de Teatro você está? Tem interesse em outra área além da atuação?

Estou no sexto período. São oito, no total. Sou fortemente ligada com a área da atuação. Acho que é muito importante a gente ser artista, e isso sempre fui. Sempre corri muito atrás dos meus trabalhos, fazendo peça, fazendo cena para mandar para festival, então acabava que eu fazia figurino, cenário, direção coletiva… É legal passar por tudo e adoro todas as áreas, mas eu sei que a minha é a atuação.

Tem outro trabalho engatilhado?

Meu foco é a Bárbara e o momento atual. Tenho alguns projetos em mente, mas ainda não tem nada fechado.

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