Nívea Maria fala sobre ansiedade para A Dona do Pedaço: “O mesmo espirito de quando eu comecei há 55 anos atrás”

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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Pela terceira vez interpretando a mãe de uma personagem da atriz Juliana Paes, a atriz Nívea Maria está no elenco da novela A Dona do Pedaço, próxima novela das nove da TV Globo, substituta de O Sétimo Guardião. Na trama ela será Evelina, mãe da protagonista Maria da Paz.

Em entrevista, Nívea falou sobre sua carreira, contou detalhes sobre sua personagem e a história da novela de Walcyr Carrasco. Confira:

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Como é A Dona do Pedaço?

“É uma novela que para mim é uma experiência maravilhosa, eu estou entrando com o mesmo espirito de quando eu comecei há cinquenta e cinco anos atrás. De excitação, de ansiedade e de busca para fazer um trabalho diferente. É a primeira vez que eu estou com o Walcyr, primeira vez que estou com a Amora, então é mais uma razão para descobrir o universo dessas duas pessoas maravilhosas e fazer o meu trabalho. Como sempre o Walcyr é um astro na narração e na descrição das histórias, dos personagens, das tramas. Ele trás para a gente no começo da novela, duas famílias que são unidas e antagônicas ao mesmo tempo, porque de repente o propósito é o mesmo.

Fora que o elenco fantástico, não só os veteranos, mas também o elenco jovem de muito talento. E também as crianças. Isso é muito importante, você trazer para a novela, essas três fazes diferentes do ser humano. Eu faço a mãe da Juliana Paes pela terceira vez na minha carreira, com muito prazer. Eu faço a Evelina, a nora de uma das primeiras atrizes com as quais eu contracenei, que é a Fernanda Montenegro. Eu estou em um mar de talentos. Essa relação da nossa família tem o poder do personagem da Fernanda, no começo eu sou uma agregada da família por ser nora, mas de repente me alimentei de todas as qualidades, pensamentos, a forma de viver dessa família e passo para as minhas duas filhas toda essa coragem do personagem da Fernanda.

Família

A família tem segredos e eu tenho que participar desses segredos. Como todo ser humano a gente de repente discorda de algumas coisas, dos pensamentos, da forma de viver, mas ela busca contemporizar todos os dramas da família. Isso é muito bonito e importante como personagem, porque ameniza as coisas pesadas da novela. É um momento muito importante, porque de repente a gente é até responsável para tentar amenizar, distrair o público, levar entretenimento e mensagens. Nem sempre mensagens que devam ser seguidas. De repente tem um público nesse nosso país que não chega determinadas informações, que a teledramaturgia leva até eles, principalmente em termos de educação e comportamento de uma família, que eu acho que é uma coisa muito importante. Coisas que hoje a gente deve levar em conta.

Porque eu acho que é da sua casa, do seu núcleo familiar que você trás as raízes para enfrentar o mundo e é isso que vocês vão ver em A Dona do Pedaço, principalmente no personagem da Juliana. A criança que teve um tipo de vida, que vai crescendo, que tem uma postura diante das ideias da família e parte para o mundo. Não tem medo de partir para o mundo, com todas as inseguranças, todas as dificuldades, é muito corajosa. Eu acho que a gente vai ter uma novela que vai levantar um pouco o animo do brasileiro.”

Personagem

Sua personagem é muito forte. Ela tem alguma semelhança com você?

“Eu até costumo dizer para as pessoas que elas me veem como uma pessoa calma, doce, uma pessoa que parece estar com tudo certo sempre, sempre sorrindo, bem humorada e levando mensagens positivas. Mas isso não quer dizer que eu não tenha meus problemas, minhas dificuldades. Não só na minha vida pessoal, como na minha vida profissional. Eu sou como todos, luto como todas as pessoas que às vezes não não conseguem entender determinadas atitudes, determinadas pedras que a gente encontra no meio do caminho. E eu sempre procuro levar isso para os meus personagens e fazer dele um leque aberto.

Porque a telenovela é um leque aberto. Podem aparecer mil opções no meio, mais para o fim da novela, que você tem que estar aberta, aceitar e passar para o público. Então eu não sou uma pessoa rígida no sentido de ser sempre a mesma coisa ou ter sempre a mesma opinião, eu mudo sim. Mas uma coisa que eu não deixo de fazer sempre, nem no meu trabalho, nem na minha vida pessoal, é ouvir o outro.

No caso do meu trabalho não se chama humildade, é a palavra respeito. Porque mesmo que eu não concorde com o que o diretor está pedindo para mim ou o que o autor escreveu, eu escuto e respeito. É como se fosse uma conta de matemática, o resultado é quatro, mas você pode pensar que quatro foi somado de uma forma, mas outra pessoa pode fazer de outra maneira, porém todos nós queremos que o resultado seja a mesma coisa, que dê certo.”

Preparação

Como foi a preparação?

“Foi maravilhosa a experiência de ir para o sul. Eu não tive muita preparação, que eu acho muito bom, porque eu sou uma atriz que gosta de repente de uma espontaneidade de fazer. A gente indo para o sul, trouxe para a gente um universo completamente diferente dos centros urbanos. A gente viu lá o povo que vive em cidade pequena, como eles se viram com a terra, com a natureza, com os animais, como ele estuda e lê.

Tudo isso foi uma espécie de laboratório para nós, claro que guardando as devidas proporções. Porque a novela começa em 1978, mas na verdade os problemas e as coisas são as mesmas. O ser humano evoluiu, mas se você for ver é a mesma coisa. Foi muito bom a estadia lá, porque a gente teve tempo sem querer, de meditar um pouco sobre a vida, sobre a realidade da vida. E isso trás uma bagagem para a nossa carreira.”

Filhas

Como é a relação dessa mãe com as filhas?

“Como o personagem da Fernanda é muito forte e é muito centralizador, eu via o personagem a princípio um pouco timida, um pouco submissa à força do personagem dela. Mas aí eu fui descobrindo e passei para essa Evelina praticamente a mesma força, a mesma resistência, a mesma inteligência emocional de resolver os problemas graves que a família passa a viver. E ajudar a minha filha, só eu que jogo para o alto o personagem da Juliana. Nesse ponto eu fui descobrindo e vocês vão ver o chute a gol que a Evelina dá dentro da novela.

Depois eu me separo das minhas filhas tem um drama, porque eu perco uma, eu tenho netas e tem um lado de vivência minha. Porque eu sou uma avó carinhosa, muito aconchegante e que trás muito para o colo. Tem vários aspectos dessa Evelina que se parece um pouco comigo. Mas que eu usei um pouco na minha vida com as minhas filhas e uso hoje com os meus netos. Mesmo não sendo essa parte da novela nos anos de hoje, ela é como eu seria hoje.

Eu também vou estar como vocês a partir de um determinado momento, curiosa para saber como essa Evelina volta. Porque ela sai da trama quando a Maria da Paz vai embora, na primeira fase. Mas estou curiosa, quero saber e tenho certeza que o Walcyr vai nos surpreender com uma Evelina que vai trazer coisas novas.”

Virada

Vai ser um momento forte para dar essa virada, certo?

“Com certeza. No começo ela parece um pouco submissa e quieta, pela força que tem o personagem da Fernanda. Mas ela absorve toda essa força e energia para ela, quando a Fernanda se vai também. E aí ela começa a resolver e trazer soluções para a situação difícil que a família começa a passar. Difícil no sentido humano da coisa, não no sentido do dia a dia.”

Como está sendo ser dirigida por uma mulher como a Amora Mautner?

“A Amora é como se fosse um globo, em todos os aspectos. Dentro da televisão eu já fui dirigida por outras mulheres. Agora o olhar da Amora para esse universo feminino, a maneira como ela direciona as personagens femininas da novela, fica parecendo que os personagens masculinos ficam mais frágeis ou mais fracos. Mas não é isso, ela consegue passar exatamente esse embate de homens e mulheres que nós temos até hoje e a dificuldade às vezes de você discutir sobre isso.

Porque a educação masculina e feminina infelizmente veio das outras gerações. Eu mesma fui educada assim, os homens é quem faziam as regras, as mulheres eram mais silenciosas, apesar de serem quem seguravam a barra quando as coisas ficavam feias. A Amora está fazendo isso de uma forma sutil, porque o público está muito resistente a determinadas coisas. Tem que ser muito inteligente para passar isso, porque tem gente que ainda pensa diferente. É importante discutir, mas não brigar. Eu acho que as vezes o silêncio e o olhar é mais forte do que as palavras.”

Filho

A sua personagem acaba tendo um luto do filho vivo. Afinal, ela não sabe o que acontece com o filho do outro lado. Como foi para você preparar isso tudo?

“Eu vivo um pouco isso, para mim quando eu vou atuar, eu uso a surpresa da notícia. Eu acho que é por isso que essa emoção passa para o público. Eu não preparo essa emoção. Quando isso passa para mim, é como se fosse a primeira vez. Esse é um processo meu de atuar, que eu sempre tive. A minha preocupação é emocionar o público, eu tenho que bater no coração e na sensibilidade do público, para ele entender e se emocionar comigo. Porque não adianta eu chorar rios e o público ficar assistindo em casa parado, eu vejo dessa forma. Às vezes uma lágrima não significa dor, não significa saudade, não significa nada. A verdade do coração é mais forte.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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