“Muito polêmico”, diz Danton Mello sobre clipe estrelado por ele em nova temporada do Tá No Ar: A TV na TV

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Danton Mello está vivendo novos desafios em sua carreira. O ator que também esteve na Dança dos Famosos, está prestes a estrear duas novas produções na TV, são elas, uma minissérie sobre a vida de Hebe Camargo, e a sexta e última temporada de Tá no Ar: A TV na TV.

O ator conversou com a reportagem do Observatório da Televisão durante o evento de lançamento da temporada final do humorístico que aconteceu na última quarta-feira (12) na Globo. Durante o bate papo ele falou sobre os ensinamentos trazidos pelo programa e sua entrada na vertente do humor. Ele elogiou companheiros do elenco, e ainda adiantou que terá um clipe estrelado por ele, em um dos episódios da atração. Confira:

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O que mudou na sua vida em relação à Dança dos Famosos?

“Estou muito feliz de ter participado. Acho que cresci como artista, e entrei com esse objetivo. Eu falei desde o início que não estava competindo em momento algum, para mim era uma oportunidade de conhecer melhor o meu corpo. Valorizo muito o trabalho corporal e ali pude aprender os limites do meu corpo, e dançar foi muito bacana. Eu também fiz o Dança ao mesmo tempo que as gravações do Tá no Ar, as gravações da minissérie da Hebe em São Paulo, e não tive forças para me dedicar como eu gostaria. Curti muito, não consegui dançar dois ritmos, o tango e a valsa, mas já valeu muito pela experiência”.

Ensinamento

E vai levar para a sua vida?

“Com certeza. Espero dar continuidade. É muito prazeroso dançar. Vamos ver se consigo conciliar com os próximos trabalhos. Ou fazer uma aula, um musical, algo que nunca fiz. Falta aprender a cantar também, mas não irei participar do PopStar (risos). Ali é para quem canta mesmo, realmente não dá”.

Fala para a gente sobre a sexta e última temporada do Tá no Ar: A TV na TV.

“Acho que não caiu a ficha ainda [que é a última temporada] nem do elenco nem da equipe. Somos um grupo muito coeso, um pessoal incrível que está junto desde a primeira temporada. O programa deu super certo, faz humor, crítica, e satiriza, mas acho bacana esse pensamento do Mélhem de encerrar no auge, e não deixar o programa se desgastar e virar mais um na grade. A gente encerra feliz, tendo brincado com muita gente, e acho que o programa vai ficar marcado na história”.

O que você pode contar para a gente sobre o que já gravou?

“Na terceira temporada, eu disse ao Adnet que eu gostaria muito de fazer um clipe, daqueles que encerram cada episódio. O que eu posso adiantar, é que nesta temporada eu faço um. Fiquei muito feliz, e acho que vai ser um clipe muito polêmico, forte, e foi incrível participar. Não posso falar mais nada”.

Outras temporadas

E das outras temporadas, o que você mais gostou?

“Gostei de tudo. É difícil citar uma cena, quadro ou personagem porque tudo foi muito divertido. Eu lia em casa e pensava ‘não acredito que vamos fazer essa cena’. Me lembro quando o Maurício me chamou para fazer o programa, e me mandou o primeiro episódio. Eu liguei para ele e falei ‘Achei genial, mas esse programa foi aprovado mesmo? Ele vai ao ar?’. Foi minha reação, e ele responde que sim, e eu disse ‘claro que estou dentro’. Fiquei feliz que deu certo e conseguimos fazer seis temporadas. Além do mais, é um programa que tem muita qualidade técnica, muito bem cuidado. As pessoas acham que a gente grava três vezes por semana, mas fazemos isso o dia inteiro, de segunda a sábado. Passamos horas na caracterização se montando, e se desmontando. É cansativo, mas vale muito a pena de ser ver pronto”.

E você vai ter algum outro projeto semelhante a esse?

“Semelhante a esse acho que vai demorar muito, mas tenho novos projetos sim. Faço a próxima novela das 18h, Órfãos da Terra. Estarei com um parceiro gigante que é o Gustavo Fernandes. Rodei um longa com ele esse ano sobre a vida do Arigó, que incorporava o Doutor Fritz, e é um cara muito talentoso. É a primeira novela com direção artística dele, e fiquei muito feliz com esse convite. Me chamou para fazer um personagem muito divertido, que tem um quê de comédia. É um delegado… A gente fala mais pra frente, já que começarei a gravar em fevereiro, e ela só vai estrear em abril”.

Danton e Selton

E quando o público vai poder ver Danton e Selton numa mesma produção?

“Eu espero que em breve. A gente tem falado muito sobre isso. Temos muita vontade de trabalhar junto, e como não aconteceu até agora, tem que ser algo muito especial. Eu não sei se vai ser uma criação nossa, no cinema, com Selton também dirigindo. A gente tem amadurecido essa ideia. Os dois também estão com uma agenda tão maluca, trabalhando bastante – ainda bem – mas espero que em breve, aconteça esse encontro”.

Estava lendo sobre sua eliminação na Dança dos Famosos, e as pessoas colocaram você como o grande campeão. Como você vê isso?

“Eu acompanhei e fiquei muito surpreso. Eu não tinha ideia dessa torcida. Eu tenho rede social, mas não frequento muito. Posto às vezes, mas não sou um cara que usa muito. Comecei a olhar e entendi a torcida gigante que eu tinha, e fiquei até triste porque acho que deveria ter me dedicado mais, mas realmente essas duas últimas semanas foram muito difíceis. Foram três dias gravando no Rio, três dias gravando em São Paulo, e no meio disso ensaios para a Dança, ponte aérea, atraso… Estava muito exausto, mas depois que vi isso tudo pensei ‘caramba, existia uma torcida por mim’. Fiquei honrado com essa repercussão toda. Não entrei para competir como eu disse, me diverti muito, aprendi muito, me surpreendi com minha performance, gosto de dança, tenho consciência corporal, trabalho, faço teatro e tinha muita vontade, mas não esperava ir tão longe. Muita gente na rua me disse ‘você é o campeão’.”

Humor

Como você está se sentindo fazendo humor? Você vai continuar?

“Quero continuar fazendo humor sim, é muito bom. Eu cresci trabalhando, nunca estudei, não tive teoria, aprendi fazendo, observando os maiores atores desse país com quem tive oportunidade de trabalhar. Fui para drama e agora para a comédia, e o Tá no Ar marca minha carreira realmente. Um pouco antes dele, eu fiz comédia no teatro, depois veio cinema, mas o Tá no Ar marca minha entrada no humor na TV. Eu digo que não sou comediante, mas agora abriu esse leque de poder fazer novela, série, drama, comédia, então é gratificante ter esse retorno das pessoas dizendo que sou sim comediante e que se divertem com o que eu faço”.

Você praticamente cresceu dentro da Globo. Como você enxergou a chance de dar uma sacaneada na televisão dentro da casa?

“Quando eu recebi o roteiro do primeiro episódio do Tá no Ar, eu me espantei com o personagem militante. E existem pessoas assim aí fora realmente, e perguntei ‘a gente vai mesmo brincar com isso?’, porque satiriza não só a nossa empresa como essas pessoas também. Achei genial. Acho incrível ter essa liberdade e esse é um programa que sempre teve liberdade. Não me lembro nessas seis temporadas de algum quadro que a gente tenha gravado que não tenha ido ao ar”.

Já deu algum medinho de ter ido longe demais?

“Não. Nunca deu. Eu também não tenho esse compromisso. Como eu não sou comediante, e como não escrevo, eu me jogo e faço de tudo”.

Timing de humor

No começo você sentiu alguma dificuldade no humor?

“Eu acho que eu ainda estou aprendendo. Uma coisa que não tenho, e que nunca gostei é a coisa do improviso. Apesar de ter trabalhado com grandes comediantes, e de fazer comédia, eu preciso de timing, ritmo. Comédia também é matemática. Com um bom texto, boa direção, bom elenco você consegue fazer rir, mas não sei improvisar e sou um cara que precisa estar preparado. Tive várias crises de riso, não só no Tá no Ar, mas em tudo o que fiz porque quando sai um pouco do que está programado, eu me desconcentro. Acho genial essa rapidez que os comediantes têm. Estou com o Adnet aqui, é um louco, genial. Eles são muito rápidos, qualquer coisa vira piada, e eu não tenho isso. Consigo cumprir o texto, a direção. Não esperem de mim um improviso, porque não consigo contar uma piada, diferente do Adnet.”

Mas o Adnet costuma ser sério…

“Ele é sério, mas muito divertido. Vou sentir saudade dele. É um cara muito inteligente, tivemos grandes conversas nessas seis temporadas, falando de tudo. Talvez ele se feche um pouco, mas com a gente ele é muito divertido, muito astral trabalhar com ele e com todo o nosso elenco. O Welder (Rodrigues) também é outro maluco”.

Maturidade

Você tem encabeçado projetos no cinema, na televisão, em diversas vertentes. Você diria que está num momento mais maduro?

“Eu estou muito feliz com esse momento. Penso que são muitos trabalhos bacanas. É um orgulho olhar para trás e ver o que eu fiz. Ao mesmo tempo fico surpreso e penso ‘como eu posso me jogar tão profundamente?’. Sou um cara que me jogo em todos os meus trabalhos, eu faço com verdade, intensidade, então acho que estou num momento de grandes projetos, várias áreas, muito feliz  e espero que continue assim para amadurecer mais ainda.”

O que o Tá no Ar trouxe para você?

“Como ator essa agilidade de cena. Tudo lá é muito rápido. Leio em casa uma cena, chego aqui com uma composição, e aí entra um figurino completamente diferente do que imaginei, entra uma caracterização que muda tudo. Ter essa agilidade, não de improviso, mas de você não sofrer. Sou um cara que gosta de construir o personagem e aqui aprendi a construir na hora. Na terceira temporada eu já estava mais solto, e aí entendi que o programa é assim, e que não adiantava ficar estudando personagem dias antes, porque chegando lá vai mudar tudo. Essa agilidade foi um aprendizado muito bom”.

Você aprendeu com isso a não ser tão perfeccionista?

“Sim. Eu sou perfeccionista, e sou até chato. Comentando da Dança, a Brennda, minha coreógrafa dizia ‘Danton, você não senta’. Nas duas horas que eu ficava na aula, eu ficava dançando. Eu queria pegar toda a coreografia. Ela dizia ‘calma’, e eu rebatia ‘calma não. Nós temos só mais quatro dias’, então tenho essa coisa desde pequeno. Tem que estar tudo certinho, e aqui aprendi a relaxar, porque um faz uma loucura, outro faz um improviso, e isso me acalmou”.

Acidente de helicóptero

O seu irmão, Selton, fez a série Treze Dias Longe do Sol, e disse que fez aquele personagem pensando em você, devido ao seu sofrimento no acidente. Esse ano fez aniversário de 20 anos do seu acidente de helicóptero, onde você praticamente nasceu de novo. É verdade que você quer voltar no local onde tudo aconteceu?

“É. Esse ano eu estava terminando as filmagens do Arigó, e estava em contato com o repórter que também estava comigo no acidente e a gente programou de passar os 20 anos lá. Aí veio Deus Salve o Rei, Hebe, e começou a embolar, e eu falei com ele que não conseguiria ir lá. Nossa ideia é ir por trilha, uma caminhada longa, mas tenho muita vontade de voltar lá. É um lugar muito importante da minha vida. Meu irmão realmente disse que fez esse personagem pensando em mim, mas não consegui ver essa série porque não queria vê-lo sofrendo. E não quero relembrar minha história nem imaginar meu irmão numa situação dessa”.

Você voltando lá não é uma forma de mexer com esses sentimentos?

“Eu acho que é. Eu voei de helicóptero treze anos depois do acidente, e eu não me lembro do voo. Entrei no helicóptero, o piloto levantou voo, comecei a chorar e não sei se demorou cinco minutos ou meia hora”.

Depois disso você nunca mais voou de helicóptero?

“Sim, mas não por falta de oportunidade. Eu não tenho medo de helicóptero, meu medo era reviver a história, mas ao mesmo tempo sabia que era importante relembrar. Coloquei para fora aquele dia, e por isso quero voltar lá”.

Dublagens

Com todas essas tarefas, você ainda recebe convites para dublar?

“Claro. Mais um trabalho. Vem aí Pets 2 (risos). A dublagem foi uma grande escola na minha vida. Aprender tudo o que um ator faz de fono, eu e Selton não fizemos, aprendemos fazendo. Eu adoro dublar, mas é muito difícil conciliar, por isso acabei me afastando. Recuso muitos convites, mas surgiu essa oportunidade de fazer o Pets há dois anos e foi demais. Adoro as animações da Ilumination, e agora vai ter a continuação. Até dublei alguns trailers, mas vou dublar o filme inteiro que será lançado no meio do ano que vem. Queria fazer mais, brincar com a voz e fazer coisas diferentes”.

As suas filhas às vezes perguntam se é sua voz em determinado filme?

“Rola isso. É muito legal não só delas, mas público na rua pergunta. Às vezes perguntam ‘era você ou seu irmão’? Esse filme eu fiz para elas total. Eu vi todas as animações possíveis com elas, que amam animação e eu queria muito fazer uma, que elas ouvissem a voz do pai num filme desses. Elas ficaram animadíssimas”.

Como vocês recebem esse filme? Porque dizem que quando se dubla, o dublador recebe só parte da imagem cortada para evitar a pirataria.

“O primeiro não foi assim não. Era o filme inteiro, claro que vinha com marca d’água na tela. E eu assisti ao primeiro filme original, porque fizeram uma exibição para a gente lá na Sony em São Paulo”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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