“Meu trabalho mais difícil”, afirma Vladimir Brichta sobre protagonista da série Cidade Proibida

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Vladimir Brichta está pronto para mais um grande personagem em sua carreira: Zózimo, um detetive particular carioca da década de 1950 na série Cidade Proibida. Protagonista da série de ação, ele conversou com nossa reportagem e contou detalhes sobre o personagem e a grandeza do novo trabalho:

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O que te encantou nesse personagem, que te fez aceitar?

Eu fiquei sabendo desse projeto em 2011, e quando li aquele projeto de um detetive particular, que era debochado, sarcástico, irônico, aquilo me interessou. Passou muito tempo, e uma hora o diretor me perguntou se eu ainda estava a fim. Vamos fazer um noir colorido, solar, em que brincamos com as diferenças entre o que o público sabe e o personagem não sabe, o que o personagem sabe e o público não sabe, e tem uma narração que acompanha e cria um clima. Quando a gente volta na década de 50, que é quando se passa a série, podemos falar sobre costumes que não existem mais hoje em dia. A gente vive um universo machista hoje, mas muito menos que em 1950, assim como vivemos um universo racista, menor que em 1950, mas poder voltar na época e mostrar um pouco isso, a gente alimenta uma discussão saudável.

Qual o perfil do seu personagem?

Ele é um cara meio amoral, ele tem princípios, mas eventualmente se permite subverter isso. É um homem solitário sem grandes objetivos. Ele vive o instante agora. Ele acha que a vida dele pode acabar a qualquer momento e vive o presente de forma intensa, inclusive tem um encanto pelas mulheres que aparecem na vida dele. Ele se derrete pelas mulheres, e mesmo que ele não deixe claro, a narração trata de mostrar que ele acha que aquelas mulheres são dignas de louvores. É um elemento brasileiro, o jeito tupiniquim.

Vocês já gravaram todos os episódios?

Não. Temos 12 episódios no total. Finalizados temos 1 ou 2, e adiantados uns 8.

Em que situação você contrataria um detetive particular?

Eu ia dizer: “não, não contrataria”, mas é mentira. Eu contrataria sim, mas não sei por qual motivo, mas em minha vida conjugal jamais eu apelaria para um detetive. Talvez contratasse para resolver problemas trabalhistas, mas seguir alguém na rua não. Aliás, já tem redes sociais que cumprem esse papel. Hoje todo mundo é um pouco Zózimo Barbosa.

Você se assusta ao ver alguém tirando uma foto sua?

Já me assustei, hoje em dia não. Eu acho mais legal quando a pessoa pede, mas sei que faz parte do tempo. A humanidade sempre vive qualquer onda de forma muito forte e avassaladora. Esse interesse pela vida dos outros, tudo isso uma hora acaba e chega a seu devido lugar.

Você se preocupa com a sua imagem ao sair de casa? Escolhe roupas pra caso tirem alguma foto ou algo assim?

Não, não tenho o menor problema. A única coisa que realmente parei de fazer é tirar meleca no meio da rua, porque se alguém tirasse uma foto, eu ia ficar chateado comigo mesmo. Eu saio vestido de um jeito que às vezes meus amigos olham e dão risada, sou sacaneado, mas está tudo certo. Só a melequinha que eu evito.

Você já fez muitas séries, e estamos vivendo a era das séries. Você acredita que esse gênero está chegando no Brasil para tomar o lugar das novelas?

Acho que tomar o lugar da novela não vai acontecer. A novela produz dramaturgia com alta qualidade com suas características peculiares, e consegue manter-se diariamente no ar por muito tempo, o que é fantástico. O Brasil é realmente campeão nisso. As séries americanas hoje nos influenciam muito, por exemplo, mas se algum outro país quiser fazer a melhor novela do mundo, vai ter que copiar da gente. A novela não perderá seu lugar, o que vai acontecer é a série ganhar mais terreno.

O que tem de diferente nessa série?

Esta é a primeira série que faço com esta linguagem. Antes eu havia feito Faça Sua História, Separação, Tapas e Beijos, Justiça, mas quando comecei a atuar em séries, em 2008, no Brasil só se produzia séries de humor, que inclusive influenciaram a indústria do cinema no país. Com o passar do tempo, a televisão começou a exercitar outro tipo de linguagem, séries dramáticas, ou de suspense como Supermax, algo que nunca havia sido feito no Brasil. Em Cidade Proibida trazemos a novidade do gênero noir, tem características do drama, mas é um estilo mais pomposo, com um leve humor de fundo à base de sarcasmos. Acredito que seja o meu trabalho mais difícil, porque precisei descobrir qual tom eu iria usar. Nas novelas, eu tinha correlatos, em outras séries também, mas aqui não. São elementos distintos que tenho que juntar para fazer este personagem.

Você ficou muito tempo em ‘Tapas & Beijos’, e agora o público tem a impressão de que está te vendo mais na TV. Isso procede ou é somente uma impressão?

Impressão. Porque fiquei 5 anos em Tapas & Beijos semanalmente, antes eu estava em ‘Separação’, e sempre em outras séries, mas é diferente do peso de uma novela que você está no ar durante 6 vezes por semana. Em Rock Story, eu tinha um personagem muito grande e eu acabava estando muito mais presente. Mas como fiz série, novela, filme, o interesse no meu trabalho se torna muito maior, o que é ótimo.

Vladimir Brichta, Aílton Graça e José Loreto, estrelas da série Cidade Proibida (Divulgação/ TV Globo)

Outro personagem controverso seu é o Bingo, no filme que estreou na última semana. O que você pode comentar sobre ele?

O filme fala sobre os altos e baixos de um ator que em dado momento vira um palhaço, animador de um programa infantil, mas ele almeja fama, reconhecimento e não consegue porque o sucesso dele é pelo personagem, e não por ele. O reconhecimento que ele tem do patrão dele não é suficiente. É uma angústia que um ator tem, mas qualquer pessoa poderia ter, e isso também atrai a empatia das pessoas, assim como todas as pessoas desejam o reconhecimento. Quem nunca tirou nota boa na prova e quis mostrar ao pai? A gente precisa desse reconhecimento desde que se entende por gente, inclusive, a gente se reconhece como pessoa a partir do reconhecimento do outro, ainda mais hoje, que as pessoas precisam de um like.

E a principal dor do personagem é não ser reconhecido?

Sim. Todo mundo precisa desse reconhecimento. Um músico por exemplo tem seu instrumento como ferramenta de trabalho, o pintor tem o pincel, e o ator tem seu rosto, sua voz, seu corpo. Ele vive uma simbiose com o trabalho. Então, você reconhecer a arte sem conhecer o artista gera uma dor tremenda, e é um drama que não pertence apenas a esse personagem do filme, mas a qualquer ator que em alguma medida precise de reconhecimento.

Foi baseado numa figura real dos anos 80, que quase ninguém sabe o nome…

Contratualmente o Augusto, meu personagem, que é ator, não pode revelar a identidade dele e isso gera aquele sentimento nele de ‘como assim, ninguém pode saber quem eu sou?’. E milhões de outras histórias. Não posso dar spoiler (risos).

Sempre que encontramos com vocês atores, perguntamos sobre o preço da fama, mas o contrário também não deve ser bom, não é?

Hoje em dia todo ator preserva sua privacidade, e podemos ter nossa privacidade violada a qualquer momento, o que é péssimo, horrível e invasivo. Mas, por mais que precisemos de privacidade, não queremos o anonimato também. Eu desafio qualquer ator colega meu, tenho certeza que eles não topariam interpretar o ‘Bingo’ pelo resto da vida, sem as pessoas saberem quem ele era realmente. Quando alguém para a gente na rua e diz: “adoro o seu trabalho”; é de uma satisfação enorme. Se tem coisa que o dinheiro não paga nunca, é esse retorno.

Em Cidade Proibida você interpreta um detetive. Você tem esse lado curioso?

Não. Sempre fui observador, mas curioso não. Agucei um pouco a minha atenção porque quando vamos fazer um novo trabalho, os elementos daquele trabalho saltam a seus olhos e você tenta ficar em sintonia com o personagem. Confesso que fiquei mais atento. Assumi meu lado observador. O personagem é um cara que ouve bastante, e fala pouco, ao contrário do que estou fazendo agora.

É difícil enganar você?

Não sei. Se tiver verdade nos olhos, a gente acredita (risos).

Se você desconfiasse de uma traição, você contrataria um detetive?

Jamais. Deus me livre e guarde. Se você desconfiou e pensou em contratar detetive, é porque a relação já acabou, algo já se quebrou.

Você tem outros projetos na TV e cinema em breve?

Por enquanto não. Venho fazendo tanta coisa, lancei o Bingo, ainda estou trabalhando nele, agora vou estrear o Cidade Proibida, e só.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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