“Ninguém me chama de tia”, diz Thalita Rebouças sobre o The Voice Kids

Publicado há 9 meses
Por Felipe Brandão
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Difícil imaginar uma edição do The Voice Kids sem as reportagens de Thalita Rebouças. Desenvolta e carismática, ela sabe como ninguém se relacionar com as crianças e suas famílias nos bastidores das audições. Até aí, nenhuma surpresa. Afinal, estamos falando com uma das escritoras mais lidas pelo público infanto-juvenil nas últimas duas décadas.

A relação com os ‘baixinhos’, aliás, é uma tarefa que Thalita encara com muito prazer. “Eu nunca trato criança ou adolescente de forma diferente, eu trato de igual pra igual. Não me acho uma ‘tia louca’, me acho uma amiga mais velha que eles gostariam de ter. Um pouquinho mais velha, quase da idade da mãe deles, mas eles me consideram como quase da idade deles“, resume.

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Confira a seguir nosso bate papo exclusiva com esta queridíssima escritora e jornalista, que em janeiro voltará a brilhar em mais uma temporada da atração global!

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – No The Voice Kids, você acompanha a fase inicial dos candidatos e dá um certo apoio aos familiares. Como é para você esse trabalho?

THALITA REBOUÇAS – Eu me sinto meio mãe ali, sabia? Cada pai, cada mãe que segura na minha mão pra mim é muito importante. Eu me sinto ali parte da família, sofro junto, às vezes sofro até mais. Algumas crianças até já me zoaram por estar chorando… [risos] Realmente esse programa é muito mágico, especialmente nesse momento das audições às cegas, de estar ali com as crianças, que pra mim é o momento que eu mais amo.

Como você sente que as crianças e adolescente te veem ali? Como uma mãe, talvez uma ‘tia maluquinha’, ou até mesmo como um deles?

Olha, eu não me sinto ‘tia’, nem nunca me senti. E olha que eu escrevo pra eles há 20 anos! Eu nunca trato criança ou adolescente de forma diferente, eu trato de igual pra igual. Então é muito engraçado, quando alguém me chama de ‘tia’, eu estranho, olho pro lado pra ver quem é… Porque eu estou há tanto tempo com eles, né? Eles dormem com livros meus, eles estão comigo na TV há quatro anos. Então, quando eu estou com eles, eu sou parceira! Ninguém me chama de ‘tia’ não! Quando me chamam de ‘tia’, pra mim é bem estranho! Não me acho uma ‘tia louca’, me acho uma amiga mais velha que eles gostariam de ter. Um pouquinho mais velha, quase da idade da mãe deles, mas eles me consideram como quase da idade deles.

Você entrou na segunda temporada do programa e ficou desde então. O que mudou de lá pra cá na sua vida e na sua carreira?

É muito bom porque [o The Voice Kids] é uma fonte de inspiração pra mim. Vários aqui eu já fico de olho – ‘hum, será que esse aqui atua também, será que eu posso pegar pra um filme, pra cantar uma música que eu escrevi?’ Inclusive, tem umas ideias que eu tenho muita vontade de escrever sobre esse universo de competições. É a quarta temporada, e cada olhar, cada abraço que eu ganho acaba me inspirando de alguma forma.

Já teve algum candidato do The Voice Kids que você acabou selecionando para um filme ou uma música sua?

Teve um do ano passado que fez um teste pra um filme meu, que vai ser rodado no ano que vem. Olha que máximo! [risos] Na verdade eu nem sei se ele passou ou não, mas achei muito bacana quando vi o nomezinho dele. Já falei: ‘pode chamar! Esse aqui é muito maravilhoso!’ [risos]

E essa sua investida agora em podcasts? Como surgiu isso?

Pois é! Eu descobri que as mães acabam gostando de mim por conta dos filhos. Os filhos gostam de ler por minha causa, e tal… Sou uma boa influência! [risos] Aí pensei que quando a gente se separa, poxa, faz tão bem ficar ao lado de pessoas que nos façam ficar pra cima… Por que eu não posso transformar tudo isso o que eu aprendi depois do luto da separação e ajudar as pessoas que estão passando ou vão passar por isso? Então resolvemos fazer um podcast. Foi ideia da minha amiga, a Roberta Senna. E Unidas pela Separação está tendo realmente uma resposta incrível, porque estou falando com gente da minha idade e com gente um pouquinho mais nova. Estou muito feliz de poder ajudar, de receber Fernanda Gentil, Fabiana Karla, Luana [Piovani] no programa. É muito bacana, porque o diálogo é a melhor solução, né? Quanto mais a gente fala, melhor pra resolver qualquer tipo de problema.

É difícil não se envolver com as histórias das crianças que passam pelo The Voice. Você já chegou a ser tocada de forma especial por alguma delas?

Eu sou muito tocada, todos os anos. Nunca fiquei assim por um caso específico, mas eu me toco muito pelas histórias deles todos. Hoje mesmo eu recebi mensagem da vencedora do ano passado, mandando um texto, desejando sorte… Ou seja, a gente acaba criando um laço que não criaria se eu não estivesse aqui.

Você ainda tem contato com algumas das crianças e famílias que você acompanhou nesses anos de The Voice Kids?

Sim! Eu troco mensagem, eu sigo [nas redes sociais]… Porque agora, com esse negócio dos filmes, eu preciso de adolescente e pré-adolescente o tempo inteiro. É desesperador, gente! Se eu puder colocar num filme meu uma criança daqui, que eu conheço, conheço os pais, sei que tem talento, e ainda coloco pra cantar no filme, pelo amor de Deus!

Como aconteceu seu ingresso no programa? Acredita que foi uma recompensa natural pelo êxito dos seus livros?

É que eu sou exibida, né? Eu liguei pro Boninho e falei: ‘você não acha que esse programa é minha cara não?’ [risos] E aí ele achou – que bom! [risos] – e eu estou aqui pelo quarto ano. Nunca achei que a literatura fosse me levar a lugar algum, sabe? Sempre achei que eu fosse ser uma jornalista que escreve livros de vez em quando. Nunca achei que fosse vender tanto, que ia ser tão lida 20 anos depois. Isso aqui [o trabalho no The Voice] são quatro meses da minha vida – eu ‘brinco’ de ser apresentadora, na verdade. Mas estar aqui acaba sendo útil pra minha carreira de escritora também. Mais do que a visibilidade, é realmente a inspiração, é o coração estar aqui pensando no que eu posso levar daqui pra minha obra – seja uma música que eu vá fazer, um filme, um livro… Tudo aqui me inspira.

Você tem vontade de fazer outro tipo de programa, sem ser necessariamente para o público jovem?

Eu super topo, pode me convidar! [risos] Eu amo fazer TV! Gosto de me comunicar, sou formada em jornalismo… Acredito que o jovem é um público ainda carente de coisas na televisão. Eu adoraria fazer – não escrever. Muita gente pergunta se eu tenho vontade de escrever novela, mas não, nada disso. Por enquanto estou feliz escrevendo somente para o cinema. Mas quem sabe um dia? Nunca digo nunca.

No seu último filme, Ela Disse, Ele Disse, teve uma cena de beijo gay muito bonita, que repercutiu bonito. Você acredita que a sua obra também é um espaço para posicionamentos políticos?

Com certeza! Eu sempre falo que não é um beijo gay, são duas meninas ou dois meninos se beijando. Quem classifica como gay somos nós, adultos. Mas é algo super natural hoje em dia. E eu acho que o beijo ficou tão bonito e leve – é uma cena de empatia também! Essa polêmica, inclusive, me surpreendeu, porque é muito espantoso que ainda hoje as pessoas se espantem com duas pessoas do mesmo sexo se beijando e dando amor uma pra outra. Bullying tudo bem! Pode bater, pode xingar… Mas beijo não! Eu tenho um livro LGBT que é o meu xodó, que tenho muito orgulho dele, das pessoas que tiveram coragem de sair do armário e abrir-se sobre a própria sexualidade por causa desse livro. Acho que a arte está aí pra isso, pra fazer pensar, pra fazer mudar a cabeça das pessoas. Quanta gente fala pra mim: ‘eu era contra, eu descobri que era homofóbico lendo o seu livro, morri de vergonha de mim! Que bom que você escreveu esse livro!’ Você receber uma mensagem dessas de uma pessoa de 14 anos de idade não tem preço! Saber que eu posso, com a minha arte, seja cinema, livro, música, fazer com que as pessoas pensem e mudem de opinião pro bem, sinto que meu papel já está mais que cumprido.

Quais são seus próximos projetos em cinema e literatura?

No ano que vem estou comemorando 20 anos de carreira. Vou lançar dois livros – o último volume da série Confissões e outro livro inédito, baseado num filme, que ainda não posso contar muita coisa pra vocês, mas começamos a rodar em janeiro. Estou muito feliz, porque é meu primeiro filme inédito. Aprendi que sei contar história sem ser baseada em livro. Agora ferrou, gente! Agora eu tomei gosto pela coisa, tô me achando roteirista mesmo… [risos]

Mas o roteiro desse filme já está escrito?

Já! Vamos começar a rodar em janeiro. Já estamos vendo locações, fechando elenco!

Pode adiantar um pouquinho qual vai ser a história?

Vai ser sobre pais. Eu me sinto em dívida com esse público, porque as mães têm um papel muito importante nos meus livros, já fiz Fala Sério, Mãe, mas nunca fiz Fala Sério, Pai. Eu me sinto em dívida com o meu pai, inclusive! Então, neste ano, eu estou fazendo um filme muito coração, que vai estrear provavelmente em outubro, na época do Dia das Crianças, onde quero falar de amor de pai.

E o elenco? Pode adiantar algum nome?

Já está querendo saber demais! [risos] Mas estamos com um elenco dos sonhos. É que eu realmente não posso falar, mas tem muita gente que eu morro de admiração que está nesse filme, e isso me deixa muito feliz.

Quais são seus desejos pra 2020 na sua vida?

Eu quero saúde, eu quero inspiração – que é uma coisa que esse ano eu tive muita, mas sempre tenho medo de perder. Acho que eu tenho mais medo de perder a inspiração do que de morrer, sabe? Esse ano foi muito inspirado pra mim, criei histórias que me deixaram muito feliz, e espero que em 2020 a inspiração continue.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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