“Mesmo sendo realismo mágico, essa novela tem um pé maior na realidade que outras”, afirma Aguinaldo Silva sobre O Sétimo Guardião

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Autor de novelas, Aguinaldo Silva teve sucesso em praticamente todas as suas histórias. Diferente de suas últimas tramas, O Sétimo Guardião, também de sua autoria, estreou na última segunda-feira (12) recheada de mistério. O folhetim marca a volta do realismo mágico, estilo que ficou conhecido pelas obras do novelista, entre elas fenômenos como Tieta, Pedra Sobre Pedra, e A Indomada.

Em conversa com o Observatório da Televisão durante a festa de lançamento da trama, Aguinaldo contou como surgiu a ideia para criar a história, e revela que foi essencial que a novela tivesse como ponto de partida, um gato preto. Confira o bate papo completo:

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“Isso foi uma decisão minha. Eu tinha que apresentar uma novela, uma sinopse, era minha vez (na fila de autores) e resolvi voltar a esse meu universo que eu tinha abandonado em Porto dos Milagres (2001). Passei a fazer novelas urbanas e contemporâneas. Essas novelas de realismo mágico são meio atemporais. Quis voltar a esse universo porque achei que estava na hora. A realidade já está tão pesada, que quando você começa a tentar reproduzi-la nas novelas, fica meio insuportável. Achei melhor fugir disso”.

Como surgiu a ideia para a novela?

“Na verdade o primeiro passo dessa novela, veio de uma novela minha chamada O Outro (1987). Contava a história de um homem que toma o lugar de outro. E foi daí que surgiu O Sétimo Guardião porque o Gabriel chega na cidade, morre, e o Sampaio que o enterra, assume o lugar dele. O ponto de partida foi esse, pronto. É a história do duplo, uma coisa clássica da literatura”.

Cenas desafiadores

Qual capítulo o senhor está escrevendo atualmente?

“Não digo nada para a TV Globo, mas estou no capítulo 84”.

Até aí teve alguma cena especialmente desafiadora de escrever?

“Quando você escreve novela, não pode pensar que alguma cena é desafiadora. Você tem que encontrar a melhor maneira de escrever aquela cena e o mais rápido possível também. Até porque escrevemos 45 páginas por dia. Tem cenas que realmente são difíceis. Por exemplo, a cena em que a Valentina diz que se fosse preciso mataria o filho para conseguir o que queria foi uma delas. É uma cena difícil porque se você pesar demais, o telespectador nunca vai perdoar a personagem, então é complicado. E a maneira de que eu descobri para fazer isso é, depois que o filho ouve isso dela e sai, ela tem uma crise de choro insuportável. Você tem que pensar nisso muito rapidamente, porque não dá para ficar três, ou quatro dias pensando como fazer. Precisa acordar e fazer”.

O senhor tem algum ritual para escrever?

“Eu tenho um ritual parecido com o do comendador em Império. Eu levanto muito cedo, tomo banho, faço todas aquelas coisas como se eu fosse sair para trabalhar. Aí arrumo o quarto, a cama, faço meu café… É um ritual diário e às vezes uma maldição para mim porque quando não estou escrevendo, eu continuo fazendo isso. Quando minhas funcionárias chegam, o quarto já está todo arrumadinho, limpinho, e eu já estou lá sentado escrevendo”.

Aguinaldo Silva e sua relação com as redes sociais

É o senhor mesmo que mexe em suas redes sociais? Porque tenho a sensação que o senhor está sempre acordado.

“Eu mexo. Comecei minha vida profissional como datilógrafo de um cartório, profissão que não existe mais, e sou um digitador rapidíssimo. Quando você digita muito rápido, o seu raciocínio acaba se tornando rápido também. Então faço todas aquelas coisas praticamente ao mesmo tempo. Pulo de uma rede para outra”.

No realismo fantástico existem várias metáforas embutidas ali sobre a nossa realidade. Queria saber quais são as metáforas por trás dos personagens da novela?

“Na verdade não posso falar muito sobre isso sem revelar o segredo da novela. Eu acho que por mais incrível que pareça, mesmo sendo realismo fantástico, essa novela tem um pé maior na realidade que outras novelas, inclusive minhas. De certa maneira, ela reproduz coisas que estão acontecendo agora de maneira diferente”.

Gato preto

Todo mundo ficou encantado com a figura do gato. Como você pensou isso?

“Eu gosto muito de gatos, sempre tive gatos. Um de cada vez, porque gato acho que você só pode ter um de cada vez. E eu tinha muito problema com essa tradição brasileira de que gato preto dá azar. Gato preto não dá azar, gato preto é lindo. Eu resolvi que ia botar um gato na novela, que tem uma participação importantíssima na trama, e que seria preto. Para mim isso foi essencial. Se quando a novela acabar, todas as pessoas amarem os gatos pretos, estarei feliz da vida”.

O senhor participou da escolha dos gatos?

“Não. Esses gatos vieram de Los Angeles porque a única raça amestrável é essa, chamada Bombay Cat. São quatro irmãos, e bem novinhos. Vieram filhotes e começaram a ser treinados já ali. Engraçado que tem dois deles que se destacaram, são os melhores atores da família (risos)”.

Todas as suas tramas foram sucesso. Isso te dá mais calma para estrear uma nova trama?

“Cada novela para mim é como se fosse um salto no escuro e sem rede lá embaixo. É como se fosse a primeira. Não adianta dizer ‘eu sei o que o povo quer’, porque você não sabe o que o povo está querendo. De repente ele rejeita uma trama ou personagem e você tem que se virar”.

Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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