“Me importo em fazer bem o meu trabalho, não em ser galã”, afirma Bruno Cabrerizo, protagonista de Tempo de Amar

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Ator brasileiro, e experiente em novelas produzidas na Itália e Portugal, Bruno Cabrerizo será o protagonista da nova trama das 18h, Tempo de Amar, escrita por Alcides Nogueira e dirigida por Jayme Monjardim. Bruno conversou com nossa reportagem e contou sobre sua carreira internacional, e sobre a expectativa de estrear na Globo:

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Como é o seu personagem em Tempo de Amar?

É um grande prazer para mim estar aqui e começo agradecendo ao Jayme Monjardim. Passei 12 anos fora do país e de repente estou aqui sentado ao lado desses atores maravilhosos, autor e direção. Meu personagem, o Inácio, é um rapaz muito trabalhador, focado, que vai atrás de seus sonhos. Ele se apaixona pela Maria Vitória e atiçado por ela, uma moça que é muito à frente do seu tempo, ele vai embora porque ela diz “Vai, faz a tua vida e volta”, e foi o que o Bruno Cabrerizo fez também, e isso me emociona. Apesar da história da novela se passar nos anos 20, esse é um tema muito atual. Nos tempos em que vivemos, falar de amor é a melhor coisa que existe, e a nossa novela é tão bonita, estamos precisando de uma coisa leve, e acredito que esse seja o motor da nossa novela, por isso Tempo de Amar é tempo de amar. O Inácio é uma mistura de força, determinação e paixão.

Como surgiu o convite para a novela?

Uma pessoa me mandou uma mensagem no Facebook, eu não levei a sério, achei que era uma brincadeira. Era um produtor que no dia seguinte mandou novamente uma mensagem, e falou do filme do Jayme, e eu continuei achando que era uma brincadeira, mas resolvi entrar em contato. Aí me mandaram passagem, e eu só fui conhecer o Jayme e ter certeza no set de filmagem. Fiz O Avental Rosa com ele, e agora estou aqui.

Você começou jogando futebol, como se desenrolou a sua carreira como ator?

Eu era jogador de futebol, joguei no Brasil até 2005 quando decidi ir para a Itália. Sou de origem italiana e estava desiludido. Chegando lá joguei futebol por 1 ano, e depois iniciei minha formação como ator ao mesmo tempo em que trabalhava como modelo, e após 2 anos comecei a fazer os primeiros trabalhos como ator e fui largando a moda aos poucos. Em 2011 fui chamado para fazer a Dança com as Estrelas na Itália após ter feito pequenas participações, e isso me deu um boom. Comecei então a fazer papéis maiores, fiz uma novela na Itália até que surgiu a oportunidade de ir para Portugal, mandei meu material, fiz testes e peguei um papel e lá as coisas aconteceram bem rapidamente. Eu vinha com o background da Itália, e comecei a trabalhar falando em português, porque é a minha língua mãe e eu sentia essa necessidade. Trabalhei em Portugal como ator, como apresentador e também fiz a Dança com as Estrelas de Portugal, estou me tornando expert em dança (risos). Muitas pessoas me perguntam se eu sempre quis voltar para o Brasil e trabalhar na Globo e digo sinceramente que nunca pensei nisso. Fiz minha vida na Europa, tenho meus filhos que lá estão, e de repente surgiu a oportunidade de voltar.  No primeiro momento não acreditei, achava que era uma brincadeira de mau gosto, e pensei “Vou conhecer o mercado brasileiro, se não for para ser dirigido pelo Jayme que seja por outra pessoa, o importante é que me deem passagem de ida e de volta”. Cheguei no Brasil e fiz O Avental Rosa, filme do Jayme Monjardim que foi um teste para a novela basicamente. Ele gostou e me fez o convite para a novela, começamos a conversar pois eu precisava terminar o meu contrato em Portugal para depois vir para cá.

Você se emocionou durante a coletiva. É uma emoção estar de volta ao seu país tendo dado a volta por cima após ter saído daqui frustrado?

Não vejo por esse lado. Me emocionei porque é uma coisa bonita estar sentado ao lado de Letícia Sabatella, Tony Ramos, Alcides Nogueira e Jayme Monjardim. Isso me emociona, eu choro até com comercial. Claro que estar no meu país de origem tem o seu efeito, e passa um filme na minha cabeça. Eu tinha uma vida completamente diferente, busquei, fui atrás, me formei e hoje eu estava ali ao lado deles. Eu fui embora porque queria novos ares.

Você chegou a tentar a vida como artista aqui no Brasil?

Não tentei a vida aqui como artista. Eu jogava no CFZ, e tive um período de testes no Flamengo e durante esses testes surgiu a oportunidade de jogar no Japão num time infanto-juvenil e já usava esse nome mesmo, Bruno Cabrerizo, mas ninguém sabe dizer meu sobrenome, até o Joca (Joaquim Lopes) errou no Vídeo Show (risos).

Como foi sua carreira como modelo na Itália?

Eu trabalhava como modelo na Europa para poder pagar minha formação como ator. A minha sorte é que eu consegui trabalhar muito e fui chamado para a dança como modelo, mas já estava em processo de formação como ator. Fiquei em terceiro lugar, e devagar fui crescendo como ator.

Você pretende realizar trabalhos como modelo aqui no Brasil?

Não sei, quando se apresentarem as situações eu vou pensar. Eu aposentei um pouco o meu lado modelo, então quando falam Bruno Cabrerizo estão falando do ator, e a profissão de ator é a minha base, principalmente o que pagou as minhas contas. Aliás trabalhei como muitas outras coisas como garçom e motorista.  Trabalhei também com contabilidade até decidir que com a moda eu teria mais tempo livre, ganhar mais, e conseguiria fazer minha formação com mais calma sem ficar correndo de um lado para o outro.

Em Portugal então você não trabalhou como modelo?

Não, já fui como ator e fiquei lá quase 3 anos.

Bruno Cabrerizo como Inácio em Tempo de Amar (Divulgação/ TV Globo)

Como na sua cabeça um zagueiro vira um protagonista de uma novela das 18h? Como surgiu em você esse desejo pela atuação?

Eu herdei uma coisa da minha avó, que foi atriz circense. Atualmente ela tem 83 anos e se diverte com uma companhia de teatro amadora. Sempre gostei de frequentar o circo. Eu optei inicialmente pelo mundo do esporte que foi o que me formou como homem, me deu determinação, regras, foco, e quando decidi parar eu quis seguir esse desejo como ator, que inicialmente não dei asas porque escolhi o esporte.

Antes de você chegar ao Brasil, saíram diversas notícias sobre você. Como é para você encarar uma novela da Globo como protagonista, e ser alçado ao título de galã? Como fica sua vaidade?

Eu não tenho vaidade e isso não é hipocrisia. A parte boa de chegar na Globo aos 38 anos é que já tenho uma vivência e uma maturidade para certas coisas não me deslumbrarem. Para mim é apenas um papel. Antes do rótulo de galã, o papel de protagonista para mim é mais importante e sei o peso disso. Então não estou preocupado em ser ou não ser galã, porque essa nomenclatura não me importa. Só quero fazer bem o meu trabalho, e mostrar o motivo pelo qual fui escolhido. Já passei por tanta coisa, que essa fase do deslumbramento para mim não existe.

O Tony Ramos te elogiou, e disse que você vai bater um bolão na novela. Você acredita que o fato de você já ter feito tantas outras coisas te deixou menos ansioso com o personagem?

O fato de eu ter feito outras coisas me dá maturidade para não ficar de nariz em pé, isso aqui é um trabalho sério e tem que ser levado como tal, ou seja pé no chão e muito trabalho. Com relação à ansiedade tenho uma coisa de querer fazer bem. As críticas virão sempre, positivas ou negativas, e como já sofri críticas antes, acho que faz parte do contexto do que nós trabalhamos. Quem dera eu poder agradar todo mundo.

O Inácio é meio dúbio porque tem um amor pela Maria Vitória, e se relaciona com a vilã que é a Andreia Horta. Como é para você compor esse personagem cheio de nuances?

O Inácio sofre um acidente e fica cego, e não consegue voltar para o Brasil sendo amparado pela personagem da Andreia. Ele continua apaixonado pela Maria Vitória e depois mentem para ele dizendo que o amor da vida dele se casou, foi para a Espanha e falou para ele nunca mais entrar em contato. Claro que no coração do Inácio nasce uma gratidão por aquela pessoa que o salvou, que deu a ele casa e comida, e vira um amor diferente do que ele tem pela Maria Vitória.

Bruno você acha que é capaz de amar duas pessoas ao mesmo tempo?

Depende, amar tem várias formas, mas o amor romântico não.

A novela fala sobre amor e romance. Você é romântico?

Sou romântico, chorão, não faço poesia mas gosto de bolar surpresa.

Você já chegou a sofrer preconceito por causa da beleza?

Não. Nunca sofri. A beleza ajuda a abrir portas, mas depois cabe a nós demonstrar nosso valor em outros aspectos.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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