Monica Iozzi fala sobre futuro de Kim em A Dona do Pedaço: “Tudo é possível”

Publicado há um ano
Por Felipe Brandão
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É impossível não se divertir com as trapalhadas da tresloucada Kim em A Dona do Pedaço. A assistente de Vivi (Paolla Oliveira) vem aprontando todas no intuito de conquistar Márcio (Anderson di Rizzi), por quem nutre uma paixão doentia.

Intérprete da personagem do horário nobre, Monica Iozzi é quem mais se diverte com as estripulias da moça. Ela não descarta, inclusive, que Kim, Márcio e Sílvia (Lucy Ramos) venham, no futuro, a formar um ‘trisal’. “Se acontecer, não ficarei surpresa. Acho que ela já teve muitas reações diferentes do que eu imaginaria, coerência não faz parte dela, então não espero nada. Tudo pode vir!”, vislumbrou a atriz.

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Confira o bate papo completo com a estrela das 21h.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como tem repercutido sua personagem, a Kim?

MONICA IOZZI – Quando eu a recebi, fiquei pensando ‘ela é tão excêntrica, fora da casinha, mas eu queria que o público gostasse dela’. Então como fazer esta personagem difícil, tão paradoxal… Os olhares dela sobre a vida são muito diferentes dos meus, então eu tinha muito medo do público encrencar um pouco com ela. De todo modo, esta excentricidade é tão maluca que as pessoas têm uma certa compaixão e empatia por ela. O resultado é diferente do que eu imaginava que seria. As pessoas sentem um carinho pela Kim nas ruas e tem sido maravilhoso.

Você acha que as pessoas shippam o Marcio [Anderson di Rizzi] com a Kim?

Eu não imagino uma relação assim na vida real, mas não sei se os dois vão ficar juntos…

Como ela é doida por dinheiro, achávamos que ela se aproximou dele para ficar perto da Maria da Paz…

Sério? Pensaram isso? Acho que as pessoas sentem atração por qualidades diferentes. A Kim gosta de homens que são diferentes dela. O natural seria que ela se apaixonasse por homens como o Régis [Reynaldo Gianecchini], alguém que entende de moda, que [teoricamente] tem dinheiro… Mas ela tem este gosto peculiar por homens que não convivem com ela, que são de ambientes diferentes, e ficou com essa fixação no Marcio.

Ela quer casar com ele?

Nem sei se é por causa dele. Ela tem muita vontade de ter alguém, é muito possessiva e gosta de mandar em tudo. É uma vontade de ter um homem só dela. Está muito distante das mulheres reais.

Como têm sido as gravações dessas cenas?

Eles têm cenas muito físicas, de correr atrás, pegar no colo, agarrar, tudo muito divertido. É para ser leve!

Rola gargalhadas dentro do estúdio?

Sabia que não? É tudo muito focado. Para cair e dar algo errado, é um passo. Se a gente se distrair muito, pode acontecer algo de errado. Tem de estar concentrado.

A Silvia então dançou?

Eu não posso dizer muita coisa, mas acho que ela ainda não dançou. Acredito que ela ainda esteja na parada. Vamos ver! Uma mulher me disse no aeroporto que existe uma torcida para que nenhuma das duas fique com ele, por conta do que já fez com as duas. Tem vários caminhos!

O que você quer?

Como intérprete, não dá para ficar torcendo. Se você torce por um caminho, talvez não seja o que o público queira, o autor imagina outra coisa e a gente tem de torcer para a história dê certo. Quero mais é que dê certo para todo mundo.

Você é muito intuitiva. Saiu do Vídeo Show, trabalhou com o Tony Ramos e agora está com este personagem na novela das 9. Como você vê isso tudo?

Eu sempre fui assim, desde muito pequena: de pensar que a gente tem de estar feliz com o que está fazendo. Minha busca sempre foi ser feliz com o que estou fazendo. Eu era muito feliz no CQC, depois comecei a querer outras coisas porque era um ambiente pesado, então cumpri tudo o que queria e sentia falta para trabalhar como atriz. Esta era minha grande paixão. Fiz faculdade de artes cênicas, era minha grande paixão e a profissão de apresentadora surgiu no meio do caminho. Acho que a vida é muito diversa e temos de prestar atenção em que nos é apresentado. Quando comecei a fazer Vídeo Show, logo topei, mas senti que ainda precisava voltar. Não dava para conciliar com uma novela. O Vídeo Show era ao vivo, de segunda a sexta, cheguei a fazer isso durante a novela Alto Astral (2014), mas não dava para fazer sempre. É uma rotina cansativa. Fui muito feliz lá, mas quis aproveitar que tinha dado certo, que as pessoas gostavam e fechei um ciclo para começar um novo. A Globo me entendeu e respeitou, como sempre, e fiz a série, depois fiz dois trabalhos – Assédio e Carcereiros – que foram importantíssimos na minha vida. Um trabalho do qual me orgulho muito, chamado Palavras em Série, que eu queria muito que o grande público tivesse acesso, mas é na TV paga. É um trabalho de cinco atrizes falando de textos de pessoas que não são dramaturgas. Fiquei muito orgulhosa e foi um dos trabalhos que mais me deu alegria. Sempre busco estar feliz e o público sente isso. Se estou assim, o público vai receber um trabalho melhor. Até agora isso vem dando certo e não me arrependi de nenhuma das minhas escolhas.

Você é uma batalhadora, jovem, que ficou do lado da sua mãe em um momento difícil que foi a perda de seu pai…

Eu falo bem pouco da minha vida pessoal, mas acho interessante porque falei isso pela primeira vez recentemente. Todos nós temos nossas pequenas ou grandes tragédias ao longo da vida. Às vezes as pessoas nos veem na televisão, pensam que tudo é glamouroso, só alegria, beleza, fama e dinheiro. Todos nós temos nossa trajetória. Decidi falar sobre isso para mostrar a quem está em casa passando por um momento difícil e mostrar que as coisas mudam. Não pode desistir. Todo mundo passa por uma tragédia e ninguém está livre disso. Se você tiver calma, contar com pessoas que ama e não desistir. Minha ideia de contar isso foi talvez mostrar isso para adolescentes e jovens. Quando gente é mais velho, perder um ente querido faz parte da vida, apesar de ser um trauma difícil. Queria mostrar que o tempo passa, as cicatrizes se curam e tudo pode dar certo.

A Kim é uma mulher decidida e quando ela começou a ficar com o Marcio, houve críticas machistas de que ela que roubou o namorado da outra. Como você viu esta resposta do público?

Acho que todas as pessoas que vieram falar deles para mim até hoje, vieram com este olhar. Ela está fazendo o que quer. Quem está sendo ruim com a Silvia é o Marcio. A gente tem esta visão estranha de que alguém rouba alguém. Somos todos adultos! É claro que a Kim não tem filtro, tem caráter volátil que prejudica para conseguir o que quer. Claro que não tem os melhores valores do mundo, mas não pode achar que o Marcio é uma vítima da situação: ele é um homem adulto, que estava se relacionando com uma mulher e optou espontaneamente por ficar com a Kim. Jogar a culpa na outra mulher que já não é mais este. Isso não é verdade! Eu, Mônica, acho que a Kim não está agindo de maneira correta. Jamais faria nada próximo disso, defendo minha personagem senão não a faria, mas discordo da maneira como ela age. Ela e a Silvia acabam se relacionando de alguma forma. Ela está correta por fazer o que quer, mas se aproximar da outra para obter informações não é justo.

Existe uma possibilidade de um ‘trisal’?

Em se tratando de um texto do Walcyr [Carrasco], tudo é possível. Se acontecer, não ficarei surpresa. Acho que ela já teve muitas reações diferentes do que eu imaginaria, coerência não faz parte dela, então não espero nada. Tudo pode vir! Realmente não sei.

Tem algo da vida da Kim que você leva para você?

Comecei a me relacionar com este universo das digital influencers por causa da Kim. Eu seguia os universos mais a ver com o meu mundo como teatro, arte, notícias e política. Seguia pessoas relevantes na moda, mas este universo dos influencers foi uma novidade. Isso é legal do nosso trabalho porque descobrimos coisas novas. Em Vá de Retro fui estudar bastante sobre religiões, um tipo de comédia que pouco tem no Brasil, que é o terrir, o terro com humor. Depois eu mergulhei mais em literatura para fazer o trabalho no GNT. Então a gente aproveita.

O que achou de esconder o número de likes do Instagram?

Para mim, Mônica, não mudou nada. Pensando de uma maneira geral, se o Instagram está fazendo isso por pensar na saúde mental dos usuários, acho maravilhoso. Estamos falando de uma grande corporação, de algo mundial. Será que eles realmente estão pensando na saúde das pessoas? Vamos ver o que vai acontecer.

O que a Mônica adulta diria para a Mônica criança sobre como é viver em um mundo machista?

Meu Deus, eu diria para ela simplesmente olhar para as mulheres que estão ao redor dela. Diria ‘continue prestando atenção em sua mãe, como ela se comporta em relação ao mundo. Olhe para sua irmã’. Eu estava cercada por mulheres que, desde a década de 1980, sempre se colocaram neste lugar da não-diferença. Meu trabalhava fora e minha mãe era dona de casa, mas eles tinham uma parceria. Nunca houve uma hierarquia, nem uma submissão. Falaria para ela prestar atenção na família. Fui a única coroinha menina da igreja, minha mãe teve de falar com o padre porque todo mundo achava estranho por ser menina.

(entrevista feita pelo jornalista André Romano)

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